Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Um médico na trouxa da cegonha
Eu até podia ter tido a ideia e não ter encontrado uma rádio que achasse graça e quisesse avançar com o programa.
Eu até podia ter feito o programa na Antena 1 (onde fiz), ele até se podia chamar A Viagem da Cegonha (como chamou), mas podia não ter sido a Ana Rodrigues a grávida que acompanhei. Ou podia ela ter escolhido outro obstetra.
Eu até podia não ter engravidado três meses depois de ter começado a fazer o programa.
Eu até podia ter engravidado e continuado com o meu obstetra de sempre, não fora ele ter-me desiludido cinco vezes em pouco tempo.
Eu podia ter procurado outro médico mas, depois das entrevistas que fiz ao médico da Ana, para o programa de rádio, senti-me próxima o suficiente para lhe ligar com dúvidas e sustos. E ele, claro, solícito e impecável como é, disse que me via, aconselhou-me, ligou no dia seguinte a perguntar como estava.
Se não tivesse valido a pena por mais nada (e valeu, valeu muito a pena por tudo e mais alguma coisa), o programa A Viagem da Cegonha teria valido a pena pelo Dr. Fernando Cirurgião, médico como já não existe outro, trazido na trouxa da cegonha juntamente com uma amiga nova, uma "sobrinha" linda e até uma filha feita por embalo de um programa sobre gravidez.
Que médico é este? Passo a explicar:
Ele seria capaz de acalmar a mais neurótica das neuróticas em crise. Fala devagar, baixo sem ser em surdina, e porém com firmeza. Ele dá segurança e a gente tem a certeza que sabe exactamente do que fala.
Ele parece não ter mais nenhuma consulta depois da nossa e quando nos recebe parece que fomos os primeiros a chegar. E no entanto, não é impossível ser recebido às três da madrugada, tendo as consultas começado logo às nove da manhã. Às vezes, sai do consultório para um parto, volta, segue para um banco no hospital, e continua com um duche de intervalo, como se não precisasse de dormir. E sempre com a mesma serenidade e um sorriso para cada mulher que chega.
Ele sabe ouvir e percebe. Explica o que pode acontecer sem nunca nos alarmar ou sem se deixar cair em alarmismos. Ele defende o parto natural e, no meu caso, foi o único a dizer que sendo difícil não era impossível tentar. E quando me encontrou no bloco operatório, antes da cesariana que teve de ser feita, olhou-me com uma pena sentida. Eu sei que ele estava genuinamente triste por mim, naquele momento.
Ele preocupa-se, ele telefona a saber como estamos, ele está sempre disponível.
As enfermeiras da Cuf disseram que ele era "tão querido", o pediatra dos meus filhos sublinhou que eu estava "em muito boas mãos" quando lhe disse que tinha mudado de obstetra, e basta fazer uma pesquisa no Google para ver como há bandos de mulheres gratas para todo o sempre.
A Viagem da Cegonha podia não ter valido a pena por mais nada. Porque ter encontrado um médico assim já seria recompensa mais que suficiente. Obrigada, Dr. Fernando. Do fundo do coração.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
O parto
Saímos do consultório com a sensação de que ele sabia que alguma coisa ia acontecer. Eu, por outro lado, sabia o que ia acontecer mal chegasse a casa: ia calçar os ténis e andar até cair para o lado. Estava obstinada, é verdade. E quem me conhece sabe que quando obstino... fica difícil fazer-me mudar de ideias.
Assim, saí de casa e andei. Andei, andei, andei. Mais: ao longo do percurso, fui subindo e descendo uns murinhos baixos, subindo e descendo, subindo e descendo. Mais: subi e desci a escadaria do Pavilhão Atlântico 20 vezes. São 27 degraus.
O meu passeio durou duas horas. Agradeci a chuva que me refrescou à chegada a casa. Sentei-me com o meu homem e os meus dois rapazes à mesa e almocei bacalhau com natas. Não comi quase nada, não tinha fome. Na última garfada tive a primeira contracção. Cinco minutos depois outra. Cinco minutos depois mais uma. Deitei-me. Não porque me sentisse melhor deitada mas porque queria ficar quieta a olhar para o relógio na mesa de cabeceira. Não havia dúvida. De cinco em cinco minutos, com uma pontualidade britânica, o meu útero apertava e eu respirava superficialmente, para controlar a dor.
Passou uma hora e decidi ligar para o médico. Ainda hesitei porque as dores não me pareciam tão intensas como outras que senti durante a gravidez e como as que senti no dia do parto do Manel. Eram fortes mas passavam depressa. E mesmo quando estavam no auge eu estava porreira... e feliz. De qualquer modo, resolvi ligar e ele mandou-me para a Cuf. "Soninha, ligue-me assim que for chamada".
A partir daí, entrámos em modo apatetado. Os dois miúdos de repente recambiados para a avó (que mora em frente e acenou da janela), mais uma contracção, as malas vão ou não vão?, Não vão, deixa lá, se for preciso depois vens buscá-las, e outra contracção, o livro de grávida, as últimas análises, e mais uma contracção. Sou franca. Cada aperto do útero era uma alegria. De tal modo que o pai Ricardo nunca acreditou que tivesse chegado o momento. "Não te vejo assim muito aflita... Será que são contracções para valer?" Eram. Mas cada uma era uma esperança renovada de que a Madalena talvez ainda nascesse de parto natural.
A caminho da Cuf (a 1 minuto de carro da nossa casa) disse ao Ricardo: "Então? Não pões os piscas e buzinas? Era o nosso sonho! Agora podemos!" E ele riu-se e buzinou e rimo-nos com o disparatado da cena.
Entrei para as urgências, subi imediatamente para o 2º piso, fui vista por um médico que me fez o toque: "colo mole mas fechado". E foi então que começou a saga: "O quê? Já fez duas cesarianas? Ah, então esta também é, claro!" Expliquei que sabia que era o que tinha de mais certo. Mas que talvez não tivesse de ser, que o meu médico tinha dado o benefício da dúvida à natureza. "Acho que você anda a ler coisas a mais! Isso são americanices!" Tive vontade de lhe dizer que talvez ele é que andasse a ler coisas a menos, mas achei mais prudente calar-me, até porque as contracções estavam cada vez mais fortes. Veio outro médico e novamente a mesma conversa: "O quê? Depois de duas cesarianas só pode ser cesariana!" Ao que eu retorqui: "Se o colo estivesse aberto e a miúda estivesse mesmo a nascer, o que é que fazia? Empurrava-a para dentro só para me poder abrir a barriga?" O médico perguntou se eu sabia o risco que corria, que o útero podia rebentar. Passei-me: "O risco é de 0,5%, e se quiser assino um termo de responsabilidade". Ao mesmo tempo, ia arfando. E fui internada.
O Ricardo foi buscar as malas e sempre que olhava para ele via como estava perdido. Parecia uma barata tonta, ele que é sempre o meu porto seguro. Eu, pelo contrário, tinha o meu momento de euforia. Continuei a acreditar que o colo ia abrir num instante e que quando o Dr. Fernando chegasse a Madalena ia nascer pela porta e não pela janela, como os manos. Vieram as enfermeiras, meteram-me o soro, ligaram-me ao CTG, chegou o Ricardo e, nisto, ele passou-me o telemóvel com uma mensagem. Era o meu querido Fernando Cirurgião, a dizer que com o colo fechado e contracções de 5 em 5 minutos, o mais prudente seria mesmo optar pela cesariana, pelo risco de ruptura na zona das anteriores cicatrizes. Foi um balde de água fria. De repente, as contracções passaram a doer. Não as queria. Se não era para um parto natural, de que me serviam? Tive tanta vontade de chorar. Tinha lutado tanto. Andado tanto. Tinha comigo o único médico que parecia acreditar que era possível e que fez de tudo para me concretizar esse sonho. E afinal...
