quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Creme de quê???


Há um creme à venda na televisão, daqueles tipo ligue agora e receba este creme por menos do que seria de esperar, e seja feliz, e coiso e tal. Sim, senhor, o costume, nada a apontar. Só que... só que... o creme que está à venda é creme feito à base de... de... (glup), de... (blhéch!),de...baba de caracol. Yaaaaaaaaaaaaaak!
A voz off diz e repete e torna a repetir que o produto para pôr na cara e no corpo é feito com "baba de caracol" e as minhas entranhas revolvem-se. MAS QUEM É QUE TEM CORAGEM E VONTADE DE BOTAR NA FOCINHEIRA AQUELA NHANHA NOJENTONA QUE OS CARACÓIS DEIXAM PARA TRÁS? QUEM? QUEM? QUEM?
Diz que faz muito bem. Que acaba com borbulhas, rugas, cicatrizes. É pá, ainda bem. Mas só um grande nível de desespero me faria espalhar aquela ranhoca no meu lindo corpinho. Se me dissessem: ó minha amiga, tu esfregas-te com a gosma e emagreces 10 quilos na hora... Se me garantissem isso, era gaja para mergulhar num bidão de caracoletas. Agora, para acabar com uma borbulhita ou uma manchita... nah. Não me apanham nessa. Muco de caracol, caracoleta ou lesma em cima de mim, não obrigadinha.

terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Manzarra

Eu adoro o Manzarra.
Eu vi o Abrunhosa cair e não me ri, não por ser muito boazinha (que, por acaso, até sou), não porque não me ria habitualmente com as quedas das pessoas e com as minhas (que, por acaso, até rio), mas porque me assustei. Achei que o homem podia ter-se magoado a sério e fiquei de coração apertado, à espera que se levantasse. Acho que nunca mais me consegui esquecer que o meu querido Carlos do Carmo caiu uma vez de um palco e magoou-se tão seriamente que partiu o lado esquerdo do tórax, sete costelas, furou um pulmão, e ficou sem baço. Esteve quase a ir-se, o meu adorado Carlos. E eu acho que perdi a capacidade de rir quando alguém se estatela de um palco.
Agora...
O que eu me ri foi com o "ai, f***-se" do Manzarra. Já ouvi e tornei a ouvir, de olhos fechados para não me distrair com a imagem, e escangalho-me sempre a rir quando o oiço: "ai, f***-se". AHAHAHAHAHAH! Ganda Manzarra! E o saltinho, à super-herói, para ir salvar o outro? Vivó Manzarra!

domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Martim e a língua portuguesa

Primeira
O Martim arrotou e, de imediato, levou a mão à boca e disse, com uma naturalidade de dar medo:
- Cabrão.
Nós demos um salto:
- Hã??? O que é que disseste???
Ele parecia assustado, como se não percebesse a agitação repentina.
- Cabrão... Eu arrotei sem querer e, por isso, disse cabrão.

Tivemos mesmo de nos controlar para não nos atirarmos para o chão às gargalhadas.
- Perdão, Martim! É PER-DÃO.
- Ah. Perdão. Pensava que era cabrão.

Segunda
- Lá vai o comboio, puta-terra-puta-terra-puta-terra, ú-ú-ú.
- Hã??? O que é que disseste???
O Martim ficou com aquela cara de quem diz: Mau... o que é que eu fiz desta vez?
- Lá vai o comboio, puta-terra-puta-terra-puta-terra, ú-ú-ú.

Novo esforço violento para não nos partirmos a rir.
- Pouca-terra-pouca-terra-pouca-terra!
- Hã?
- Diz-se: pouca-terra e não o que estavas a dizer. Ok?
- Ah. Ok. Pouca-terra, é?
- É.
- Ok. Lá vai o comboio, pouca-terra-pouca-terra-pouca-terra, ú-ú-ú.


Ufffff.

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Não tinha saudades nenhumas tuas, bronquiolite


E pronto. É oficial. Pequena Mada tem uma bronquiolite e iniciou-se no tenebroso mundo do Ventilan e do Celestone. E hoje vai iniciar-se, também, nas mãos ferozes da Fátima, uma fisioterapeuta que vem cá a casa, desde que o Martim era bebé, fazer cinesioterapia. Pequena Mada não sabe o que a espera, pobrezita. Mas o que a espera é uma esfrega de fazer dó. Com dedos a empurrar a garganta para dentro, para fazer tossir e cuspir secreções nojentonas. Ao menos foi só agora, aos 7 meses. O Martim começou logo aos dois, com internamento de uma semana e um ano de idas diárias à Estefânia, para sessões contínuas de porrada pulmonar. Enfim. Pequena Mada terá de se aguentar à bronca.

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Parabéns, gralha

Não somos amigas, não somos próximas, não partilhamos intimidades. Mas somos mais ou menos vizinhas e ela é sempre bem-vinda aqui no Cocó, sempre pronta a deixar uma palavra amiga. Pois bem, desta vez é a minha vez. Soube que nasceu o novo gralhito. Que a vida lhe sorria sempre, que seja bonita, melódica, perfeita. E que os pais e os avós e os amigos acompanhem tudo com a alegria que um nascimento e crescimento sempre trazem. Parabéns, gralha!

Nós as quatro

Ontem estivemos juntas as quatro. Já não jantávamos as quatro há quanto tempo? Imenso. Temos jantado as três, as duas, mas nunca mais as quatro. Fomos a casa dela, que tinha feito um frango à moda da avó, tão bom que ainda estou cheia até agora. Ela, coitada, passou mais tempo no quarto dos miúdos do que connosco, primeiro era o A. aos saltos, depois foi o P. a chorar. Nós ficámos na sala a dizer parvoíces a maior parte do tempo, a alucinar com um balão em forma de cavalo com o hélio a esmorecer, a beber vinho e a rir. Depois, ela e ela discutiram e amuaram e uma delas levantou-se de fúria para ir fumar e sair de cena. Eu fiquei a rir-me como se tivesse fumado uma coisa do Paquistão, a olhar o sacana do cavalinho que esvoaçava devagarinho pela sala e olhava atentamente para mim.
Depois, ficou tarde e tivemos de ir embora, cada uma para a sua casa, as duas amuadinhas juntas, e eu sozinha, a temer que se esgatanhassem no carro. Mas não. Lá se entenderam, como sempre.
Gosto de vocês. E estes encontros sabem-me sempre a pouco.

P.S: Se não tivesse de emagrecer pedia-te a receita do frango, melher! Que estava mesmo danado de bom. Hoje, porém, sinto-o todo nas ancas e oiço cacarejar. Acho que o raça do bicho está à gargalhada com os estragos calóricos que provocou.

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Porto


Almocei no Majestic, sozinha, e se não fosse uma puta de uma dor de cabeça feroz tinha sido muito agradável. A minha entrevista, às 11.30, na Foz, foi maravilhosa. Agora estou no Caffe di Roma, ao pé do Teatro Sá da Bandeira. Tenho uma tomada mesmo ao lado da minha mesa e já pedi autorização para a usar, quando o meu querido Vivienne ficar sem bateria. Estou muuuuuito enjoada e ainda não acabei o primeiro texto. A seguir tenho de escrever outro e ainda devia acabar mais um.
Vim com um fotógrafo para cima (da Notícias Magazine) e, agora, estou à espera do meu querido Gonçalo F. Santos, porque vou com ele fazer outro trabalho, desta vez para a revista Nós, do jornal i. Ou seja, vim com um fotógrafo e regressarei a Lisboa com outro. A minha amiga Ângela, quando lhe disse isto por sms, mandou-me uma mensagem a dizer: "És uma pega". E eu fiquei a rir-me até há bocado.
Tudo estaria perfeito, se não fosse esta dor de cabeça que não me larga, apesar do Benuron, dos cafés e do chá.

P.S: As maminhas, para já, estão bem. :)

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Amanhã, quarta-feira

Amanhã vou para o Porto às 8 da manhã. Tenho uma entrevista às 11.30. E depois, várias entrevistas a partir das 19h. Devo chegar a Lisboa depois da meia-noite. Vai ser a primeira vez que me separo, por tantas horas, um dia inteiro, da minha caganita. Das outras vezes tenho-a levado sempre comigo, mas agora não. Ela fica. Já come sopas e papas, já não mama tantas vezes, já se aguenta sem mim. Eu é que vou ficar cheia de saudades, já para não falar das maminhas, a aumentarem de tamanho à medida que as horas forem passando. Pelo sim pelo não vou levar a bomba de retirar leite. Tenho medo de explodir no caminho de regresso.
(Fui demasiado gráfica? Too much information? Pois. O pior é que eu sou mesmo assim. E hoje dei por mim a desabafar com um colega, à frente do senhor taxista, o problema das minhas maminhas. O senhor ria com gosto, provavelmente pouco acostumado a escutar tamanhos desabafos leiteiros.)

P.S: Há alguém que conheça um café writer friendly no Porto, que não faça cara feia se eu pedir para ligar um computador à tomada? É que a bateria não vai durar muito tempo e eu tenho muuuuuuuito que escrever. Sugestões de cafés amigos dos agarrados ao teclado?

