segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Alienação parental

Na sexta-feira aconteceu-me uma coisa que há muito não me acontecia. Comovi-me até às lágrimas com uma entrevistada. A reportagem que acabei de entregar é sobre alienação parental, isto é, mães e pais (mas sobretudo mães, porque é à guarda delas que ficam a maior parte das crianças) que afastam o outro progenitor da vida dos filhos, única e exclusivamente para os punir, para exercer represálias pela ruptura.
Na sexta-feira, uma história tornou a mexer-me por dentro. Foi, também por isto, que me tornei freelancer. Para fazer as histórias que me transformam, que me emocionam, que me fazem crescer. Há muito que não me sentia assim. Abananada. Há muito que não chegava a casa, depois de três horas a entrar na vida desesperada de alguém, para desabar no ombro do meu homem. Ele mesmo o notou: Há tanto tempo que não te via assim... pensava que tinhas perdido a capacidade de te comover.
Eu também pensava que sim. Mas não. Ainda bem.
No próximo sábado, na revista Nós Egoístas, dentro do jornal i, estão histórias inacreditáveis de pais que só queriam ser pais. Só queriam ter os filhos no colo, abraçá-los, dar-lhes amor, carinho, educação. E não puderam. Porque o egoísmo do outro progenitor não deixou, porque a justiça permitiu, porque o tempo ditou o fim dos laços. Revoltante. E triste. E a constatação de que eu voltei aos velhos tempos.

31 comentários:

Teclas cor de Menta disse...

Parabéns (I guess!)!

É sempre bom saber que ainda nos conseguimos comover. Que o que fazemos ainda faz sentido. Que há-de ajudar alguém...Mesmo que seja só a nós próprios.

Catarina disse...

Eu vou ler :)beijinhos*

Mamã e Tesourinhos disse...

Infelizmente há tantos, mas tantos casos assim :(. E quem realmente paga são as crianças!

Fica bem.
Bjs.

Anónimo disse...

Eu trabalho num hospital distrital e, não imaginam as situações em que um dos progenitores, vem com a criança ao serviço de urgência, porque nesse fim de semana esteve (a criança) com o outro progenitor e quando regressa a casa, "vem diferentes, apáticos, (...) suspeita de abuso sexual" e isto acontece com crianças de 1,2 ou 10 anos.
Estas crianças são submetidas a uma série de exames, medicina legal, questões e mais questões,....
Por vezes sucede ser verdade (o pior dos cenários!), mas uma grande percentagem destes casos,os pais encontram-se em processo de divórcio, com uma suspeita destas adivinhem quem fica com regulação do poder paternal???? Pois é, isto é veridico. Revolta-me, estes pais é que deveriam ficar penalizados, não se sujeita uma criança a este tipo de situação.
Não me consigo habituar.... Estas situações deixam-me de rastos!!!!

Inês Sofia disse...

Que coisa horrível!
Tão cruéis que são!!! :x

Carla Isabel disse...

pois...nao deve ser fácil...
...há também alguns que se alienam a eles proprios...mas isso é outra historia...ainda assim comovente...
Que estranha forma de amar!

Mãe(q.b.) disse...

Normalmente ouen-se por alto situações destas mas nem imagino estar "presente" nem que sejam por momentos num ambiente desses... n quero perder essa grande entrevista!

jocas e parabéns!

Anónimo disse...

Atenção. Também há o caso de Pais que frequentemente são entrevistados, aparecem em programas de televisão, são notícia no jornal, mas que prestam um falso testemunho...E, depois, vai-se ver bem as coisas, e até foram interditos de exercer o poder paternal, porque são loucos. Com a certeza de que confirmou as histórias, irei ler com muito gosto.

Ana disse...

O egoismo dos adultos revolta-me mesmo. Sou assistente social em Inglaterra e infelizmente tenho testemunhado muitas situacoes dessas. Pergunto-me a mim mesma se esses pais fariam o mesmo se fossem eles que tivessem passado por isso!