A equipa estava um pouco histérica. Todos a ligar para o Dr. Fernando, que era urgente, que ele tinha de vir a voar, que nem iam esperar o tempo necessário entre o meu almoço e a anestesia, que o útero ia rebentar, ai de certeza que ia. Anestesiaram-me às 19h. Ele chegou pouco depois ao bloco, olhou para mim com um sorriso triste e disse: "Soninha..." Tive de ser muito forte para não chorar. Consegui. Muito à custa de forçar o cérebro a pensar: "Vais ter a tua filha, vais ter a tua Madalena, não interessa por onde sai, o que importa é que corra tudo bem e que daqui a nada a tenhas nos braços, vá, calma, não estejas assim, triste neste momento, onde é que já se viu, hein? Vá, tanta gente que não pode ter filhos, isso sim são problemas, paciência se não nasce de parto natural... o que importa é que está a chegar a tua filha".
Entretanto, perguntei pelo Ricardo e ele apareceu, todo vestido de verde, com uma máscara. Sorri e esqueci o resto. Paciência. A minha filha, a nossa filha vinha aí. Que se lixasse o como. Importante é que vinha. A Madalena.
Às 19.39, o anestesista baixou o pano verde, inclinou-me a cabeça e olhámos para a nossa menina, enroscada e roxa, a sair da minha barriga. Depois, os nossos olhos cruzaram-se, o tempo parou, e a felicidade foi outra vez tão grande, tão avassaladora, tão perfeita. A Madalena tinha nascido. A Madalena era linda.
Só saí do bloco perto das 21.00. Tinha entrado às 19.00. Tudo porque o Dr. Fernando esteve a costurar laboriosamente o meu útero. Explicou-me depois que fez uma bainha, uma prega, que puxou daqui e esticou dali, tudo para reforçar a casa onde já viveram três para - quem sabe - ainda viver mais um. Tinha-lhe explicado, numa das consultas, que não estava nos nossos planos ter quatro filhos. Mas... e se nos saísse o Euromilhões? E se, de repente, começassem a pagar as minhas reportagens a peso de ouro? E se o Ricardo começasse a ganhar como o Ronaldo? Aí gostávamos de repetir a proeza. O querido obstetra percebeu. Percebeu e costurou, costurou, costurou. Por vontade do outro cirurgião, que o assistiu, tinham-me laqueado as trompas. Lamento. Só a ideia dá-me arrepios. É-me insuportável. É como deceparem um bocado de mim. Não. E assim fiquei, duas horas no bloco, a ser costurada. O anestesista só brincava: "Ó Dr, assine lá esse bordado inglês que isso ainda vai valer dinheiro!"
Depois, fui para o recobro e trouxeram a minha menina.Ficámos a olhar uma para a outra, num namoro quente de quem já se conhece e se ama mas só agora se vê, se olha, se cheira. Esses momentos não deviam nunca sair da nossa lembrança. O meu parto pode não ter sido natural. Mas o amor pela Madalena nasceu natural, animal, brutal. Era domingo. Dia 28 de Junho. E a nossa família ficou (ainda) mais bonita.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Este post é só o primeiro de uma série de posts apaixonados
A Madalena é linda e eu estou louca por ela. Tem umas pestanas longas, uma boquinha muito desenhada e nasceu de sobrolho carregado, zangada para caraças de a terem ido buscar. Nasceu no domingo, dia 28 de Junho, às 19.39, e durante a primeira hora de vida fez jus ao nome que lhe demos. Chorou verdadeiramente como uma Madalena. Eu, que fiquei praticamente duas horas no bloco operatório (porque o meu querido Dr. Fernando Cirurgião esteve a fazer bainhas no meu útero transparente, a reforçá-lo com pregas e a cosê-lo o melhor que pôde, tudo para que a possibilidade - remota - de ter outro filho não nos ficasse vedada), podia ouvi-la berrar e cheguei a desabafar um "Estou tão lixada..." que fez rir o anestesista.
A Madalena é linda e cheira bem. Tem muito cabelo e uma pele clara, o que é uma novidade já que os irmãos nasceram bem castanhinhos. A Madalena tem uns pés enormes com uns dedos enormes. E eu gosto tanto dela que sinto o coração apertado. E beijo-a tantas vezes e esfrego a minha cara na cara dela e nessas alturas sinto-me um bicho a lamber a cria. É incrível como o coração consegue ter tanta gente lá dentro, como uma casa, uma mansão enorme, cheia de assoalhadas.
A Madalena porta-se bem, ao contrário do que o berreiro inicial fazia prever. Dorme e come e só chora quando as malditas (posso dizer putas, se faz favor?, só desta vez?) das cólicas a atacam. E quando atacam ela chora e guincha sem parcimónia, até ficar roxa. Mas eu não me importo porque ao terceiro filho tudo se leva com outra calma e outra descontracção. E porque ela é linda. Já tinha dito?
A Madalena... é a terceira criança cá de casa mas eu podia perfeitamente ficar todo o dia a olhar para ela, sem me cansar.
Os manos estão contentes, o mais velho completamente apaixonado, o mais novo ainda a gerir emoções, ambos aos gritos para ver quem empurra primeiro o carrinho, quem ajuda primeiro no banho, quem pega primeiro nela ao colo.
A Madalena nasceu há uma semana. Parece mesmo que foi há bocadinho que o anestesista baixou o pano e ficámos os dois - eu e o pai - a olhar para o momento em que ela saiu da minha barriga para o mundo inteiro.
A Madalena nasceu há uma semana e já nos é impossível imaginar a vida sem ela.
* A todos os (tantos!) que deixaram comentários no post do pai, muito, muito obrigada. Vocês conseguem comover-me sem eu vos conhecer, o que é esquisito.
Aos amigos que mandaram mensagens e nos visitaram na maternidade e em casa: vocês são lindos! Um beijo especial à Sónia e ao Nuno, que apareceram às onze da noite, no dia do nascimento, com uma garrafa de Moet & Chandon. E ao Gonçalo, grande maluco, que apareceu esbaforido nessa mesma noite, como se fosse um mano feliz da Madalena. Mas os outros todos são queridos na mesma.
Obrigada pelas flores (tantas!), que me fizeram sentir a Amália. E jarras para as pôr? Foi um vê se te avias!
Um grande obrigada à Ana B., de Londres, que sem nos conhecer enviou um medicamento especial contra as cólicas, que já está a resultar.
Um emocionado obrigada aos meus vizinhos de cima, que me apareceram à porta com um inesperado presente para a Madalena. Ela gosta muito da musiquinha de embalar.
Um beijinho à Pipoca, que deu a notícia no seu mega blogue mega visto. E muitos parabéns pelo seu livro que ainda não comprei mas vou comprar.
Um beijo à máfia de saltos altos e aos seus posts maravilhosos (aqui, aqui e aqui).
Muito e muito obrigada à Nana e ao Bin e à minha mãe, que aguentaram as pontas com os miúdos.
Muito e muito obrigada ao meu homem. Mais bombeiro que nunca. Melhor marido de sempre.
Em breve: posts sobre o parto propriamente dito, sobre o médico maravilhoso que uma cegonha me trouxe e sobre outras ocorrências paralelas.
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
24 HORAS, JÁ FOI HÁ 24 HORAS…
E apesar de tudo o fazer prever… confirma-se: o amor pelos filhos não se divide – definitivamente multiplica-se.
Já tínhamos tido essa experiência há 4 anos quando o Martim nasceu, mas foi bom existir esta espécie de comprovativo que recebemos ontem às 19h39, através de 3,345kg de uma beleza indescritível.
Eu, pai babado, aqui me confesso apaixonado.
Mais descrições e emoções logo que possível… pela mãe.
Sábado, 27 de Junho de 2009
Auch!
Hoje os planas são: andar, andar, andar. E à tarde... mais um toque, a ver se o colo, que está molinho, decide começar a abrir. E amanhã tudo de novo. Entretanto as contracções começaram, irregulares ainda, mas já é um princípio. Dormir é que... nada. Ontem acordei às 4.30 e não tornei a pregar olho. Hoje acordei às 3 e escrevo este post às 5. Ridículo.
E, sim, consegui estar presente nas duas festas dos meus meninos. Ontem o Martim fez a sua exibição, todo orgulhoso e sempre a dizer adeus à família babada na assistência. Ufff! Confesso que no final até fiquei comovida, quando pensei: Consegui, pá!