I Gotta Feeling

Tenho um feeling que, daqui até Junho, que é quando se realiza o Mundial, nenhum de nós vai conseguir suportar a música dos Black Eyed Peas. O BES comprou os direitos da canção para Portugal e agora passa o tema na televisão de 5 em 5 minutos. Maltinha! Estamos em Fe-ve-rei-ro! Faltam cinco meses para o Mundial... I gotta feeling que em Junho vamos todos vomitar sempre que esta música tocar.

A Princesa e a ervilha


Pequena Mada foi presenteada pela marca A Princesa e a Ervilha com este lindo vestido, à venda na loja Pau de Giz. Tudo por causa de uma produção de moda que pequena gorda fez para a revista Pais & Filhos. A Mada agradece e a Cocó também.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Movida a energia solar

Acabo de ir fazer a minha caminhada a pé, uma mão a empurrar o carrinho da Madalena, a outra a segurar a trela da Coca, a cadela que a minha mãe me deixou para cuidar, enquanto foi para Milão 4 dias. Andámos 6 quilómetros numa hora, eu e a Coca, em passo acelerado. Não sei se perdemos o mesmo número de calorias, nós e os bichos, mas o meu aparelhómetro diz que eu perdi 310 kcal. O céu azul, o rio esplendoroso e eu a agradecer muito por viver onde vivo, por ter tomado a opção profissional que tomei, por estar sol e por ser feliz. Amanhã posso não estar tão bem disposta, porque sou naturalmente ciclotímica, mas hoje... hoje sinto-me mesmo bem para caraças.

Ressaca de fim-de-semana

Depois de um fim-de-semana como este, fica difícil retomar a semana. No sábado, aquele brunch no Kaffeehaus, em tão boa companhia, foi excelente para arrancar. Depois, o passeio pelas ruas cheias do Chiado, hummmm. À noite, um jantar com amigos, em que se comeu bem e se pôs a conversa em dia, e seis crianças (sim, ao todo já são seis, três de um lado e três do outro, ao todo somos 10) a brincar pela casa fora.
No domingo, uma visita a um palácio lindíssimo, por causa cá de coisas nossas, uma visita a um apartamento com piscina que não nos encheu as medidas (nem a nós nem aos nossos amigos e futuros vizinhos), um lanche na esplanada do Magnólia com vista para o Jardim das Ondas (onde agravei a minha já grande constipação) e, à noite, os Ídolos*, que vimos enroscadinhos um no outro, com a lareira a bombar.
Quem é que tem vontade de trabalhar, depois disto? Bah.


*Ah, e eu estou a torcer pela Diana há muito tempo. O Filipe também é óptimo, mas para mim... a Diana é a máior!

domingo, 31 de Janeiro de 2010

O cromo cota sou eu

No Sábado encontrei o meu amigo PRD na Fnac do Chiado. Às tantas, mostrou-me o filho, Olha só, tão grande. E eu fiquei boquiaberta. Eu andei com aquele miúdo ao colo e agora tenho de inclinar a cabeça para trás para falar com ele. Mede 1,80m, tem 15 anos, está um rapazola. E foi então que dei por mim a dizer as parvoíces que sempre ouvi os cotas dizerem-me, quando tinha a idade dele (ainda que eu nunca tenha passado do 1,60m):
- Eh pá, tu estás enorme! Mas como é que é possível? Xiiiiiii! Mas o que é que tu comes? Fermento? Eu andei contigo ao colo e agora...

Ao mesmo tempo que falava, havia uma vozinha dentro de mim, tipo grilo do Pinóquio, que sussurrava: O que é que tu estás a dizer, pá? Tu estás a ouvir-te, pessoa? Que raio de conversa é essa? "Fermento?", "Eu andei contigo ao colo"?
Mais um bocadinho e dizes-lhe aquela tão típica, também: "Vocês é que nos fazem velhos!"

Porque é que acabamos sempre a fazer o mesmo que nos fizeram? Porque é que dizemos as mesmas frases-feitas idiotas a que, anos antes, torcemos o nariz?
Olha, António, tu desculpa lá qualquer coisinha. Não sabias o que me responder, não foi? Pois, claro. Quando era comigo, também ficava calada. Calada e a pensar: mas que grande cromo!
No sábado passado, o cromo fui eu. Deixa lá, António. Daqui a uns 15, 20 anos, hás-de estar tu a encontrar um puto qualquer, que conheceste minúsculo, e hás-de-lhe dizer:
- Eh pá, tu estás enorme! Mas como é que é possível? Xiiiiiii! Mas o que é que tu comes? Fermento? Eu andei contigo ao colo e agora...

E nesse dia... nesse dia vais-te lembrar de mim.

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Ciúmes

Eu: - Sabes o que é ter ciúmes, Martim?
Martim: - Não.
Eu: - É sentires uma dorzinha dentro do coração quando a mãe ou o pai pegam na Madalena, por achares que gostamos mais dela ou lhe damos mais atenção a ela. É normal sentires isso, mas nós não gostamos mais da Mada, gostamos de todos da mesma maneira. Os nossos corações são elásticos e cabem todos cá dentro, sabes não sabes?
Silêncio (o discurso foi demasiado longo e ele já não ouvia nada, atento aos desenhos animados)
Manel: - Mas também há os ciúmes dos namorados, não há?
Eu: - Há.
Manel: - Por acharem que o outro gosta de outra, não é?
Eu: - Sim. Por exemplo, imagina que agora o papá começava sempre a falar de uma colega do trabalho dele. E recebia telefonemas dela a toda a hora, e ligava para ela vinte vezes por dia. A mamã ia começar a ter ciúmes.
Manel: - Oh, mamã... (com um sorriso enorme) Mas isso nunca vai acontecer... Tu sabes que nunca vai acontecer! É impossível!


E assim fiquei a saber que o Manel acredita que o nosso amor é inabalável. E crescer assim deve ser mesmo bom.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Raízes fasciculares

O meu rapaz mais velho está grande, com voz grossa e postura de adolescente. Tem 8 anos mas já lhe vejo jeitos de rapazinho maior, e acho que até já lhe consigo vislumbrar as feições de jovem a fermentar hormonas.
Gosto de o ajudar a fazer os trabalhos de casa, gosto de estudar com ele para os testes. Sinto-me velha para caraças mas, ao mesmo tempo, sinto um calorzinho bom, de o ver tão crescido, a cumprir obrigações.
O Manel teve um teste de Estudo do Meio (no meu tempo era Meio Físico) e foi giro vê-lo a estudar as raízes aprumadas, fasciculadas e tuberosas, as plantas de folha caduca, os seres vivos e os não vivos, o que extraímos das plantas para a nossa vida do dia-a-dia.
Estudo com ele e relembro aprendizagens cobertas de pó. Algumas tão cobertas de pó que simplesmente sumiram dentro do meu cérebro. Outras vêm ao de cima com um simples sopro. Outras fazem-me arrepios e alergia... e não é do pó, é mesmo das próprias.
Como os problemas de matemática, aqueles que começavam com O João tem 23 laranjas, saiu de casa e encontrou mais não sei quantas laranjas mas depois veio a Susana e levou-lhe um porradão delas mas trouxe algumas metades, quantas laranjas tem o João? Ainda hoje, quando leio os problemas que o Manel tem de resolver, sinto um calafrio. Desce na minha mioleira uma espécie de muro e, pronto, fico burrinha, burrinha.
A tabuada é outra. Acho que nunca a soube de cor e salteado, de trás para a frente. Decorava uma, esquecia as outras, baralhava tudo. Agora, estou empenhada em fazer o Manel decorar. Estudamos todos os dias uma. E depois pergunto-lhe 4x4, 3x8, 5x9, 4x7 a ver se ele é menos totó do que eu. Conclusão? Pela primeira vez sei a tabuada. De cor e salteado. De trás para a frente.
Até por isto gosto de ter filhos: aprendo, reaprendo, colmato falhas que ficaram para trás, removo o pó a conhecimentos distantes. Já tenho 3 filhos, vou fazer isto 3 vezes. Dá-me ideia que é desta que vou ser uma aluna brilhante.