Bárbara disse...

sei bem do que falas, tenho um caso na minha familia directa. Os meu filhos têm um irmão que mal conhecem. è triste, muito muito triste.

Beijinho

Nós... disse...

A vida realemente é tão pequenina...
hoje a C. veio ter comigo e perguntou-me pelo meu irmão... e eu perguntei-lhe pelo filho...

Descobrimos que ela foi a tua entrevistada na 6ª... Somos colegas de trabalho!
E desde que trabalho com ela que conheço a historia... infeliz!

ja chorou muito, já gritou muito... e para mim é muitoimcompreensivel.

Ainda bem que os vossos caminhos se cruzaram e de coração espero que a possas ajudar, talvez pondo esta historia triste ao conhecimento do publico, talvez o juiz se decida...

Bem haja a ti Sonia, que tanto ajudas quem podes, ajudas-me a mim e agr a C.

Obrigada e que Deus te abençoe.

Beijinhos nossos

Pedro Almeida disse...

O problema começa todo na merdinha de justiça que temos neste país.
Porque carga de água uma criança é sempre entregue à mãe??? Só se esta for prostituta e drogada é que entregam ao pai.
As mães amam mais os filhos que os pais? Se sim porque então os usam como arma de arremesso para castigarem os homems que perderam?
Esta situação dá-me a volta ao estomago.

Juanna disse...

Poxa.. como me revejo neste post. A minha filha mais velha é fruto de uma relação frustrada. O pai enganou-me, mentiu-me, não pagava a pensão da miúda, etc. Ainda hoje falha muitas vezes e a minha vontade é castigá-lo fazendo com que ela não vá ter com ele. Mas engulo em seco e sei, cá dentro, que quem sofre é ela.. e deixo, permito, não faço ondas. Mas só por ela.

Compreendo que há pessoas que têm a tentação de usar os filhos para punir, eu tenho essa vontade. Mas, ainda bem para todos, consigo passar por cima disso.

Rita G. disse...

Não entendo aqueles pais que usam os filhos para atingirem o ex parceiro. Pais são pais, muito para além da relação conjugal que mantinham está o bem estar dos filhos, daqueles seres que não têm culpa de nada e que não devem ser envolvidos num ambiente de tensão e sofrimento. São eles definitivamente quem mais sofre.
Bj

Paula disse...

Bem, apenas posso falar a nível pessoal e connosco, as coisas não são assim...

O pai do meu filhote é que se está nas tintas! Nunca o aceitou verdadeiramente (O Dé é portador de Trissomia 21) nem nunca manifestou qualquer interesse em manter uma relação com o filho, nem à distância!

O filho liga-lhe e ele nem atende, das raras vezes que lhe prometia um lanche ou um passeio nunca apareceu... e o pobrezinho com o coração destroçado!

ACABOU!!!

O Tribunal que decida, o poder parental, as visitas e o tudo mais.

E não foi por má vontade minha, acreditem, tentei sempre que eles fossem próximos, mas o pai (só no sentido biológico) nem queria assistir o mesmo programa na TV que o filho na mesma divisao e por aí adiante... tentei quase 10 anos...

Luísa disse...

O pai do meu filho, agora com 3 anos, saiu de casa dizendo que a culpa do fracasso era minha e que a coisa mais importante da vida dele era o filho. Durante semanas raramente apareceu ou telefonou. Eu pedia-lhe para, por favor, pelo menos telefona. Mas nem isso fazia. Vai-se a ver e passados dois meses já tinha a namorada grávida, afinal até já vivia com ela há tempo, já tinha comprado casa, até fez uma viagem de férias de 5 semanas com a senhora. Só para o filho é que não tinha disponibilidade. Agora, passados 10 meses, telefona todos os dias, mas continua a vê-lo apenas de 15 em 15 dias. Eu nunca reagi, nunca discuti, nunca o confrontei com nada porque sei que toda a tensão se refletiria no meu filho. E sempre o obriguei (quando foi preciso) a ir com o pai. E sempre disse, e digo, bem do pai. Mas a minha dor foi tamanha, o sofrimento foi tão monstruoso, que muitas vezes, ao fazer este papel, acabava por vomitar, de tão mal-disposta que ficava. Pela minha parte, continuarei a fazê-lo, mas percebo que as histórias que ouvimos acerca destes problemas nem sempre são tão lineares. Quem ouvir o pai do meu filho a falar, vai achá-lo o melhor pai do mundo e, no entanto....