Já temos os presentes que a Madalena vai oferecer aos irmãos embrulhados, a minha irmã já foi a uma loja Bagatela comprar um saco de brinquedos pequeninos de 1,80€ cada, para que os visitantes na maternidade "ofereçam" presentes aos dois rapazes. Assim, o dia do nascimento da irmã será lembrado como um dia de festa também para eles. Quando o Martim nasceu fizemos isso ao Manel e deu um resultadão. Aconselho vivamente.
Até lá, vou caminhar pelas ruas de Lisboa, arfando e arrastando-me. Se me virem (sou uma bola com pernas) digam adeus que eu respondo, qual "senhor do adeus". Isto se ainda conseguir mexer o bracinho.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
À Espera
Ontem foi a festa de final de ano do Manel e eu consegui lá estar. A Madalena mostrou-se solidária e lá o vimos, tão fofo, de camisa de xadrez e boina verde, a cantar "Uma Casa Portuguesa" e a jogar Jogos Tradicionais com os amiguinhos. As minhas hormonas também fizeram o favor de se aquietar, de modo que consegui não verter uma lágrima pirosa por ver o petiz em cena, a água manteve-se nos olhos poupando-me ao embaraço, sendo que a única demonstração de lamechice maternal foram os óculos embaciados, por culpa dessas lágrimas ali tão bem contidas.
Amanhã é a vez do Martim. A ver se a Madalena, já agora, me deixa estar presente em mais esta exibição, que o pequenito não ia achar gracinha nenhuma a não ter a mãe a dizer-lhe adeus e a tirar fotografias e a limpar uma lagrimita teimosa, por culpa de uma irmã de quem ele ainda gosta assim-assim, e a quem não deve dar o direito de nascer num momento tão importante para ele. Porém, assim que a festa terminar, Madalena, podes pôr-te ao fresco, se fazes favor. Assim que a festa acabar vamos ter com o Dr. Fernando Cirurgião, e tu podes logo fazer um "cucu" ou apertar-lhe a mão em jeito de cumprimento, quando ele fizer o toque (que, diga-se, feito por ele não custa nada, nadinha, nadinha de nada).
E pronto. Esperar é uma ciência que não domino. Estou para aqui, meia amiba, debaixo deste tempo nublado que me troca os parafusos. Se não for antes, amanhã há notícias, lá mais para a noite. Ando a ver se convenço o super pai a vir aqui postar aquando do nascimento da criaturinha, mas ele enche-se de pudores e diz que o blogue é meu, que não, que coiso, que depois eu posto, e tal. Logo se vê. Agora vou ali ver mais um episódio do Serviço de Urgência, a rezar para que não repitam o de ontem, como às vezes fazem, mas isso dá para outro post sobre os senhores do AXN, que são uns grandes queridos mas que têm coisas que fazem trepar pelas paredes uma pobre pessoa circunscrita ao seu lar.
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Os piores minutos da minha vida
Para mim foi imediato. Deixei de ver pessoas, deixei de ter percepção do meu corpo, do meu espaço, ceguei. Comecei a correr. "Martim!"; "Martim!". O Ricardo não parecia tão desorientado como eu e pediu ao Manel que fosse de bicicleta até um pouco mais à frente, à procura do irmão. Ele foi e voltou de ombros encolhidos. Enlouqueci. Senti que o mundo girava muito depressa. Perdi-o. Nunca mais o vejo. Quero morrer. Martim! Levaram-no. Eu sei que o levaram. Nunca mais o vou encontrar. Então a carta da Torre era isto, era esta morte de que falava a bruxa. Martim!!! Algumas pessoas começaram a aproximar-se: O que aconteceu? O meu filho, perdi o meu filho! MARTIM!!!
O pai pediu ao Manel que voltasse atrás, de bicicleta, à procura do irmão. Pediu-me o telemóvel e disse: "Ele está aqui algures, não deu tempo para o levarem, calma!, vou para aquele lado, já te ligo". Martim!!!
Fiquei como louca, virando-me para um lado e para o outro, escrutinando cada metro com o olhar, Martim!, o Manel a voltar com o olhar vazio, sem vestígios do irmão e eu soube. Soube que nunca mais o via e quis morrer. A aflição não terá chegado a dois minutos mas deu tempo para tudo. Leva-me a Madalena, que eu ainda não vi, ainda não toquei, ainda não cheirei, ainda não eduquei. Mas traz-me o meu Martim!!! Não sei se falava com Deus ou com quem, sei que soube que nunca mais o via e essa certeza deu-me para pensar em tudo: como vamos voltar para casa sem ele? Como vamos sobreviver sem ele? Onde é que o procuro? Martim!!! Quem é que o levou? Que coisas lhe vão fazer, ao meu bebé? Martim!!! Não sei se havia muita gente à procura, acho que vi algumas pessoas, mas tudo girava e eu só conseguia chorar. Vi a cara da Filomena Teixeira, a mãe do Rui Pedro, desaparecido há 11 anos, vi a cara desfeita dela e soube que era assim que ei ia ficar. Louca, numa busca eterna pelo meu filho. Como é que vou viver para o Manel, para o Ricardo, para a Madalena? Como vou fazer para dormir, acordar, comer? Como é que se faz isto quando um filho desaparece? Nisto, o meu telemóvel tocou. Era o Ricardo: "Está aqui! Veio de bicicleta até aqui à frente, estamos bem, vamos já para aí."
Umas senhoras agarraram-me e eu chorava convulsivamente. Sem pudor. Alto. Como nunca chorei na vida. Quando o vi chegar abracei-me a ele e quis metê-lo outra vez na minha barriga, encrustá-lo em mim, para que ninguém, nunca, o pudesse levar de mim.
A sensação de perda foi tão grande que continuo a chorar. Às seis da manhã os meus rapazes dormiam nas suas camas e a minha angústia não passava. Acho que alguma coisa mudou dentro de mim, porque a experiência foi tão real, foi tão avassaladoramente real que é como se, de facto, ele tivesse estado desaparecido. Foram dois minutos. Os piores da minha vida, os mais compridos, aqueles que me fizeram perceber como tudo pode mudar, de repente.
Não deve haver nada mais horrível do que o desaparecimento de um filho. Não pode haver nada pior. Nem a doença, nem a morte. O não saber o que aconteceu, o sentir que foi por nossa culpa, o querer que o tempo volte atrás um minuto, o imaginar de coisas horríveis que podem estar a acontecer. Não deve haver nada pior para uma mãe, para um pai. O Ricardo nunca chegou a pensar em rapto, nem por um momento. Achou simplesmente que o terroristazinho teria pedalado mais depressa. Eu nunca cheguei sequer a pensar nisso. Tive a certeza que o tinha perdido para sempre. Porque, na verdade, acho que estou sempre à espera de perder. Perder aquilo que me é mais precioso. E sei que vai demorar até que esta dor me passe. "Já passou, não foi nada", dizem-me. Eu sei. Mas ainda não consegui voltar daquele instante em que a sensação da maior de todas as perdas me tomou.
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Toca e foge ou toca e sai?
Patas no lugar dos pés
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Pumbas!
Ia gorda e feliz. Andei, andei, andei. Na volta, tencionava ir comprar os jornais, seguir para a esplanada de sempre e ficar ali, com o meu sumo de laranja natural, o meu pãozinho com manteiga e as minhas leituras. Estava contentinha e quase me apetecia saltar (o que, além de tremendamente arriscado seria perfeitamente patético). No momento seguinte, voei. Um pé posto em falso e lá foi a Maria gorda de joelhos ao chão. Sangue por todo o lado, pedrinhas encrustadas no joelho esquerdo, um dedo todo lixado, e uma mão e um cotovelo. Dores, dores, dores. A barriga safou-se do embate mas o resto estava uma lástima. Não me conseguia mexer e eis que vi um carro da polícia parar. Saíram 3 senhores agentes, amorosos, que me içaram (a palavra é mesmo essa - içaram), que insistiram para me levar ao hospital, que acabaram por me dar boleia até casa, a dois quarteirões.