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Fruta da época

O Martim esteve de molho. E agora sou eu. Depois de ter estado ontem uma hora à porta de uma escola, a fazer entrevistas às crianças que saíam, com um frio tão gelado que fiquei com o nariz tão vermelhinho como o da rena Rudolfo, estou oficialmente a chá quentinho e benurons. Tenho arrepios no corpo e vontade de ficar todo o dia enfiada no meu pijaminha polar. A Madalena está na mesma: ramelosa, ranhosa, com uma otite cerosa (tudo em osa, que é para rimar), e com uma tosse horrível que só me faz lembrar quando o Martim foi internado. A máquina dos aerossóis já saiu da caixa e ela experimenta pela primeira vez os vapores, para já só com soro fisiológico. Espero que não voltem ao nosso dicionário os Ventilans, Atrovents, e Celestones que nós, infelizmente, conhecemos tão bem.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Sem palavras

Venho aqui, olho a fotografia da Sofia e não consigo postar nada.
Tudo me parece fútil, pequenino, estúpido.
Obrigada a todos os que já se tornaram dadores, alguns esta semana, depois de verem a carinha sa Sofia, aqui em baixo.
É nestas alturas que eu não entendo a fé. Nestas e quando há Haitis e outras calamidades similares. Respeito muito quem a tem. Mas por cada Sofia e por cada vítima do Haiti fico mais longe de Deus.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Sofia



Esta é a Sofia. A Sofia tem a mesma idade da minha Madalena. A Sofia é até parecida com a minha Madalena. A Sofia está doente. Muito doente. E precisa da nossa ajuda. Da ajuda de todos. Se ainda não é dador de medula óssea, por favor, está na hora. Parte-me o coração pensar nos pais da Sofia, que podia ser a Madalena, e que, por isso, eles podiam ser nós. Inscrevam-se. É muito difícil encontrar um dador compatível e por isso quantos mais dadores disponíveis melhor. Aumenta a probabilidade de a salvar.
Inscrevam-se em qualquer Centro de Histocompatibilidade. Ajudem a Sofia a viver.
(Sofia: vou ficar aqui a fazer muita força, a juntar toda a energia positiva que conseguir, para que tudo isto não passe de um pesadelo medonho. Boa sorte, minha linda. Boa sorte!)

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

5

Ontem, quando lhe dei o beijinho de boa noite, disse-lhe: "É a tua última noite com 4anos". E não é que me deu vontade de chorar? Ouvi-me e deu-se-me um aperto cá dentro, cinco anos, pá, o meu catamiço já tem 5 anos, como é possível isto?

Hoje o Martim faz anos e está que não se aguenta, todo orgulhoso, cheio de anos.
Hoje levou um bolo para a escola e vai ter festa familiar cá em casa e no sábado mais uma, que quanto mais paródia melhor.
Hoje vou recordar o dia em que ele saiu da minha barriga e eu chorei quando ele chorou, porque senti a mesma pancada na cabeça que da primeira vez, uma espécie de atordoamento amoroso que nunca mais passa e aumenta todos os dias, e que para mim foi uma surpresa porque nunca imaginei que fosse possível sentir um amor assim mais do que uma vez. E não é que já foram três?
Hoje vamos cantar os parabéns e desejar que cantemos por muuuuuuitos anos, todos juntos e felizes e a gostarmos uns dos outros.
Hoje vou estar um nadinha mais lamechas, porque o meu pequeno esquilo está a crescer mais depressa do que eu gostaria.
Parvoíces.
Parabéns.
Uma mão cheia de beijinhos.

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Mãe: 1; Madalena: 0

Hoje lixei-te.
Aqueci a sopa com batata doce. Cozi maçã e passei-a. Pus cada coisa no seu prato.
Enfiei-te um babete à prova de javardice. Pus um avental. Sentei-te ao meu colo, com um braço atrás de mim, a cabeça entalada, o outro braço agarrado. Peguei na colher, mergulhei-a na maçã, dirigi-a à tua boca. Fechaste-a muito bem fechadinha. Mas eu estava determinada a vencer-te. Forcei a entrada e a colher entrou na tua boca. Fizeste uma careta, o que só prova que és mesmo esquisitinha, que a maçã era doce como mel. A seguir, outra colherada de maçã, e tu furiosa, a fazer força mas sem saída. Depois, a sopa. Tu a quereres vomitar e eu a dar-te água e a soprar para a tua cara. Tu a arqueares o corpo, demoníaca, e eu a fazer uma força do caraças para te agarrar.
Hoje lixei-te.
Comeste para aí 6 colheres de sopa mais umas 5 de puré de maçã. Tens sopa seca nas orelhas e no cabelo e no nariz e nas pestanas. Mas comeste.
Agora vou só ali estender-me um bocado que eu lixo-te mas quem fica de rastos sou eu.

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Hã?

Mais filhos? Eu disse que talvez quisesse mais um filho??? Disse?? Não disse nada... Disse?
Se disse, ESQUEÇAM!
A Madalena transformou-se numa miúda chorona, chata, birrenta.
Só me quer a mim, o que seria bonito se não fosse... chato. Olha-me como se visse a luz. Se me afasto, guincha. Às vezes, nem o colo do pai a apazigua. Nada. Só a mãe é que interessa. E tem de ser no meu colo, que aí é que se está bem.
Tudo isto seria lindo e enternecedor se não fosse absolutamente impossível de aguentar 24 horas por dia. Eu sei que, mais tarde, quando ela só quiser saídas à noite, gajos, bebedeiras e as amigas... eu sei que aí eu vou recordar com uma lagrimazita estes tempos em que tudo se iluminava no seu pequeno mundo quando eu aparecia. Eu sei. Somos sempre assim. Nunca estamos satisfeitos. Mas esta miúda está a deixar-me à beira de qualquer coisa má. Grita no colo da minha sogra como se tivesse visto o demónio, grita com a dona Emília (tristíssima, a dizer: o teu irmãao não era assim...), grita na mercearia, grita no cabeleireiro, grita com quem quer que se abeire dela e faça bilu-bilu-tão-fofinha-putchy-putchy-putchy. Grita muito alto. E enerva-me.
Grita de dia e grita de noite. De noite então... chiça!
Tenho umas olheiras até ao pescoço e uma falta de paciência do tamanho de um camião TIR.
Além disso, decidiu que não come sopa. Decidiu, pronto. A sopa pode ser cor-de-laranja, pode ser verde, pode ter cenoura, abóbora, feijão verde. Pode até ter batata-doce. A fulana fecha a boca muito bem fechada e nem com a colher à força a consigo abrir. AAAAAAAIIII!
Se alguém me dissesse que ao terceiro filho eu ainda ia conseguir desesperar e não saber o que fazer eu acho que me ria. Sempre que a gente pensa que já sabe tudo sobre as coisas... pumba! Lá vem alguém mostrar-nos que somos umas bestas.
Obrigada, Mada. Já percebi que tinhas uma lição para mim. Foi giro, aprendi, e agora já podias voltar a ser um bebé querido, que mostra os dentes (dois!) às pessoas, não para lhes rosnar mas para sorrir, mesmo. Hum? O que dizes? Vai um sorrisinho a alguém que não seja eu? E a sopa? Marcha? Hum?

A propósito, há por aí alguém que faça laqueação de trompas? Hã?

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Martim, o intelectual

- Sabes, mamã, gosto muito das pinturas do Miró.

Quer dizer...
Não foi bem assim. Foi mais:
- Sabes, mamã, gosto muito das pinturas de um pintor que tem um nome... parecido com cocó.
- Com cocó??? Hummm, deixa cá ver, cocó...cocó...
- Miró!!! Gosto muito das pinturas do Miró.

Alienação parental

Na sexta-feira aconteceu-me uma coisa que há muito não me acontecia. Comovi-me até às lágrimas com uma entrevistada. A reportagem que acabei de entregar é sobre alienação parental, isto é, mães e pais (mas sobretudo mães, porque é à guarda delas que ficam a maior parte das crianças) que afastam o outro progenitor da vida dos filhos, única e exclusivamente para os punir, para exercer represálias pela ruptura.
Na sexta-feira, uma história tornou a mexer-me por dentro. Foi, também por isto, que me tornei freelancer. Para fazer as histórias que me transformam, que me emocionam, que me fazem crescer. Há muito que não me sentia assim. Abananada. Há muito que não chegava a casa, depois de três horas a entrar na vida desesperada de alguém, para desabar no ombro do meu homem. Ele mesmo o notou: Há tanto tempo que não te via assim... pensava que tinhas perdido a capacidade de te comover.
Eu também pensava que sim. Mas não. Ainda bem.
No próximo sábado, na revista Nós Egoístas, dentro do jornal i, estão histórias inacreditáveis de pais que só queriam ser pais. Só queriam ter os filhos no colo, abraçá-los, dar-lhes amor, carinho, educação. E não puderam. Porque o egoísmo do outro progenitor não deixou, porque a justiça permitiu, porque o tempo ditou o fim dos laços. Revoltante. E triste. E a constatação de que eu voltei aos velhos tempos.

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Haiti


Esta imagem...
Esta gente...
Esta terra que nos mostra, de vez em quando, como somos vulneráveis, como somos frágeis, como tudo muda, tudo acaba, em 35 segundos...
Hoje o meu coração está, inteirinho, no Haiti.

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Ainda o cancro

A todos os que ficaram magoados com o post sobre o cancro: as minhas desculpas. Como imaginam, não queria ofender ninguém. Se há pessoa que respeita quem passa por esse martírio, sou eu. Se há pessoa que se borra de medo de ter um cancro, sou eu. Se há pessoa que conhece gente que já teve ou tem cancro, sou eu.
A todos os que estão, neste momento, a lutar contra cancros, desejo, do fundo do coração, que vençam esse maldito. Se eu pudesse espezinhá-lo e parti-lo aos bocados com um taco de baseball, acreditem, era eu própria que ia aí fazer-vos o serviço.
Eu e as minhas amigas temos esta coisa de gozar com tudo o que nos assusta e entristece. Podemos, aos vossos olhos, ser umas anormais. Se calhar somos mesmo. Mas mesmo quando uma colega nossa morreu, aqui há uns anos, a nossa melhor catarse era gozar com o assunto. Mesmo quando uma colega de uma de nós teve agora uma situação muito complicada de saúde, o nosso remédio caseiro é fazer humor negro. Parece que as coisas ganham uma nova dimensão. Ficam mais pequeninas.
Mas é claro que nem todos podemos ver as coisas do mesmo modo. Com certeza.
E se magoei alguém com o meu post pateta... desculpem mesmo qualquer coisinha. Eu tenho muuuuuuuuuuuitos defeitos. Mas sou mesmo muito boa pessoa. Longe de mim querer ofender aqueles que sofrem.