MJL disse...

Seria interessante dar também o testemunho dos (hoje) jovens que enquanto crianças foram privados de um dos pais... aí sim, veriamos como a alienação parental é uma ameaça à saúde, à auto-estima.

Cookie disse...

Como mãe separada, não consigo compreender esse tipo de atitudes. Sei que os "sapinhos" que eu tenho que engolir são muito pequenos quando comparados com os de outras pessoas, mas ainda assim, não percebo que alguém que ama um filho não coloque o interesse dele à frente de tudo. E o interesse dele, na maior parte dos casos, é ter uma relação próxima com ambos os progenitores...
Vou ler a tua reportagem :-)
Bj

Paula disse...

Resposta à MJL:

Não posso falar pelo meu irmão, mas posso dizer-te que o facto do meu pai ter terminado o pouco contacto que ainda havia (sempre foi um pai ausente), depois do divórcio dos meus pais, o meu irmão ficou de rastos, na altura ele tinha 10 anos!

O meu irmão era um miúdo que "se metia com toda a gente" no autocarro, na rua, cumprimentava todas as velhas e velhos, porque é boa educação, mesmo que não os conhecesse, adorava brincar na rua e de tudo fazia um carrinho, uma bola ou uma fisga, os seus olhos até brilhavam quando íamos à quinta dos meus bisavós e ele podia mexer na terra, cavar e dar de comer aos bichos...

Cresceu recolhendo-se no seu casulo, chega a não abrir a janela do quarto, entregou-se à informática (só para jogar) e poucos amigos que têm são os seus companheiros de jogo online, deixou de querer sair à rua, ir a casa de familiares é raríssimo, uma ou duas vezes no máximo e não mais do que uma hora, ir à quinta está fora de questão...

O meu irmão mudou muito, e acreditem que eu e a minha mãe tentámos o máximo, ainda o fazemos... ele tem agora 21 anos!

"Ao menos não anda aí na rua a fazer asneiras" - dizem - pois, se calhar consola um bocadinho!

ana martins disse...

Eu acredito que temos essa capacidade dentro de nós, o que acontece é que por vezes andamos a mil à hora e não temos "espaço" para essas emoções...há dias li um livro da Fatima Lopes, que retrata esta problemática e dei por mim na sala de espera do consultório médico, a ler e livro, lavada em lágrimas...faz-nos pensar como as pessoas mudam e podem ser tão cruéis.
Vou ler a tua reportagem, certamente.
Obrigado!

MAC disse...

Sabe que a maior parte das histórias contadas no masculino, omitem situações de utilização dos filhos para atingirem as mães. Em muitos casos, as crianças são-lhes retiradas, porque apenas funcionavam como uma arma de arremesso.

Acredito que haverá excepções, mas não se regule, nem se iluda pelo que os pais armados em anjinhos e quando já perderam a batalha que resolveram travar, se vêem perdedores dos filhos.

Lamentavelmente há de tudo, mães que privam os filhos como vingança e pais que os usam para aborrecer as mães.

Como saldo restam crianças que só deverão ser crianças e em que o superior interesse da criança foi esquecido.

Clara disse...

e dos pais que se auto alienam [que esses então são aos milhares, se calhar é tão comum que não dá para publicar em jornais e revistas].

eu adorava que o meu ex marido quisesse passar tempo e educar com os filhos dele. paciência, é a vidinha.

Margarida disse...

É tão bom ser humano ... reagir a estas histórias infelizes, tanto como às felizes !! Faz-nos sentir vivos e obrigam-nos a estarmos atentos !!
Mas voltando ao assunto da alineação, também existem os que se afastam, por opção ! Infelizmente tenho essa situação em minha casa. A mãe biológica deixou de aparecer, telefonar, ou contactar os meus "filhos" desde à 2 anos. E por muito que lhes preencha o "lugar de mãe", não deixam de crescer a sentir que a mãe não quer saber deles !
Magoa-me !!