O Ricardo, coitado, acordou com a campainha e comigo do outro lado da porta, sangue a escorrer por sítios vários, a morder o lábio e a pedir desculpa. "Não te queria acordar mas... caí". No momento seguinte, lá estava ele, o meu bombeiro outra vez de serviço, com compressas e Betadine, ele que nem sabia que eu tinha saído de casa para uma das minhas caminhadas, a rogar pragas às Fly, "Mas quem é que se põe a andar, grávida, em cima de umas tamancas desta altura???"
E pronto. Agora saio de casa para andar, com as patas enfiadas nuns ténis, muito menos elegantes e giros, mas mais à prova de mulher redonda em busca do equilíbrio suficiente para se manter de pé.
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Oooh, obrigadinha

Oooooooohhhh! Eu já recebi algumas vezes estes miminhos. E até já cometi a má educação de receber e não pôr aqui no blogue, não por má educação mas por manifesta falta de tempo, que isto ainda dá trabalho: copiar o ícone do prémio, escolher blogues, ler as regras, avisar as pessoas, uffffff. Mas desta vez estou de baixa, sou uma mulher redonda à espera, e com tempo livre de sobra, e quem me atribuiu este selo é uma querida! Por isso... cá está.
As regras são:
1 - Colocar o selo no meu blogue. (done)
2 – Indicar 10 blogues no feminino que eu adore:
- a gata, a pipoca, a perante o riso geral (apesar de ficar séculos sem escrever, o que é uma seca), a eterna rititi, a muxy-muxy (e quero lá saber que tenha sido ela a nomear-me, eu teria sempre que a nomear!), a coisas que tal, a luz, e estou cansada e não me lembro de mais assim de repente, e desculpem, sim?
3 – Informar os blogues indicados que receberam o selo (não peçam tanto a uma mulher rotunda, tá?)
4 - Dizer cinco coisas que adore na minha vida e porquê. Então: O meu homem, porque é a minha âncora, a minha raiz, a minha força, a minha vida. Os meus filhos, porque são a descoberta do amor mais incondicional e perturbador de toda a vida e porque nada interessa se eles não estiverem felizes. O meu trabalho. Há alturas em que o odeio, em que acho que estou farta de ser jornalista, em que juro que se me saísse o Euromilhões não escrevia nem mais uma linha. Mas depois... depois enfio-me numa história e os meus olhos brilham e eu só penso naquilo e é bom. A minha casa. Adoro o sítio onde fica, adoro passear junto ao rio, adoro meter a chave na fechadura e sentir que cheguei ao meu ninho. E é isto.
Nota: Estou rabujenta, impaciente, hormonalmente instável, irascível, chorona. Tenho sono, tenho calor, tenho fome, estou enjoada, tenho mau feitio. Obrigada pelo selo fofinho. Mas não me sinto propriamente merecedora, neste momento. Neste momento sou uma pessoa má.
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
A minha experiência com "bruxas"
Bom, dizer que a senhora acertou em tantas coisas que eu comecei a ter vontade de fugir: que andava à procura de uma casa para comprar perto da praia (eu andava à procura de casa no Algarve), que tinha acabado de mudar de emprego e que ia fazer algo que nunca tinha feito (tinha acabado de me mudar do Diário de Notícias para a Time Out, e pela primeira vez ia ser editora), que tinha dois filhos... enfim, bingo, bingo, bingo.
A páginas tantas, perguntei-lhe se iria ter mais um filho. E ela lançou as cartas e disse que sim. Mas... a carta que se seguiu significa Morte ou qualquer coisa muito bera (acho que era a Torre). A senhora ficou com uma cara crispada, titubeou que nem sempre aquela carta quer dizer morte, tossiu, engasgou-se.
Eu saí de lá bem disposta e a achar que, apesar de tudo, havia de haver ali uma marosca qualquer. Mas... desde que engravidei da Madalena que há um nózito parvo na minha garganta. E se? E se a senhora dona bruxa tinha razão e a miúda quina? E se sou eu a quinar? De modos que, agora que o parto se aproxima a passos de gigante, dou por mim um nadinha à rasca. Não penso nisso todos os dias. Mas de vez em quando dá-me para pensar. E aí fico angustiada. E é por isso que, pelo menos enquanto me lembrar deste stress, não vou voltar a senhores adivinhadores. E espero, sinceramente, que esta se tenha enganado.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Sem Título
A minha mãe acaba de se meter num avião para uma semana de férias na Croácia.
(Depois explico porque perguntei sobre as bruxas. Hoje... hoje não.)
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Que las hay...
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
O pior de estar em casa...
Entretanto, dizer que o bebé morreu porque deu um nó no cordão umbilical. E o pavor que isto deixa numa grávida? E a pontaria de ligar a televisão e ver esta porra?
Vou mas é continuar a dormir.
Domingo, 7 de Junho de 2009
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
É PÁ, A SÉRIO...
EU NÃO DISSE QUE AS CRIANÇAS HIPERACTIVAS SÃO MAS É UMAS MAL EDUCADAS!
EU NÃO DISSE QUE AS CRIANÇAS HIPERACTIVAS PRECISAM É DE PORRADA!
EU NÃO DISSE NADA DISSO!!!!
O QUE EU DISSE FOI QUE ESTA CRIANCINHA EM CONCRETO, QUE PARTE TODOS OS PRATOS DA MESA PORQUE NINGUÉM A CONTRARIA, ESTA CRIANCINHA ESPECIFICAMENTE É MAL EDUCADA E NÃO HIPERACTIVA!
O QUE EU DISSE É QUE, HOJE EM DIA, HÁ MUITOS CASOS DE MÁ EDUCAÇÃO E TRAQUINICE QUE SÃO LOGO ROTULADOS DE HIPERACTIVIDADE!!!
EU SEI QUE HÁ PAIS QUE SOFREM.
EU SEI QUE HÁ REALMENTE CRIANÇAS HIPERACTIVAS.
MAS EU NÃO ESTAVA A FALAR DESSAS!!! SIM? VAMOS TORNAR A LER O POSTZINHO? SIM?
CERTO?
HUM?
É DO TEMPO, NÃO É? PRIMEIRO CALOR, SOL, DEPOIS CHUVA...
E ESTÃO A PRECISAR DE FÉRIAS, NÃO É?
VÁ... ESTAMOS EM JUNHO... ESTÁ QUASE.
E A SEMANINHA QUE VEM, HUM? TANTO FERIADO...
PRONTO.
JÁ PASSOU.
CÁ BEIJINHO.
CÁ FESTINHA NA CABEÇA.
CÁ ABRACINHO.
(chiiiiiiiiiiiiça!)
Eu dava-te a hiperactividade
- Ah, eles coitados têm um filho hiperactivo.
Sempre que oiço isto dá-me vontade de rir. Hoje, todos os putos são hiperactivos. Não há putos simplesmente inquietos, desassossegados, traquinas. Não! São hiperactivos e têm de ser medicados, seguidos, cuidadosamente acompanhados.
Ainda assim, continuei:
- Ai sim? Então e é hiperactivo porquê?
- Acho que chega a um restaurante e pega nos pratos, de uma ponta da mesa à outra, e atira-os para o chão, estilhaçando tudo.
Interrompi a viagem que o garfo fazia do meu prato à minha boca. E assim fiquei, boquiaberta e imóvel.Só consegui responder:
- Tem piada. No meu tempo a isso chamava-se má educação. Nada que uns bons castigos ou uns bons aconchegos no rabo não resolvessem. Hoje a isso chama-se hiperactividade? Porreiro pá.
Carta aberta a S. Pedro
IMPORTAS-TE DE ME EXPLICAR O QUE É QUE TE ESTÁ A PASSAR PELA CABEÇA PARA MANDARES CHUVA EM JUNHO???? HEIN? VAMOS TER OUTRO VERÃO DE CACA COMO O DO ANO PASSADO? ESTÁS COM DIFICULDADES EM LEMBRAR-TE DO QUE SIGNIFICA PRIMAVERA E VERÃO???? CALOR, SOL, NOITES ABAFADAS, T-SHIRTS E TOPS E SANDÁLIAS, HUM??? RING A BELL?
Livra-te!
Há por aí uma estúpida expressão que as pessoas usam e que é: "Chorar como uma Madalena". Ora bem, isto não significa que TODAS as Madalenas chorem como bezerras, ok? A expressão não passa disso e não te dá nenhuma legitimidade para te pores aos gritos desde que nasces até ao primeiro ano de vida, sim???