Agenda

Todos os anos é a mesma coisa. Passo, de uma agenda para a outra, os aniversários de toda a gente, que escrevo no topo das páginas, a encarnado. Ora, há pessoas que eu não vejo há 10 anos. E, ainda assim, continuo a escrever o seu aniversário ou o aniversário de casamento ou o aniversário dos filhos e até os aniversários dos baptizados dos filhos, coisas que, em alguns casos, já só mesmo eu é que saberei.
Custa-me tirar pessoas da minha agenda, mesmo quando é gente que foi feia comigo, gente que eu garanto que nunca mais vou ver nem perdoar. Parece que, ao retirá-los dali, desaparecem do mapa. Do meu mapa. E isso custa-me. Gosto de chegar a dia tal e pensar: olha, aquela cabra faz anos; onde é que andará?; sacana, como se portou mal comigo! E pronto, seguir em frente. É como se tivesse de os ter na minha agenda, para não me esquecer do que me fizeram. E, em alguns casos, sentir pena de os ter perdido. É, talvez, uma forma de luto.
Às vezes, digo ao Ricardo: Sabes quem faz anos hoje? Fulano. Ele ri-se. Xinapá, fulano... O que será feito de fulano? E acaba sempre a perguntar: Mas porque raio tens tu ainda essa data na agenda?
Não sei. Sei que ainda ontem, quando passava as coisas para a agenda nova, fiz o mesmo. Houve um ou outro nome que estiveram mesmo à beirinha de ficar para trás. Mas... não consegui. Este ano ainda constam. Para o ano logo se vê.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

De como falar do medo afasta o medo

Conversa com duas amigas no messenger:

Eu: Estou tão cansada. Acho que tenho um cancro. Mal consigo levantar os braços. Amanhã vou fazer análises.
A: Já te está a cair o cabelo?
Eu: Não, ainda não comecei a fazer quimioterapia...
A: lololololol. Agora ri-me mesmo.
Eu: Se tivesse vocês ficavam tristes? Choravam?
A: Era capaz.
Eu: Iam comigo aos tratamentos?
A: Se a S. me desse boleia...
Eu: Olhavam pelos meus meninos?
A: F***-se! Isso não!
S: Vocês não estão a ter esta conversa parva, pois não? Cansaço não é cancro. Começa com c mas não é a mesma coisa, pá.
A: Se tiveres cancro é onde?
Eu: Com este cansaço todo, deve ser leucemia...
A: Ah. Olha, então quando tiveres os resultados vê se não pões no blogue, está bem? Diz-nos primeiro. Vais onde, fazer as análises?
Eu: Vou à Cuf.
A: E eles dizem logo: pumba, cancro.
Eu: ahahahah
A: Pumba: podes esquecer o freelance
A: Pumba: três filhos orfãos de mãe
S: Só espero que amanhã a esta hora as lágrimas não nos estejam a escorrer pela cara abaixo.
A: Porra. Estás parva?
S: Porque eu vou ficar muito triste, sim
A: Mas alguém falou em cancro?
S: E vou chorar, sim
A: Não tens sentimentos?
S: P*** de m****
A: C******
S: F***-se

Acho que, se falarmos e gozarmos com estas coisas, elas fogem. Pelo menos nós gostamos de acreditar que sim. Não há melhor que falar do medo para ele meter menos medo.
Uma outra amiga, num outro chat, disse: Tu estás é cheia de culpa por estares a ter uma vida óptima, enquanto freelancer.

Gosto muito das minhas amigas.
São poucas mas muuuuuuito boas!
Amanhã faço análises. Hei-de estar rija e para durar. Se não durmo é natural que esteja cansada, certo? Pronto. É isso.

Obrigada, minha gente!

O meu herói já encontrou a Moleskine!
Leu o blogue, aproveitou que não almoçámos juntos e lá foi ele, super fofinho, atrás de uma agendona gorda para mim.
Obrigada a todos os que deram dicas de onde comprar. GOSTO TANTO DE VOCÊS!

Moleskine A5: extensão cerebral


Se alguém souber onde é que eu posso encontrar a agenda A5 (um dia por página) para 2010 da Moleskine, por favor diga-me. Este ano distraí-me e agora... batatas. Já procurei em imensos sítios e dizem-me sempre que não há.
Sempre escrevi tudo o que tenho de fazer e o que fiz e agora, desprovida de agenda, sinto-me desprovida de cérebro. Ainda por cima sem dormir! Teme-se o pior. Acabo de marcar duas entrevistas em cadernos, tenho milhões de coisas marcadas em folhas e postits... SOCORRRRRRO! Se a virem, por favor, digam-me onde. Sem agenda sou um vegetal.

Zombie

A Madalena continua a acordar de três em três horas para mamar. Tem seis meses e continua nesta vida. Já come sopa mas segue pedindo mama, de três em três horas.
E eu confesso: à noite, quando ela chora, chego a odiá-la. Pego-lhe com brusquidão, nem consigo olhar para ela. Estou tão cansada. Mas tão cansada. Depois, de manhã, estou toda arrependida de não ter tido paciência, de ter sentido aquela raiva por estar a ser, mais uma vez, arrancada ao sono.
O pior é quando acabei de adormecer e estou lá bem fundo. O choro dela, nessa altura, funciona como um estalo na cara. Põe-me louca. E não é só de três em três horas que chora. Pelo meio berra várias vezes, porque lhe caiu a chucha, porque tem dores, porque quer conversa. Chego a ter dificuldade em adormecer, com medo de ser despertada no momento seguinte. AAAAAIIIIII!
Estou a começar a dar o tilt. Eu só queria dormir uma noite inteira.

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Adeus pequeno pónei. Olá eu!

Hoje passei uma hora e meia na depilação. Já me assemelhava a um pequeno pónei e lá estive, deitada na marquesa até me doer o corpinho, sobretudo do frio, uma vez que o ar condicionado estava avariado e eu me encontrava, literalmente, em pêlo. À medida que o tempo foi passando, fui ficando cada vez mais gelada e branca e, a páginas tantas, tive de dizer à querida Márcia para apressar a coisa, que eu estava a ficar perigosamente parecida com um cadáver.
E agora aqui estou, lisinha e fantástica, muito mais nova graças ao aparo nas sobrancelhas, muito mais jeitosa sem penugem alguma.
Odeio depilar-me porque me dói e chateia-me ir, de livre vontade, para um lugar onde me inflingem sofrimento. Mas adoro sentir-me mulher outra vez e não um urso panda.

sábado, 9 de Janeiro de 2010

A gata das botas


Começar o ano em alta é isto.
ADORO as minhas botas novas!

Casar com quem se quer

Ontem a Assembleia da República aprovou algo que há muito devia estar mais do que aprovado. O casamento entre pessoas do mesmo sexo. Felizmente que caminhamos para uma sociedade menos discriminatória, em que cada um é feliz da maneira que quer e bem entende. Os que discordam têm bom remédio: continuam a casar com pessoas de sexo oposto. Boa? É que esta lei não obriga ninguém a casar com alguém do mesmo sexo... podem ficar tranquilos.
Só é pena introduzir-se na lei uma adenda discriminatória, que impede os casais homossexuais de adoptarem crianças. Mas, pronto. Devagar se vai ao longe e eu acredito que caminhamos na direcção certa. Ontem foi um dia muito importante e, se não tivesse gravação do programa de rádio, teria ido à escadaria da Assembleia da República brindar com quem lá estava, feliz, a celebrar.

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Gonçalo

O Gonçalo apareceu.
Entregou-se num posto da polícia, em Espanha. A todos os que divulgaram, obrigada.

Gonçalo: não te conheço de parte nenhuma, não somos amigos, se nos conhecêssemos podíamos até não gostar nadinha um do outro. Mas fiquei muito feliz por teres tomado essa decisão, antes que alguma coisa muito má pudesse acontecer-te. Quando tinha a tua idade, fiz mooooontes de parvoíces. Também saí de casa, só não tive a coragem de ir mais longe do que para uns metros ao lado. Achava que a minha mãe não me entendia, que ninguém me entendia, achava que nao encaixava em lugar nenhum. É uma porra, a adolescência. I've been there!
Mas olha, os senhores que tens em casa gostam de ti muuuuuuiiiiiito mais do que possas imaginar. E deves ter feito uma boa mossa nos seus corações. Patareco. Se quiseres tens aqui uma tia emprestada, que não é tão cota como os teus pais e passou por tudo isso há menos tempo que eles. Se quiseres conversar, desabafar, dizer uns palavrões... força. Não é fácil crescer. Mas, se não te puseres a dar corda aos sapatos por esse mundo fora, se respirares fundo e aguentares o tranco, acredita, tudo será melhor.
O meu email é sonia.morais.santos@gmail.com.
Se te apetecer falar com uma desconhecida, que não vai dar lições de moral, estás à vontade. Se não te apetecer, estás à vontade, também. Faz-me só um favorzinho. Mantém-te em casa, são e salvo. Sim?