Cindy disse...

OLha... acompanho um blog que me parte o coração: http://filhoparasempre.blogspot.com/

Beijocas grandes

kristina disse...

Obrigado Sónia pelo tempo que passou a ouvir me :)
Espero que o meu testemunho vá ajudar outras pessoas porque nisto tudo quem sofre são as crianças !
Este sabado irei então comprar o jormal para ler a minha própria historia , espero que todo este esforço sirva para alertar consciencias :)
Porque para além de nós pais sofrermos quem mais sofre são as crianças que vêem o seu direito de criança ser desrespeitado e ninguem fazer nada e por isso hoje em dia quando oiço que os tribunais salvaguardam " o superior interesse da criança" ahahah!
Dava para rir se não fosse motivo de choro!

Fuschia disse...

Nunca tinha pensado nisso dessa maneira, mas sim, é um acto de egoísmo. O pior, porque vai afectar a vida de alguém para sempre.

Xanuca B disse...

Sónia deixo-lhe a opinião e o testemunho. Porque há muitos olhares e muitas emoções envolvidas....

http://xanucabazaruca.blogspot.com/2010/01/sindroma-da-alienacao-parental.html

Abraço

S. disse...

sónia
Os meus parabéns pela reportagem. Costumo comprar o i aos Sábados e fui logo a correr ler o que tinhas escrito. Gosto da forma como escreves porque consegues informar e ao mesmo tempo dar um cunho próprio muito teu, sem te perderes em redundâncias e sem resvalares para a lamechice e isso, sobretudo num tema como este, é muito díficil.
Um beijiho.

Kristianna disse...

Infelizmente alguem sofre desse mal aqui por casa...O meu marido nao ve a primeira filha (3 anos) ja à 2!!!A mae nao deixa, visto ele nao ter aguentado a relaçao e ter saido de casa...sempre tentou contacto mas viu sempre uma porta fechar-se na cara...quem esta por fora nao imagina o que sente um pai (neste caso), como sofre, como chora...e como sonha um dia ver, as suas duas princesas ( dele, e a nossa) a brincarem juntas...algo que parece tao simples...mas tao dificil de se alcançar...

Anónimo disse...

Infelizmente não consegui ler a reportagem, mas o assunto muito me interessa,pois sofro de uma falsa acusação de alienação parental!! ISso mesmo!! Eu acho muito bonito quando se fala do assunto, mas algumas pessoas esquecem que a SAP, tambem está sendo usada por advogados inescrupulosos e pais/maes igualmente sem moral, para defender reais abusadores de filhos. E não digo apenas abusadores sexuais, digo ate de abusadores mais sutis, abusos psicologicos mesmo. Enfim, acho que deve-se ficar atento a esse modismo juridico e prestar atenção para que o mesmo que defende causa tão nobre não se transforme em arma perigosa nas mãos de pais nada bacanas!! Eta paisinho preconceituoso o nosso!! BAsta uma mae ser separada e alegar que um ex marido esta fazendo mal a seu filho, que já falam que ela é mal amada. Agora inventaram até nome tecnico( alienação parental). Talvez esses homens sejam ex por não serem tão bons assim. E as atuais desses ex, deveriam ficar atentas, pois elas podem ser as futuras ex e futuras alienadoras

kristina disse...

Acabei por não perceber muito bem a tua posição, e é preciso ver que cada caso é um caso mas numa coisa estamos de acordo este país esta cheio de advogados mal intencionados e quem sofre são as crianças.
Eu não vejo o meu filho tenho esperança que um dia volte mas se um dia voltar e não quiser ir ver o pai não sou eu que o volto a obrigar o pai esta a fazer a cama que um dia ha de deitar !
Porque quando os filhos tomam consciencia das coisas nunca mais vão perdoar ter sido um instrumento nas mãos deles .
Tenho essa esperança!