(É que ontem ouvi a expressão e fiquei gelada. Tu queres ver que ela ainda leva isto à letra? Tu queres ver que tenho de lhe mudar o nome outra vez?)
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Madalena report... e veias a rebentar (não aconselhável a pessoas mais sensíveis)
A Madalena ainda não está apertada no seu T0. Tem muito líquido amniótico, de modo que ainda dá boas braçadas, a placenta que a alimenta está jovem, o fluxo sanguíneo e os batimentos cardíacos não evidenciam nada mais que tranquilidade na sua casinha.
Ontem soubemos isto, que a Madalena está bem e recomenda-se, e soubemos que a minha anemia chegou ao limite e, por isso, hoje tive de ir ter com o Dr. Fernando Cirurgião ao Hospital São Francisco Xavier, para levar ferro por via endovenosa. Foi uma bela porra. Eu avisei que as veias das minhas mãos rebentam. Eu avisei. Mas a enfermeira estava confiante. Virei a cara, ela espetou, doeu para caraças e... claro: a veia rebentou.
- Ah! Rebentou!
- Pois. Eu avisei.
A seguir veio outra enfermeira. Todas super simpáticas, nada a apontar, o mal é mesmo das minhas veias.
- Então vamos lá.
- Olhe que rebentam sempre.
- Agora não vai rebentar.
Virei a cara, ela espetou noutro sítio, doeu para caraças e... claro: a veia rebentou.
- Ah! Rebentou! Xiiii! Está a inchar! Mas que grande batata que aqui está!
- Pois. Eu avisei.
E lá tiveram de espetar no braço e lá fiquei quase 2 horas, de CTG armadilhado na barriga e ferro a entrar no braço.
No final, já tinha um penso no braço e guia de marcha para me ir embora quando senti a mão molhada, o braço molhado. Havia sangue no chão, na minha camisola, no braço, na mão... A última veia tinha decidido escarrapichar também. A prova de que, efectivamente, não há duas sem três.
Vim para casa, toda furadinha, o braço negro, a mão negra. Pus gelo, vi um episódio da Anatomia de Grey e gemi baixinho, que também tenho direito a momentos de mariquice. O meu querido médico diz que poderei ter de levar outra dose. Espero sinceramente que não. Veias a rebentar não é a minha cena. É uma mania, pronto. Odeio - odeio muito - veias que rebentam.
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Quando os umbigos e os narizes falam
Hoje foi o nariz que triplicou.
Quer-me parecer que este umbigo e este nariz falam por si. De qualquer modo, hoje à noite temos médico. A ver se ele confirma o que umbigo e nariz parecem estar a gritar.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Spoil

Há três semanas fomos os cinco fazer uma sessão fotográfica com a Spoil. Foram duas horas super divertidas, com a fotógrafa Inês Ângelo a deixar-nos completamente à vontade, e nem os miúdos se chatearam com o veste-e-despe, nem com os sorrisos, nem com as poses, nem com nada. Fiz fotos sozinha com a minha barriga, com o Ricardo, com os miúdos, com o Ricardo e os miúdos. Mas também há fotos só deles, do pai com eles, em fundo branco, em fundo preto, de maneira que temos um portfolio espectacular (mais de 500 fotos!) e já decidimos que quando a Madalena já andar voltamos para mais uma dose.
Adoro a Spoil, a sério! Aconselho a toda a gente.
As fotos que aqui deixo foram assassinadas por mim, para não se ver o nosso palminho de cara, que a minha gente não tem culpa que me dê para ter um blogue, e nenhum deles pediu para ser conhecido. Mas posso garantir: estamos todos liiiindos!
Seja Gémeos, obrigadinha!
Sábado, 30 de Maio de 2009
Gémeos
Ora... eu não tenho uma grande impressão dos Gémeos. Quer dizer... a minha irmã, que eu adoro de paixão assolapada, é Gémeos. E eu não deixo de a adorar. E nem acho que tenha assim um feitio tão insuportável. Não é uma miúda fácil, mas a verdade é que sempre o atribuí a outras razões, mais do que ao signo. Só que não têm conta as pessoas que me reviram os olhos sempre que digo que a Madalena será Gémeos, como se a miúda me fosse sair muito próxima do demo.
Por isso, Gémeos que lêem o Cocó, por favor, digam de vossa justiça! Defendam-se. Descrevam as vossas qualidades extraordinárias. Convençam-me, no fundo, a não meter uma rolha aqui na porta de saída, para a miúda me sair só a partir de 21 de Junho e ser um dócil Caranguejo.
Afinal, os Gémeos são boa gente, ou quê?
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Secos e molhados
Este é o grande paradigma que marca a grande diferença entre mim e a minha mãe. Naquela cena ela viu falta de regras... e doença. Constipação, gripe, pneumonia, até. Eu, pelo contrário, naquela cena só vi felicidade. Liberdade. Prazer. Se não for agora, aos 4 anos, quando é que ele vai deixar-se encharcar por um sistema de rega? Às vezes acho que um dos grandes problemas dos pais é quererem que os filhos se comportem como adultos em miniatura. E confundem educação com castração. Felizmente, julgo não sofrer desse mal. E assim, deliciados, eu e o Ricardo ficámos a ver o Martim a dançar com a roupa colada ao corpo, e o Manel com as mãos na cabeça, a olhar para nós em busca de aprovação ou censura. Sorrimos-lhe como que a dizer: vai tu também, força! E ele foi, com aquele sorriso de quem está a cometer uma infracção consentida.
Que belo fim de tarde.
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Querida Madalena:
Mas a natureza é realmente extraordinária. E tem tudo preparado para quem, como eu, amava à distância, num amor platónico relutante em passar à prática. A natureza sabe como dar a volta ao texto. E é assim que me encontro agora com um feitio difícil de aturar, há várias noites sem pregar olho, com fanicos sucessivos durante o dia, sem posição para estar, de pé não que me canso, sentada não que me farto, deitada nem pensar que sufoco. É assim que tudo me custa como se fosse obesa mórbida (e só engordei 9 quilos), que cada perna parece pesar toneladas, que o sono me tira discernimento e inteligência, que me falta a paciência para tudo e para todos, que me enraivece perder o fôlego só por apertar os sapatos, que me dá vontade de chorar sempre que os rapazes me pedem para saltar ou correr e eu pareço um cão asmático e tonto, um mata-borrão inútil que deita os bofes de fora só porque mexeu os olhinhos.
Não me interpretes mal. Continuo a adorar estar grávida, continuo encantada com este estado mágico, continuo a sorrir para dentro quando, a meio de uma entrevista, me dás um daqueles pontapés violentos e só eu e tu é que sabemos que, além da conversa que se ouve, há outra comunicação em curso. Continuo a sentir-me especial, continuo com a certeza que vai ser doloroso não voltar a engravidar, porque por mim repetia a dose mais não sei quantas vezes, fora eu rica e com um útero menos costurado que este.
Mas a verdade, Madalena, é que hoje eu tenho pressa de te ver. De te conhecer. De te tocar. De ver a tua cara, de procurar semelhanças comigo, com o teu pai, com os manos. Hoje, os teus movimentos na minha barriga são mais penosos que deliciosos, porque estás grande e pareces um alien que vai sair pelo umbigo fora. Hoje imagino-te aqui em casa, sim, mais um, a gente cá se há-de arranjar, e os manos, que giro, como é que eles vão reagir a ti, como é que tu vais reagir a eles? Hoje, eu sinto-me fraca, sem energia, sem capacidade para atravessar a estrada quanto mais para acumular projectos, que é coisa de que tanto gosto. Hoje, o teu quarto parece-me monótono sem ti, já chega de berço vazio e fraldas à espera e vestidinhos por estrear.
Por isso, olha... podes vir. Se os pulmões já estiverem madurinhos, se já te apetecer vir cá para casa, se te sentires com coragem de enfrentar aqui os matulões, anda. Já fazes parte da família, os rapazes não falam de outra coisa, as malas estão à porta, a Cuf escreveu hoje a confirmar que o pai pode lá estar comigo, ao meu lado, à tua espera. Por isso, olha... vem. Tens aqui vários colos bons e acho que vais gostar de nós. Nós? Nós já gostamos de ti.