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Ajudem



Chama-se Gonçalo Filipe Soares Garcia e tem 16 anos. Saiu de casa, num acto irreflectido de adolescência. Todos sabemos o quão estúpida é esta idade. Mas o Gonçalo pode meter-se em apuros, porque todos sabemos, também, como há por aí pessoas tenebrosas, capazes de se aproveitarem de miúdos perdidos e revoltados com a família, como o Gonçalo. Ele não é um bebé. Mas não se sabe defender. E está sozinho, algures.
Sabe-se que foi direito a Bragança para seguir para Espanha.
Tem mais ou menos 1,65m, deve trazer uma mochila relativamente grande.
Quando saiu de casa o que levava vestido era:
- Um polar azul escuro, umas calças sarga verde tropa com muitos bolsos de lado, umas botas de montanhismo verdes escuras e umas luvas pretas e brancas.

Tem óptimo ar, é super bem educado e precisa que o encontremos, para que regresse a casa, são e salvo.
A família está desesperada.

Se o virem, por favor contactem:
967850995.
Marta_garcia85@hotmail.com
marta.alexandra.garcia@gmail.com

Meninos/ Menina

Uma senhora deixou um comentário, muito simpático, muito carinhoso, a dizer que eu ando a prestar mais atenção à menina, pedia para ter cuidado com os rapazes, porque ela própria tinha irmãos que se ressentiram toda a vida com ela porque os pais a tratavam com uma princesa, negligenciando um pouco os dois miúdos. A senhora acrescentava que os meus últimos posts têm sido só sobre ela, sobre a Madalena. Onde andam os seus rapazes?, perguntava.
Minha querida, obrigada. Tem razão, os rapazes andam arredados do blogue, é preciso ter cuidado, sem dúvida. Mas aqui, deste lado da vida, aqui onde estou e onde sou (e não no blogue, pequeníssima parcela da minha existência), os meus rapazes estão no mesmo lugar que a Madalena. Mesmíssimo. E não minto. Nem escondo uma realidade que eu própria não queira ver. Os meus rapazes são os meus ai-Jesus. Ainda há dias fui com o mais velho ver um filme pouco próprio para o mais novo. Passada uma semana, arranjei um estratagema: fui com o mais novo ver o Alvin e os Esquilos, e o mais velho foi à mesma sala, com o pai. Mas ficaram mais atrás, para que o Martim não visse que o irmão também foi ao cinema, e se sentisse especial por ir, também ele, sozinho com a mãe.
Sei lá. Tantas coisas. Tenho ido buscá-los todos os dias à carrinha, às 17 horas. e lanchamos bolos e sumos e eles contam as coisas da escola. Nas férias fomos com eles à Kidzania, onde ficámos seis horas para que experimentassem tudo e mais alguma coisa. Os meus rapazes são o meu amor... eu sempre quis ter rapazes, pode não acreditar mas é a verdade-verdadinha,
A razão pela qual a Madalena tem aparecido tanto aqui no blogue é porque é um bebé. Uma novidade. Uma gracinha. Não creio que seja por ser menina. É só um bebé. Cheiroso. Com refegos. Coisa boa e irresistível. Quem aguenta um bebé sem ficar apanhadinho? Difícil...
Não se preocupe, a sério... mas agradeço mesmo muito. Ficará aqui um sinal de alerta, para o caso de algum dia sentir que estou a privilegiá-la. Mas parece-me uma impossibilidade. Tenho pavor de preferidos, tenho horror a discriminações, a crianças sentindo-se postas de lado, tenho uma antena que apita sempre que alguém chega e pega logo na bebé: arregalo logo os olhos, apontando para os dois manos.
Gostei muito do seu comentário. Não me ofendeu nada. Obrigada. :)

terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Ah, claro, e os sapatinhos

E mais estas




Esta miúda tem mais roupa que eu.

Vaidades que pequena Mada recebeu no Natal





segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

Janeiro


*
Foi o teu primeiro Natal, Madalena. Cheio de gente, como eu gosto, gente até se tropeçar. Éramos para ser 21 mas acabámos por ser 20. A dona Mariazinha, avó da minha irmã, um amor de senhora, passou com o filho e com os netos, de maneira que ficámos 20 à mesa, grande mesa posta pela Cristina, essa organizadora de mão cheia.
Foi o teu primeiro Natal. Não percebeste nada mas fizeste questão de ficar acordada até às tantas da matina, como, de resto, todos os dias. Comemos, cantámos o sing star (algumas de nós cantámos muito bem, outros de nós cantaram muuuuiiito mal), veio o Pai Natal (valeu a pena o investimento na barba, sim senhor!, muito realista), os miúdos de olhos brilhantes, o Manel à procura do adulto que faltava na sala e a dizer, entredentes, "o primo João!", porque está mesmo a deixar de acreditar no velho das barbas, e os presentes e os brindes e a nossa foto de conjunto, uma imagem de marca que dura há nove anos, sempre todos a rir, felizes. Tantos.
Foi o teu primeiro Natal e gostaste, sobretudo porque os teus manos estavam lá e não imaginas a vida sem eles. E o mais giro é que eles também já não imaginam a vida sem ti.
Gosto tanto do Natal. E agora já é Janeiro, já mudámos de ano, e as iluminações continuam, lá fora, mentirosas, e a festa já passou. Odeio Janeiro, porque é o mês da ressaca. Mas só odeio até dia 21. Aí voltamos a ter motivos para celebrar.
A todos, um 2010 muito, muito feliz. No que me toca, se for tão feliz como em 2009... já fico de papo cheio. 2009 foi um grande ano.

* foto de Gonçalo F. Santos

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Feliz Nataaaaaaaaal

Entre a azáfama das compras, presentes para toda a gente, as lufa-lufas dos cozinhados (ficámos de levar sobremesa de colher) vão passando os dias. Este ano o Natal é em casa da prima Cris, que, por sorte, fica do outro lado da rua, a dez passos da minha. Há nove anos que é assim: ora na nossa casa, ora na dela. Seremos, este ano, 21 à mesa. A tia Marquinhas já não estará connosco, é o primeiro Natal sem ela, mas a Madalena, por outro lado, chegou ao mundo e será a sua estreia.
Os rapazes vão de calçãozinho, todos pipocas, ela vai de vestido de xadrez, muito princesinha.
Cada um de nós tem um amigo secreto a quem comprou presente. É a primeira vez que fazemos isto mas parece-me bem porque somos cada vez mais. Temos sorte, cá em casa, porque nos nove anos de casados, conseguimos sempre juntar a minha família e a família dele, quer na noite de 24, quer no dia 25. Gosto da azáfama, da mesa enorme, de estarmos todos juntos.
A todos os leitores do Cocó, um muito Feliz Natal!

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

:( ????

Sabem quando têm alguma coisa e não conseguem descobrir o que é? Uma angústia, uma coisa que mói, assim uma sensação de que algo não está bem, e é tão lá dentro que ainda não perceberam o que é, de onde vem? E depois, de repente, ah! era isto que me incomodava!
Já sentiram?
Eu estou assim.
Uma neurazita inexplicável, aparentemente infundada, um je ne sais quoi dentro do peito, uma vontade de suspirar a todo o momento, pouca disposição para rir. E, no entanto, não sei o que é.
Isto de ser gaja tem muito que se lhe diga, é o que é.

sábado, 19 de Dezembro de 2009

Madalena, a nómada

E hoje, lá voltámos à estrada. Eu, o fotógrafo Gonçalo Fernandes Santos, a minha irmã (babysitter nas horas vagas e com muitos quilómetros no pêlo, benza-a deus) e a Madalena, que vem agarrada a mim como uma carraça, pela simples razão de que mama de três em três horas e eu sou a sua vaquita particular.
De modos que, às oito da matina estávamos a arrancar de Lisboa rumo aos Algarves, por estradas secundárias, com muitas paragens pelo caminho, e de modos que chegámos a Albufeira às 14.30, hora a que almoçámos e recarregámos baterias. Fomos até Tavira e às 18.30 iniciámos a viagem de regresso. Voltaram a ser mais de 700 quilómetros num só dia, aqui a cocó sempre ao volante, e a Madalena portou-se maravilhosamente. A reportagem não correu como desejávamos. Vamos ter de fazer mais uma maratona, dentro de dias. Mas o Gonçalo tirou as melhores fotografias que a Mada tem. Um portfolio fantástico, mas mesmo fantástico! A prova de que, afinal, não é ela que não é fotogénica. Os fotógrafos aqui de casa é que são muito maus. E o Gonçalo é muito, muito bom! E, uma vez mais, revelou-se um tio muito querido. O mais incrível foi o charme que ela se fartou de lançar para ele... raça do rapaz parece que tem mel! Obrigada Gonças. Não tarda, lá voltamos à estrada.

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

A tia Pipoca


A tia Pipoca diz que não gosta de crianças.
A tia Pipoca embirra com as criancices das crianças e eu, na verdade, até a percebo.
A tia Pipoca às vezes fica estática a olhar para os miúdos, entre o pavor, o nojo e a vontade de os estrangular. Os meus filhos, que adoram visitas e não sabem que ela tem esta característica, sempre que a vêem ficam completamente parvos, aos saltinhos e a dizer coisas tontas, num completo overacting, justamente aquilo que ela não suporta.
Mas a tia Pipoca não se cansa de dar presentes à pequena Mada. Da primeira vez foi uma saca cheia. Ontem, no jantar de Natal da Time Out, estendeu um embrulho e avisou: "É um vestido bem pirosão, mesmo à tia Pipoca!" E era este vestido tão fofinhoooooooo. Mada já experimentou e fica de se comer. Na passagem de ano, pequena Madalena já tem traje de gala.

Obrigada tia Pips! Mas não prometo que consiga não ser parvinha mal comece a falar. Tá?


Nota: Na imagem não dá para ver, mas o vestido é em tafetá e tem uma saia de tule por baixo, que aparece um bocadinho... que amooooor!

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Prazo estendido

Ainda têm até amanhã para enviar os textos sobre o Natal, crianças!
Não são cartas ao Pai Natal, com pedidos, porque a malta na rádio não pode fazer publicidade. Mas sim textos sobre a magia do Natal, a árvore, os enfeites, o bacalhau, o peru, as rabanadas, os presentes, a família, etc, etc.
Se têm por aí criançada que goste de escrever, força! Já temos várias cartas e os miúdos vão lê-las na rádio. Há por aí mais algum criativo?
Os textos têm de chegar até amanhã. sonia.morais.santos@gmail.com

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

De chorar a rir

Já alguma vez viram a série "O que se passou foi isto?" Não??? Então é ver isto e perceber o que se tem andado a perder. Per-fei-to!

domingo, 13 de Dezembro de 2009

Vem viver a vida amor

Grande Cid!!!
Ontem fui ao Campo Pequeno, com os meus amigos Sónia e Nuno, e com a minha irmã (a substituir o meu homem, coitadinho, que ficou doente e não conseguiu ir) ver o José Cid! Grande concerto, sala cheia, tudo a cantar.
Vem, viver a vida, amor
Que o tempo que passou
não volta mais
Sonhos que o tempo apagou
mas para nós ficou
esta canção!
E o Aufiderzin Googdbye, e como o macaco gosta de banana, e a cabana junto à praia, e as favas com chouriço, e cai neve em Nova Iorque, e tudo e tudo e tudo.
E salta Cid e salta Cid olé, olé!

Foram convidados o fadista João Ferreira Rosa, Herman José, Rui Pragal da Cunha.
E salta Cid e salta Cid olé, olé!

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Virgem?

Está na televisão uma senhora que é virgem, com muito orgulho.
Eu cá respeito, como respeito todas as opções.
Mas mete-me... pena, pronto.
A rapariga tem 27 anos e diz que está intacta porque tem medo, porque não está preparada, porque ainda não chegou o momento.
A vida está a passar e a moça nunca cambalhotou, nunca sentiu aquele frémito percorrer-lhe a espinha...
Ele há coisas...
Oh, c'um caraças.

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Cartas ao Pai Natal

O Portugal dos Pequeninos, programa da Antena 1 de que sou autora, e que conta com a preciosa produção de Joana Jorge, está a pedir às crianças que já saibam escrever para nos enviarem cartas sobre o Natal. As melhores ganham um presentinho e serão lidas na rádio pelas próprias crianças.
Quem tem filhos por aí, quer participar? Os textos sobre o Natal têm de chegar até segunda-feira, dia 14.
Podem enviar para: portugal.pequeninos@rtp.pt
Ou para: sonia.morais.santos@gmail.com

Inspirem-se, crianças!

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Moradia

Alguém conhece alguém que conheça alguém que saiba de uma moradia que se possa arrendar por um fim-de-semana, para uma festa? Hum? Anyone?

Em Lisboa ou Cascais.

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

:)

Ontem, já o assunto estava arrumado na minha cabeça, tornaram a insistir: Anda lá, vá lá, temos uma fezada em ti.
E eu, pronto, não resisti.
É verdade que estava chateada por não ter ido, ao menos, ver como era um casting.
É verdade que estava um nadinha desiludida porque digo sempre aos sete ventos que prefiro arrepender-me do que faço do que do que não faço.
É verdade que fiquei contente quando a insistência, em forma de mail, chegou, inesperada.
De modo que lá vou eu, fazer figuras tristes frente a uma câmara de televisão.
Com as maminhas aleitadeiras, e com a tendência que a televisão tem para aumentar tudo, o mais certo é que entre directamente para a história dos castings como a nova Vaquinha Cornélia. Ou então a nova Vaca Reré.
Aconteça o que acontecer, fui.
A ver vamos.
:)

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

:(

Estou chateada.
Convidaram-me para um casting, para um programa de televisão e eu acobardei-me.
Não vou.
A televisão assusta-me. A imagem. O confronto com a minha imagem, ali, em frente. E depois a televisão engorda e eu não preciso de quilos a mais, preciso é de quilos a menos.
Estou chateada.
Não gosto de não ir. De não fazer. De não experimentar.
Mas acobardei-me.
Normalmente sou valente. Mas desta vez... fraquejei.
Olha que canário!
Pronto.
E ainda por cima chove e as núvens estão pretas, raios as partam.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Angelina

Estou a trabalhar na sala e a televisão está acesa. Tenho auscultadores nos ouvidos e os Goldfrapp embalam-me as palavras. Nem olho para o écrã. Quer dizer, não olhava. Até começar um filme com a Angelina Jolie e o Brad Pitt. E a porra, agora, é que dou por mim boquiaberta a olhar para aquela mulher linda. Nem sequer é para ele, que também é um belo pedaço de mau caminho. É mesmo para ela. Eu não sou lésbica mas, honestamente, esta senhora era bem capaz de me fazer mudar de ideias. Não admira que a Jennifer Aniston tenha ido à vida, depois deste filme. Um homem não é de ferro.

Em busca da vocação

Martim:
- Eu quero ser macaco!
Manel:
- Ó Martim, isso não é uma profissão!

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Comer, comer, comer

A porcaria da dieta não está a resultar.
Eu tenho fome.
Fome de porcarias.
Batatas fritas.
Fritos daqueles de pacote.
Chocolates.
Frango assado e bifes e pão com manteiga.
Pastéis de Belém.
Fatias douradas.
Sushi (mas com os fritos incluídos).
Hamburgueres do Mcdonalds.

Eu sou uma fraca.
Uma obesa em potência.
A mãe matrona que nenhum gajo cobiça.
Eu não tenho força de vontade.

AAAAAAAIIIIIIII! PORQUE É QUE EU NÃO SOU DAQUELAS PESSOAS INSUPORTÁVEIS QUE PODEM DEVORAR A DESPENSA QUE NÃO ENGORDAM? PORQUÊ???

Chuinf.


P.S: Uma nota de grande apreço para a apresentadora Fátima Lopes que há não muito tempo apareceu numa revista a dizer que não emagreceu por obra e graça do Espírito Santo, mas sim porque se esforçou para caraças e fechou a boca e fez tratamentos e ginástica e o diabo a sete. Odeio as senhoras que dizem: eu? não sei... emagreci 15 quilos de repente, não sei como foi, eu até comi 52 caixas de bombons nas últimas duas semans...
Uma querida, a Fatinha... pena que eu não lhe bote os olhos em cima. Pena.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Hoje

Hoje era o dia em que acabava a minha licença de maternidade.
Hoje era o dia em que voltava ao trabalho, à Time Out, para o meu posto de editora executiva.
Hoje devia estar com o estômago embrulhado, pelo regresso à rotina fora de casa, a oito, dez, doze horas longe de casa e dos meus filhos.
Hoje estaria com má cara, com maus fígados, com muita vontade de chorar por me afastar o dia inteiro da minha Madalena, tão bebé.

Mas...
Há dois meses fui conversar com os meus chefes e expliquei que queria mudar de vida. Que queria ser freelancer. Poder gerir o meu tempo, poder acumular trabalhos para vários sítios, poder ficar na minha casa a escrever, sair para fazer entrevistas e reportagens e depois regressar a casa.
O telefonema que ajudou a mudar a minha vida aconteceu há dois meses e tal, e foi quando o director de programas da Antena 1, Rui Pêgo, me ligou a dizer que um dos cinco programas de rádio que lhe propus ia mesmo para a frente. Foi esse telefonema que me ajudou a tomar a decisão de ser freelancer. A melhor decisão da minha vida.

Isto ainda pode tudo correr mal mas, até ver, está a correr maravilhosamente. Tenho encomendas de trabalho até mais não, proponho muita coisa e tenho tido bom feedback, e estou na minha casinha. Sempre que a Madalena está mais chata, a minha mãe vem buscá-la ou eu levo-a lá, que ela mora mesmo no prédio em frente. Tenho podido ir todas as semanas almoçar com os meus rapazes, uma semana um, outra semana outro, para lhes dar espaço enquanto indivíduos. Tenho-os ido buscar às 18.00 ou 18.30, e depois dedico-lhes tempo, coisa que há muito não acontecia.