Família de (pouco) acolhimento
A minha dúvida, agora, não tem nada que ver com o "caso Alexandra". É uma dúvida geral: Porque raio não podem as famílias de acolhimento acabar por adoptar as crianças que acolhem e com quem estabeleceram laços? É que não podem! Ou seja: uma família decide ser família de acolhimento. Pronto. Pensa: Ok, vamos ajudar esta pobre criança a não estar enfiada numa instituição e vamos aqui mostrar-lhe o que é uma família. Tudo começa assim, sem grandes ligações afectivas e tal. Mas depois, com o tempo, todos criam laços fortes. E esta família pensa: "é pá, e se a gente adoptasse esta criança, que é já como se fosse nossa, no nosso coração?" E depois vai-se a ver e não podem. As famílias de acolhimento não podem adoptar aquela criança que acolheram. Mas isto faz sentido para alguém? Alguém consegue explicar-me porquê, que eu não estou a chegar lá? Então é melhor para a criança ser abandonada duas vezes? Pela família de origem e pela família de acolhimento? É o quê, isto? Um jogo? O jogo do "vamos lá ver quantas vezes conseguimos destruir a vida a este puto?"
Muito agradecida a quem me guie nas teias desta lei que não entendo. Muito agradecida.
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Alexandra
Ontem eu não queria ter visto no documentário a mãe a açoitar violentamente a criança, apenas porque ela disse que queria ir ter com a irmã Valéria (de Portugal), desejo mais que compreensível e que permanecerá seguramente por muito tempo.
A Alexandra está há uma semana na Rússia e já apanha tareias. A Alexandra ainda está a aprender que aquela é a sua nova mãe e já é castigada como se as duas tivessem uma relação inquebrável. E o pior: tudo isto se deu à frente de uma câmara de televisão, de jornalistas que faziam o documentário. A pergunta é: o que fará aquela família quando não houver câmaras por perto?
Não pensei que, tão pouco tempo depois da Esmeralda, houvesse outra história em que o "superior interesse da criança" viesse assim partir-me o coração.
Correcção: A Valéria é, afinal, a irmã russa. Um anónimo feroz instou-me a ser mais correcta com a informação. E eu, cheia de medo e obediente, aqui estou. Mas tenho a dizer o seguinte: se a mamã lhe dá pancada porque a menina pede para ir ter com a irmã russa (também sua filha), o que lhe fará quando a criança lhe pedir para ver ou falar com a família portuguesa? Nem é bom imaginar.
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
O Manel
Mas há uma coisa que ele tem que eu nunca tive e que nem sei como designar. Para o irmão ficar feliz e contente, o Manel dá-lhe um comando da Playstation e faz de conta que está a jogar PES (Pro Evolution Soccer) contra ele. Até aqui, tudo normal. O que é extraordinário é que, às vezes, o computador ganha ao Manel. E o Martim, que pensa estar a jogar, acredita que venceu o irmão mais velho. E grita pela casa: "Ganhei! Ganhei! Ganhei! Toma-toma-toma!"
Se eu fosse o Manel, não creio que conseguisse aguentar. Acho que lhe dizia: "Achas? Tu achas realmente que me ganhavas a isto, puto? Cresce e aparece! Tu nem sequer tocaste na chicha, meu menino!" Mas o Manel... não. Olha para o irmão, sorri, e diz: "Boa, Martim! Boa!"
É duro admitir, mas há coisas em que o meu filho de sete anos consegue ser mais maduro que eu.
Anatomia de Sloan

Este senhor é médico, numa das minhas séries preferidas, postadas aqui em baixo. Chama-se Eric Dane, mas para mim é o Mark Sloan. E ainda bem que não é o meu médico, porque ter tensão alta é grave, sobretudo na gravidez. O meu homem não vai gostar deste post, mas hoje está um dia feio, acordei com cara de segunda-feira (apesar de estar de férias) e apetecia-me um colírio para a vista. Afinal, sou casada e feliz mas continuo a ter olhinhos na cara. E bom gosto. Pronto.
Séries
- Anatomia de Grey
- O Sexo e a Cidade
- Serviço de Urgência
- CSI
- Balada de Hill Street
- O Justiceiro
- Modelo e Detective
- Dempsey & Makepeace
- Verão Azul
- Macgyver
- Norte/ Sul
- Miami Vice
- Fama
- Seinfeld
- Alô Alô
- Tudo em Família
Ops! Já estão 16. Cá estão eles, Gata. Com atraso mas... cá estão eles. :)
Domingo, 24 de Maio de 2009
Cum catatau!
Disto nunca eu tinha visto na televisão. E assim fiquei, de mão a tapar a boca e olhos arregalados. Muito bom! Só faltou andarem à chapada, mas não duvido que isso ainda venha a acontecer no Jornal Nacional da TVI, à sexta.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Há Ovar, há ir e voltar
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Ovar ou desovar, eis a questão
Será que acabo a desovar... em Ovar?
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
9 anos

Hoje faz nove anos que casámos.
Hoje faz nove anos que a minha vida mudou para melhor. Tão melhor.
Hoje faz nove anos que disse que sim, queria ficar contigo para sempre.
E hoje, nove anos depois, tenho ainda mais a certeza desse sim.
Ontem fomos passar a noite ao Penha Longa Hotel & Spa. Jantámos no AssaMassa, uma trilogia de sabores inesquecível. Dormimos numa suite extraordinária.
Hoje começámos o dia no Spa. Uma massagem para cada um, o corpo a agradecer, a alma a ficar leve, levezinha. O almoço à beira da piscina. E nós apaixonados, abraçados, no meio da inspiradora serra de Sintra.
É tão bom e tão raro que nove anos depois se sinta o que nós sentimos.
É tão bom e tão raro que tenhamos, ainda, a mesma vontade de adormecer a olhar um para o outro, como se nos tivéssemos descoberto ontem.
Hoje faz nove anos que casámos.
Se os próximos nove forem tão bons como estes primeiros... serei a mulher mais feliz do universo.
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Novos desafios? Sim...
Quando uma mulher fica temperada
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Vá, chamem-me piolhosa
Riam-se, vá. E os que destilam bílis contra o cocó podem, enfim, chamar-me piolhosa, que não poderão ser processados por difamação. É que, efectivamente, só o pai não atraiu bicho. Bom, e o Manel pouca coisa. O Martim era o centro do problema e eu também fui vítima desta porcaria. Riam-se, riam-se. Pode ser que um dia seja a vossa vez. E olhem que não é bonito, champôs a cheirar a creolina e pentes finos na cabeça. Confesso que tive vontade de chorar. Mas o bom comportamento do Martim, quietinho a deixar-se catar como um macaquito, ajudou a controlar-me.
Lavámos lençóis, roupas, sofás. Deitámos spray como se a casa tivesse gripe H1N1. Daqui a sete dias repetimos a dose.
Ser mãe também é isto. Ninguém disse que era fácil.
Domingo, 17 de Maio de 2009
Alô? Procura-se Sílvia Neves
Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Apelo
Se sim, por favor, deixem aqui o testemunho.
NÃO, NÃO SOU EU QUE PRECISO DE SEGUNDA OPINIÃO! ISTO É PARA UM TRABALHO!!!
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Era uma casa muito engraçada...
Bom, a Madalena está boa e gorda, pesa cerca de dois quilos e trezentos gramas, e tratou de tornar a esconder a cara com as mãos, como já tinha feito na anterior ecografia, dando a entender uma personalidade filha da mãe, já que timidez não há-de ser, que um tímido não pontapeia com a convicção com que esta criaturinha, apesar de tão pequena, o faz.
Quem não está tão fina é esta que vos escreve, anémica e pardacenta, com contracções e dores no baixo ventre, e depois foi-se a ver e a ecografia mostrou que a parede uterina, na zona das anteriores cicatrizes, parece uma reles película, com 5 milímetros de espessura, de modo que não convém nem mais uma contracção, a ver se o útero não esgaça e rompe, que era coisinha que dava um bom post mas não tinha graça nenhuma.