Estar fechada tantas horas num sítio começava a ser-me difícil, doloroso. Sempre fui bicho com pouco pousio nas redacções, a minha matéria-prima está na rua, não dentro de uma assoalhada com jornalistas, telefones e computadores. Falta-me o ar.

Gosto muito da Time Out, vou continuar a ser colaboradora e a assinar a revista, deixei lá algumas pessoas de quem gosto muito. Mas, até ver (reparem que sou cautelosa e deixo sempre aberta a possibilidade de tudo correr mal) foi a melhor decisão da minha vida.

Anabela, minha querida: tinhas tanta, tanta razão. Obrigada pela insistência. Obrigada por não teres desistido de me convencer.

É tão raro dizer-se isto que até faz confusão. E dá medo (parece que quando estamos bem e o dizemos aos sete ventos, vem um raio e leva-nos tudo). Mas eu estou muito, mas mesmo muito feliz.

Adoro

O novo anúncio do Lidl. São famílias que levam a mesa de Natal até ao trabalho daqueles que não podem ter um Natal como gostariam: Hospitais, bombeiros, portageiros, condutor do metro... É lindo, lindo. Se eu estivesse grávida, chorava.

O próximo está lixado

Este fim-de-semana, num casamento, acabadinha a família de se sentar à mesa:
- Então à terceira foi de vez! Tanto tentou que lá veio a menina!

Oh, senhores! Não se importam de pôr a mioleira a pensar, por uns minutos? Depois desligam outra vez, para não se gastar... Não se importam que pensar que os meus dois filhos não são surdos? O que é que eles hão-de sentir quando ouvem estas palhaçadas? Que foram ensaios? Experimentações? Tentativas? E que, agora sim, estamos felizes, com a chegada da menina?

A sério, estou a encher, a encher, a encher. Fiz o meu sorriso amarelo-senhora-do-Ferrero-Rocher mas estive quase a dar um grito. Acho que o próximo que me disser isto está mesmo lixado. AAARGH!

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

A diversidade do mundo

Na sexta-feira entrevistei um moço tão vegano, tão vegano, que não se senta à mesma mesa com pessoas que "comem cadáveres". Eu, distraída, pedi um iogurte, e ele olhou-me com reprovação, explicando depois que as pobres vacas são engravidadas só para produzirem leite, que os seus filhos são-lhes retirados para fazerem vitela, e que depois lhes estimulam a produção de leite até ao infinito, com todos os sofrimentos e mal-estar inerentes. Eu, ignorante, fiquei com o iogurte na garganta, preso, o sacana não descia nem à força.
Isto foi na sexta.
No sábado fui a um casamento em que, a certa altura, apagaram as luzes, puseram uma música triunfal e entrou um porco numa liteira carregada por dois homens, e o bicho tinha cravadas umas tochas a arder, e no final houve pessoas a aplaudir e a fazer "Yeah!"

É fabulosa a diversidade. Fabulosa.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Se há coisa que me põe doente...

... é ver algumas pessoas na televisão a dizer algumas coisas com ar de cátedra... e depois a gente conhece-as bem e sabe que as suas vidas são o contrário daquilo que sugerem. É o façam o que eu digo mas não o que eu faço, elevado à enésima potência. Faz-me muita espécie. Muita espécie mesmo.

Já passaram três meses...

... e o Tim continua a chorar sempre que vai para o colégio. Já tivemos não sei quantas reuniões com a coordenadora, duas com a educadora, e todas dizem que o Martim está felicíssimo na escola, que só chora na despedida, que gosta de nos arrasar os nervos porque assim que viramos costas pula e salta e ri alarvemente.
O que eu sei é que isto dá cabo de nós. O que eu não sei é quanto tempo é que eu devo considerar normal este choro desesperante. Mudo-o de escola? E se faz o mesmo? Mudo-o de professora? Ele diz que não quer!
Temos feito de tudo: vou buscá-los à escola uma vez por semana, vou almoçar uma semana com um, outra semana com o outro, para que tenham o seu momento enquanto indivíduos e não apenas membros de um rebanho louco. Aturo birras, ofereço Gormitis, dragões, brinco, deito-me ao seu lado à noite, encharco-o de beijinhos, enalteço-o, tão crescido que estás, tanto que me ajudas, que bom que já não és bebé, os bebés só choram e dormem, e tu, tão lindo, tão grande, tanta companhia que me fazes. E no fim... parece que nada do que fazemos chega. Nada do que façamos parece compensar a dor que ele sente.
Cheira-me que este miúdo vai dar-me muito que fazer.
Se ele soubesse o quanto gosto dele, se ele soubesse que nem mais 150 irmãos podiam beliscar o quanto gosto dele... mas não sabe. E eu continuo a esforçar-me, todos os dias, para lho mostrar.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Correcção ao post anterior

Olha que coisa parva... Abri a agenda no dia errado. Afinal não faz nada hoje 4 anos que estreou a peça. Faz no dia 25. Pronto. Dia 25 volto a recordar-me daquele dia, há 4 anos. É o que dá fazer 350 coisas ao mesmo tempo.

À Espera


Faz hoje 4 anos que tive um dos meus melhores momentos profissionais sem, no entanto, estar a trabalhar. Faz hoje 4 anos que estreou uma peça de teatro feita com base numa reportagem minha e a experiência foi extraordinária. Ouvir e ver actores representar as minhas palavras foi absolutamente mágico, sobretudo porque nunca me tinha passado pela cabeça tal ideia.
A Peça À Espera teve encenação de Bruno Baptista e proporcionou-me mais prazer que qualquer prémio de jornalismo que já ganhei. Foi mágico.
Obrigada ao Bruno Baptista e às Ideias do Levante, que até me chamaram ao palco e deram flores e fizeram com que me sentisse uma estrela naquela noite chuvosa. Faz hoje 4 anos. Onde é que vocês andam?

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Bem-vindas

Queridas Rita e Joana:
A vossa mãe espera-vos há sete anos.
Não foram nove meses. Foram sete anos.
A vossa mãe acreditou, deixou de acreditar, ganhou coragem e forças e perdeu-as e reencontrou-as e desanimou, e das últimas vezes que a vi estava tão triste que temi que baixasse os braços e se deixasse vencer pela amargura. Das últimas vezes que a vi parecia-me baça, magoada, murcha por dentro e por fora. Como uma flor fora de tempo.
Eu, não sei porquê, acreditei sempre. Não achava possível tamanha injustiça. A vossa mãe nasceu para ser mãe. Uma coisa que lhe vinha das entranhas. Era demasiado cruel que lhe tivesse vedada a vocação. Ainda que, todos saibamos, essa crueldade exista para com muitas outras mulheres igualmente mães por natureza, sem que a natureza corresponda.
A verdade é que vocês nasceram. Ontem. Dia maravilhoso e tão esperado. A verdade é que estão pousadas no colo da vossa mãe, que há sete anos vos esperava. Façam-me o favor de serem felizes, de encherem a vossa mãe e o vosso pai de mimos, de lhes darem todas as alegrias que conseguirem. Não é preciso muito, acreditem. Eles serão felizes só por vos verem existir.
Bem-vindas, Rita e Joana. Aqui a tia Cocó já gosta muito de vocês.
Parabéns, minha querida Elsa. O meu coração transborda de contentamento.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Piada javardolas

A Madalena chorou um bocado ontem à noite, depois de mamar.
Eu acho que foi do Body Combat. Com tantos saltos e pulos eu deixei de ter leite... e passei a fornecer batido! Acho que ela não gostou.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Body combat

Acabámos de vir, eu e o meu homem, de uma aula de Body Combat. Espectáculo! Murros em trombas imaginárias, pontapés em baixos ventres fantasma, socos violentos em focinheiras irreais. Imaginei uma ou outra cara conhecida e deu-me cá um gozo... Pumbas! Já comeste! Tufas! Já apanhaste!
É pá, sinto cá um alívio... ufa!
Amanhã não me mexo mas hoje acertei umas quantas contas. E espero ter perdido umas quantas calorias. Quarta-feira, se as minhas perninhas permitirem que me erga da cama lá estarei outra vez a dar valentes cargas de pancada no ar.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Tantos!

Tenho cá em casa três amigos do Manel, que ficaram para dormir depois da festa. Eram para ser cinco mas a gripe A reduziu o grupo a três. Ainda assim, somos muitos: O Manel, o Martim, a Madalena, o Vasco, o Sebastião e o Pedro. Tomaram banho, jantaram, brincaram, lavaram os dentinhos e agora vão todos para a cama. Está a ser o máximo. Uma casa cheia, divertida e barulhenta. Como eu gosto. Não há nada a fazer. O que eu gostava era de ter uma família Von Trapp.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

8

O Manel faz hoje 8 anos e eu não consigo acreditar que o meu bebé já está tão grande. Tão comprido e com pêlos nas pernas e uma voz grossa, como se fosse um homenzinho. Tão responsável e amigo, tão preocupado com os outros e em não magoar ninguém. O meu filho mais velho é mesmo boa pessoa, um doce. Uma das últimas dele, que não esqueço, foi quando, no outro dia, estava a dar miminhos à irmã e levou um murro nas costas do irmão Martim. Ele parou, olhou para mim, olhou para o irmão, abraçou-o e disse: "Anda cá, meu pequenote".
Ou seja, o meu rapazinho de 8 anos sabe que os ciúmes podem-nos fazer coisas que não queremos, e o melhor remédio é um abraço e um carinho. O meu menino é de ouro, e não sou só eu que digo.
Caramba. Já foi há 8 anos que comecei o melhor projecto da minha vida. O mais grandioso. E, Manel, podes sentir-te orgulhoso: foi por seres assim, um lindo, que nos apaixonámos tanto por esta coisa de ter filhos. É por seres assim, tão especial, que já vamos no terceiro.
Parabéns, meu bebé grande. Um dia muito feliz e uma vida mais feliz ainda.

* Ai que post tão babaca, mas pronto. Sou uma galinha.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Xinamén!!!




Os meus sapatinhos chegaram!!!!!
Já não acreditava. Achava que o meu homem tinha sido endrominado, sobretudo quando recebeu um email que pedia muitas desculpas pelo atraso no envio e sugeria que ele escolhesse outro par, para ser compensado pela demora. Não acreditei nada mas escolhi um par, de entre quatro que enviaram à escolha. Pensei: "Coitadinho... foste tão roubado..."
E não é que hoje chegou uma encomenda com duas caixas lindas e dois pares de sapatos??? Um grátis, pelo atraso?! Sou uma mulher de sorte. Oh lá se sou!
E a Lujuria Shoes, de Maria Arellano, portou-se muitíssimo bem. É assim que se trabalha, senhores! Vou ficar cliente fiel.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Dieta

A partir de hoje, senhoras e senhores, a minha boca vai fechar-se.
Tinha emagrecido 14 quilos, dez da gravidez e mais quatro. Mas fins-de-semana com amigos que gostam da boa mesa, mais jantares com esses mesmos amigos, e ai que belo vinho, e ai que belo pimento padron, e ai que belo queijinho, e prova também este presunto... e pronto. Comecei a recuperar o que tinha perdido.
Agora, chega!
A partir de hoje: muita água, corridas, e ao jantar nada mais do que uma sopinha.
Quero ser uma mãe de três giraça e não uma matrona. E vocês, amigos, vejam se me ajudam: jantares e afins só se for para comer brócolos.
Muito e muito obrigada.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Porque...

... há pessoas a quem a vida prega partidas.
Porque há crianças que nascem com muitas dificuldades.
Porque há quem precise da nossa ajuda e se todos dermos pouco podemos fazer muita diferença.
Por tudo isto e por muito mais, se puderem comprem uma rifa e habilitem-se a ganhar um cabaz de Natal. E assim podem ajudar um ratinho com lisencefalia.
http://cerebro-liso-lisencefalia.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Adenda ao post anterior

O sonho foi com o meu homem e não com nenhum dos meus filhos. Era ele que quinava.

Sonho

Hoje sonhei que morrias.
Sonhei com mãozinhas pequeninas agarradas à minha, num sítio inominável de despedida.
Sonhei que te via desaparecer e que não aguentava.
Sonhei que eles me perguntavam por ti e que eu tinha de falar sobre o céu e as estrelas e outras coisas em que não acredito, com a cara serena e feliz, como se acreditasse.
Hoje sonhei que chorava e acordei aos soluços.
E agora, acordada, continuo devastada como se te tivesse perdido, ficou-se-me agarrada à pele a ideia impossível de te perder.

...
Há sonhos que nos amachucam por dentro e hoje estou uma bola amarrotada de papel. Dizem que sonhar com a morte é sinal de vida, não é? É bom que seja. É que se tu morres vais ter de te ver comigo.
Caramba! Gosto mais de ti do que devia.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Parabéns, eu!

Trinta e ... deixem lá isso, pronto, trinta e poucochinho, vá, praticamente vinte.
Já recebi taaaaaaantos presentes!!! Mas o melhor de todos é receber aqueles parabéns quentinhos dos meus três homens, todos aos beijinhos, logo pela manhã.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Estreia hoje


O Portugal dos Pequeninos. O novo programa da Antena 1, onde entrevisto crianças e as ponho a pensar e a falar sobre temas tão variados como: política, religião, escola, família, amor, sexualidade, racismo. A produção é da dedicadíssima e super competente Joana Jorge.
Todos os dias, às 17.55.

*Aos pais a quem ainda não respondi, as minhas desculpas. Responderei em breve. Aos que estão em trânsito, em vias de encontrarmos um dia e uma hora, uma palavra de esperança: havemos de conseguir conciliar agendas! Aos outros, cujas crianças já entrevistei, muito e muito obrigada.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Contra a exclusão


O Martim tem uns dragões com que gosta muito de brincar. No outro dia partiu uma asa a um, sem querer. Veio, de beiço estendido, mostrar o bicho manco de asa. E eu, apostando sempre numa educação inclusiva, enalteci o dragão desasado, disse que era lindo, só com uma asa, diferente dos outros e especial, por isso mesmo.
Não resultou. O Martim, sempre que brinca com os dragões, põe de lado o dragão deficiente. E isso é triste. E eu vou combater a exclusão aqui em casa de todas as formas possíveis. Porque hoje é um dragão de plástico e amanhã pode ser uma pessoa de carne e osso. Macacos me mordam (ou dragões, vá) se eu não faço destes dois rapazes dois bons homens, e dela uma mulher como deve de ser!

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Amor é...


... Ele pegar nos restos do jantar, desencantar um almoço à pressa e, ainda assim, deixar-me um miminho desenhado com ketchup.

Arroz tecnológico


Não é arroz doce. Não é arroz árabe. Não é arroz de manteiga. É arroz de telemóvel. Ele lá está, submerso, em coma. A ver se acorda para a vida, depois desta imersão.
Obrigada pela dica do arroz. Ah, e uma nota aos meus amigos: mandem-me por email os vossos números de telefone. É que eu já recuperei o cartão - funciona. Mas os contactos estavam mesmo na memória do telemóvel. E esses não sei se alguma vez recuperarei.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Sarjeta

Eu não queria acreditar. Fiquei a olhar para o chão e só balbuciava "ah... ah... oh... oh... ah...". Ainda agora, quando penso nisso, tenho dificuldade em acreditar.
Hoje tinha duas entrevistas, uma na Lapa e a outra em Alcântara. Como os meus sogros vivem na Lapa, fui lá deixar a Madalena. O plano era ir dar de mamar, entre uma entrevista e outra, e assim foi. Só não esperava a peripécia que me aconteceu assim que estacionei o carro. Tinha a mala no chão do carro, ao lado do lugar do condutor. Abri a porta para tirar a Madalena e a mala quando o meu telemóvel escorregou da mala para fora e foi aterrar, directamente, dentro de uma sarjeta que estava debaixo do meu carro. Fez Ploc e desapareceu numa água preta muito nojenta.Fiquei de boca muito aberta, olhos esbugalhados. Queria fazer rewind, queria apanhá-lo, não queria acreditar. "Ah... ah... oh... oh..."
Cheguei à minha sogra desvairada. O telemóvel não é meu (é da empresa) e, além disso, tinha lá dentro muitos contactos que não tenho em mais lado nenhum (e fotografias e mensagens... aiiiiii). A minha sogra ligou ao meu sogro, que veio com um homem das obras levantar a grade e, com o braço forrado com um saco de plástico, removeu (depois de retirar muitas porcarias) o meu telemóvel, em estado crítico. Creio que, se não morreu, está em coma.
Secámo-lo com um secador, embrulhámo-lo numa toalha, fizemos uma pequena oração. E ainda não o liguei porque prefiro prolongar mais um pouco a confirmação de que o pobre coitado faleceu e levou com ele, para o outro mundo, muitos contactos importantes.
Enfim. Ele há coisas que, realmente, só a mim. E ainda não chegámos a quinta-feira.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Até ver...

... o Martim ainda não começou a sua ladaínha de domingo à noite. Ainda não começou a chorar que não quer ir para a escola. Ainda não esperneou, numa angústia que me tem adoecido, durante semanas. Até ver ainda não me deu a mão e não pediu para não ir à escola, como quem pede para não ir para o matadouro.
O Martim está na mesma escola há três anos mas desta vez a mudança de professora deu cabo dele. Ele diz que ela grita. Ela garante que nunca teve de se zangar com ele, mesmo quando lhe expliquei que era importante que, por vezes, se zangasse, porque sei que as regras e a firmeza fazem parte de qualquer educação que se preze.
Claro que a escola pode ser a face visível de um problema maior, com a irmã. Claro que tudo isto pode ser uma difícil adaptação à pequenota. Ou então não.
O que sei é que nos últimos dias tem sido a minhaa mãe a levá-los, porque ele diz que com ela não chora, porque o que mais lhe custa é o abraço de separação da mãe e do pai.
Até ver ainda não começou o martírio do Martim.
Pode ser que tenha acabado.
Era tão bom.