Por isso, o amável médico pediu repouso, sugeriu umas algemas à cama, talvez, para aquietar um pouco esta alminha neurótica, e quando lhe perguntei se numa das semanas vindouras em que vou estar de férias poderia ir ao Porto fazer um trabalho rápido sorriu e respondeu, com a calma de sempre, que sim, com certeza, até porque no Porto também há excelentes instituições hospitalares, como quem diz não vás para a cama não e vais ver como elas te mordem.
Assim, a partir de amanhã vou estar de férias, deitadinha o mais possível, encharcada em magnésio e ferro, um para as contracções outro para dar força ao sangue, a ver se a casa da minha filha não desaba, que ela, coitada, é muito nova para ser sem-abrigo.
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Hoje nas bancas
A todos os que me deram mimos: muito e muito obrigada
São porras da vida, é o que é. Que me fazem lembrar os conselhos com mais de dez anos da Carmo, que dizia e repetia: "À vontade não é à vontadinha". E eu, estúpida, não aprendi. É sempre tudo muito à vontadinha e depois... lixo-me. E é muito bem feita.
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
:(
Mas mesmo muitos.
Se fizerem o favor... tenho aqui a minha cabeça à disposição para receber alguns.
Obrigada.
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Obrigada
Por seres o cantoneiro, que apanha os meus cacos do chão.
Por seres o médico, que sara as minhas feridas.
Por seres o costureiro, que me cose quando me rasgo, mesmo quando ninguém diria ser possível coser tamaho rasgão num papel já tão rasurado.
Por seres o diplomata, que gere conflitos com sabedoria, o juíz das boas decisões.
Obrigada por seres o meu público, por me dares confiança, por me dares colo (e é preciso um grande colo para um corpo dois-em-um).
Espero que nunca queiras reformar-te destes empregos todos, apesar da remuneração não ser grande coisa.
Obrigada.
Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
Amanhã! É já amanhã!

Amanhã sai a revista do i.
Amanhã sai a Nós, editada pelo Pedro Rolo Duarte.
Amanhã começa uma espécie de retrato de nós, portugueses.
Amanhã está lá uma reportagem minha, dois textos, duas realidades, duas histórias.
Amanhã há muitas coisas boas nesta revista.
Amanhã nós que fazemos a Nós vamos estar contentes. Orgulhosos. Expectantes.
Amanhã espero que seja só o princípio de longos tempos felizes.
Amanhã, se puderem, comprem o i. Leiam o i. Leiam a Nós.
Efeito Madalena?
E pronto. Será que já é efeito Madalena?
A família concentra-se, então, de volta do querubim. A ver se lhe colamos o coração, que é capaz de andar mais partido do que ficou o meu, quando o vi chorar à porta da escola.
:(
Hoje mais aos bocadinhos que ontem.
O Martim saiu do colégio a correr para se agarrar às nossas pernas. Com lágrimas grossas pela cara abaixo.
Ontem também chorou. Mas hoje foi mais longe e fugiu da sala, para nos ir apanhar à porta, seguido pelas aflitas auxiliares.
Diz que a professora se zangou. Não sei. Já liguei para a escola e aguardo, agora, que a educadora me ligue, para explicar o que se passou.
Provavelmente não é nada, está só a crescer, e ser contrariado faz parte do crescimento. É lixado, ninguém gosta. Mas faz parte. Provavelmente é só isso. Espero que seja só isso. Mas o meu coração está aos bocadinhos. É física, é real, a dor que sinto. É isto, também, ser mãe. É isto para sempre, até ao fim.
Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
i também quero esta!!!
i está quase a chegar o dia
i espero que dure muitos e bons anos.
i estou contente por estar, de novo, ligada a um projecto que assim se i-nicia.
i força!
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Angelina e Brad, não nos f****
Ora, estas notícias têm em mim o efeito contrário. Penso eu: olha que porra. Aqueles dois, tão lindos, que parecia gostarem tanto um do outro que até faziam uma espantosa colecção de filhos, tão ricos e com casas tão grandes, cheios de amas e empregadas e ajudas da mais variada ordem, aqueles dois sentem-se desgastados pela prole e ameaçam dar o berro. Ora... se com tanto apoio eles não aguentam... COMO É QUE NÓS, QUE ACABAMOS TODOS OS MESES A CONTAR TOSTÕES, QUE NÃO PODEMOS IR DE FÉRIAS PARA A MALÁSIA A TODA A HORA... COMO É QUE NÓS HAVEMOS DE AGUENTAR?
Deixei um comentário no blogue dela e logo apareceu um anónimo que escreveu: "Desde quando dinheiro e criados trazem amor para uma família? Nem que a banheira seja a do 'tio patinhas' o amor não vem daí! AMAR, TOLERAR, RESPEITAR!"
Bom... que é verdade que o dinheiro não traz amor. Lá isso, é verdade. Duas alminhas ricas que se juntem, sem gostarem uma da outra, não vão de repente pôr-se aos saltos de paixão assolapada. Mas, minha cara pessoa, que ter dinheiro ajuda muito um casalinho enamorado, lá isso ajuda. Ah, estamos tão cansados, vamos tirar uns dias e balançar numa rede em Bora Bora. Ah, que maçada, hoje não me apetece fazer o jantar, vamos ali ao Eleven para um jantarinho romântico. Ah, e que tal uma massagem a dois num SPA? Ah, os miúdos estão tão cansativos, que tal irmos para o Algarve e levarmos a ama para estarmos a sós de vez em quando?
Quer dizer... parecendo que não, facilita. E não será por acaso que em alturas de crise o número de divórcios dispara. Cá para mim, a versão de "um amor e uma cabana" tem os dias contados. Se é que alguma vez foi realmente assim tão inspiradora.
Por isso, Angelina e Brad, por favor, não nos f****. Façam lá as pazes que aqui os pobres ficam à rasca sempre que vocês dizem: "Não aguentámos o desgaste".
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
O que eu tenho de ouvir, todos os dias
"Tens a certeza que é só um???"
"Ai meu Deus, estás tão grande!"
"Parece que vais explodir"
"São gémeos?"
"São trigémeos?"
"Não vai nascer aqui, não?!!"
"Esse bebé está grande demais! Vai ser cesariana, espero!"
"O quê? Só daqui a um mês???"
"Isso não é normal"
"Nunca vi uma barriga assim"
"Minha nossa Senhora!"
"Cá para mim tens outro escondido. Tens, tens"
"Faço ideia as estrias"
"Isso vai ser parto normal?"
Isto é o que as pessoas dizem. Fora os olhares na rua. Esses oscilam entre a cumplicidade, a ternura, a pena (coitadinha, já nem consegue andar) e o medo (foge, foge que vai explodir!).
O que vale é que eu acho graça. Tem dias em que reajo menos bem. Sobretudo quando oiço os comentários que estão em cima várias vezes seguidas. E à décima é natural que responda: "Sim, são quadrigémeos, gordos como texugos, e vão nascer daqui a 2 minutos, mais coisa menos coisa, e por parto natural portanto imagine como vai ser a minha vida sexual daqui para a frente!!!!"
Análises confirmam: Cocó na Fralda tem 'malucase'
Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Para quando o quarto filho???! Oi?
Ora bem. Que me perguntassem, ainda acabada de aterrar da Lua de Mel, para quando o nascimento do primeiro rebento... ainda compreendi.
Quando, depois de nascer o primeiro filho, me perguntavam pelo segundo... enfim, achei que seriam pessoas avisadas, com medo dos vícios do filho único.
Quando começaram a questionar pelo terceiro já achei esquisito. "Terei cara de IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social)?", duvidei.
Agora... quando ainda estou grávida do terceiro, perguntarem-me pelo quarto filho... começa a meter medo. Muito medo. Como é? Se eu chegar ao décimo filho vão perguntar pelo 11º?
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
A gripe suína e nós
Quando os bombeiros nos lixam em vez de nos ajudar
Definitivamente, uma grávida não é um ser recomendado numa casa onde há crianças.
Amamos os bífidus activos e os esteróis vegetais*
Todos os dias há novos compostos espectaculares e nós amamos saber que o nosso detergente da loiça tem microcristais valentes, que o champô possui provitaminas B6 e B12 e ainda extractos de bambu e aloe vera, que o creme de beleza que usamos todas as manhãs é enriquecido com antioxidantes, retynol, elastina, salva e mirra, que o amaciador tem jojoba e ilangue-ilangue. Saímos de casa muito mais tranquilos por sabermos que aplicámos no couro cabeludo uma mistela com extracto de geleia real, e que o leite faz o favor de conter ómega 3 e isoflavonas de soja. Ufa! Estamos preparados para mais uma jornada, pá!
* Texto publicado há uma semana, na revista Time Out Lisboa
P.S: Entretanto, e já depois deste texto estar escrito e entregue, um óleo qualquer apareceu no mercado com uma característica única! Tem AHA + ALA! Toca a comprar, minha gente! Se tem AHA + ALA só pode fazer bem à saúde. Com sorte ainda dá cabo da gripe suína.
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Dúvidas existenciais de uma mulher 2 em 1
Levei o chichi das 6.
"Trouxe a primeira urina da manhã?", perguntou a senhora.
"Sim... dentro do género."
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Malefícios da Internet (ou serão benefícios?)
De há uns tempos a esta parte, ando com comichões horríveis à noite. No corpo todo. Não durmo, coço-me. Depois, durante o dia, arrasto-me. Porque não dormi. Porque passei horas a coçar-me como se tivesse a cama infestada de pulgas.
Hoje decidi, então, pesquisar no Google (esse grande amigo): "Comichão na gravidez". E eis que me aparecem histórias de pessoas internadas, partos prematuros, bebés em risco. Porque as mães também começaram a coçar-se e, afinal, o que tinham não era nervoso miudinho nem pulgas. Era uma coisa chamada Colestase. Ao que parece, em alguns casos o bebé pressiona de tal modo o fígado que ele deixa de conseguir filtrar as porcarias como deve de ser. E vêm daí as comichões. E pode ser um perigo para o bebé. E, claro, já tenho a cabeça cheia de macaquinhos (a coçarem-se) e não sei se não vou ligar ao médico já amanhã.
A Internet é isto, também. Uma pessoa pesquisa e pronto: faz um diagnóstico. Sei de algumas pessoas que, depois de lerem o que eu li, chegariam ao hospital a dizer: «Senhor doutor, eu tenho colestase, se não se importa medique-me para eu poder ir à minha vidinha». Eu não vou tão longe. Mas que fiquei um bocado à rasca... isso fiquei. A ver vamos se a net me ajudou a descobrir que me coço porque o fígado está marado, ou se me assustou em vão porque, afinal, eu estou só... neurótica.
Ah, claro! Escusado será dizer que esta noite vou coçar-me muuuuuuuiiiiito mais que o costume. Porque é que eu não fiz a pesquisazinha só de manhã? Hum?
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
O caos que enfurece a Emília
Ontem foi um desses dias, em que a dona Emília deve ter tido vontade de nos mandar a um sítio feio, inóspito e longínquo, batendo com a porta para mais não voltar. É que à quinta-feira, a dona Emília gosta de se concentrar na roupa. Mas a casa gritava por ela com tanta força que o ferro de engomar não chegou praticamente a aquecer. E quando lhe trocamos as voltas, a senhora trata-nos mal. Responde à bruta. Faz mais barulho com a loiça. Dá vontade de lhe prometer que nunca mais deixamos a casa desarrumada em dias que ela venha.
Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Código morse
Mas é mentira que quem corra por gosto não canse. Eu cá estou cansada. Mas não farta. Não. Ainda não estou farta. Na verdade, ainda não me apetece que a Madalena nasça. Tenho mesmo medo que não me venha a apetecer... (lá vêm as mães de capa e espada dizer que sou uma perdida).
A coisa é: nós damo-nos bem assim. Ela dá coices e eu sorrio. Eu faço-lhe festas e ela responde sempre com uma patadita. E assim vamos comunicando, várias vezes ao dia, num código de morse que só nós entendemos. Mais: ela aqui não chora. Não faz cocó. Não se constipa nem tem bronquiolites. Não tem de ser protegida dos arremessos dos irmãos. Não tem de ser alimentada, de 3 em 3 horas. Existe, eu amo-a, mas não dá trabalho. Enfim, é certo que já não me deixa dormir. E que me obriga a andar como uma pata choca. E me faz ter sono e muito pouca paciência para o mundo em geral. Mas mais nada.
E depois... eu adoro estar grávida. Ter esta barriga redonda, dura, cómica, com gente dentro. E será, em princípio, a última vez que estou assim. De modo que não. Ainda não tenho aquela vontade doida de a ter no colo. Começo a sentir curiosidade de lhe conhecer as feições. Perceber se é parecida com os irmãos, ver a reacção deles, dar-lhe beijinhos. Mas não estou como quando foi do Manel, em que não aguentava nem mais um dia sem o ver. Nem quando foi do Martim, que tinha sobretudo medo de não conseguir amá-lo tanto como ao primeiro, porque não sabia que o amor pelos filhos não se divide, antes de multiplica de todas as vezes que se repete.
Estou absolutamente segura de que a vou amar tanto como aos outros. Já sinto por ela uma paixão arrebatada. E, no entanto, acho que podia ficar cá dentro mais uns tempos, e comunicávamos assim, por pancadinhas. Ainda agora pus a mão na barriga e ela respondeu com um solavanco. E eu rio-me.
Uma grávida nunca se sente sozinha. Acho que é por isso que gosto tanto deste estado.
Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Piri-Piri
Fui à Piri-Piri, em Campo de Ourique. E tive vontade de comprar tudo! Tudinho. As roupas são o máximo, coloridas, irreverentes, com muita piada. Os miúdos vestidos com aquelas roupas parecem... miúdos. E não mini-adultos, mini-tecnocratas de sucesso, mini-homenzinhos.
Bom, mas agora tenho um problema.
É que comprei a camisola que se vê na foto ao Martim. A camisola tem um sapo e as pernas do sapo são em relevo e ficam penduradas. E ele gostou tanto, mas tanto, mas tanto... que não a quer despir. Quer levá-la para a escola todos os dias, quer dormir com ela, e até já pediu à minha mãe que lavasse os pezinhos aos sapo, porque estavam a ficar encardidos. Conclusão: acho que vou ter de lá voltar, para comprar a camisola do macaco ou a do cão ou a do elefante... talvez assim o convença a vestir outra, enquanto lavo a do sapo.
Se não conhecem a Piri-Piri... é começar já a dar corda aos sapatos. Vale mesmo a pena. E as coisas para os bebés? E para as meninas? A Madalena vai ficar um apetite com os vestidinhos. ;)
Rua Almeida e Sousa 39A (perto do Jardim da Parada), Campo de Ourique. Pode espreitar aqui.
Terça-feira, 21 de Abril de 2009
24 Horas
Depois de ter publicado esta história aqui no blogue, o jornal 24 Horas, onde há gente atenta, contactou-me. Tornei a contar a história e aqui está ela.
Eu não sei se o meu médico vai querer que o pai assista à cesariana. Ainda não falei com ele, será um dos temas a abordar na próxima consulta. Mas mesmo que ele não queira, sinto que terei ajudado outros pais a não ficarem de fora. Sobretudo quando há pais a quem a porta é aberta, por terem jogado hockey, por terem um nome sonante, por aparecerem nas revistas. Se o Ricardo puder estar ao meu lado, excelente. Mas continuarei muito feliz se souber que contribuí para que outros Ricardos possam participar num momento tão importante das suas vidas (assim o desejem, evidentemente).
Resta saber se as coisas vão mesmo mudar ou não. Mas em breve saberemos.
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Ainda a Cuf
"O Hospital está a desenvolver esforços no sentido de criar condições que permitam a todos os pais (que o queiram, naturalmente) assistir aos partos dos filhos, desde que não existam indicações médicas em contrário e caso o parto não decorra no bloco operatório."
Se tiverem relatos contrários a isto... façam o favor de me mandar emails a contar (sonia.morais.santos@gmail.com). Isto já não é só por mim. Isto é por todos aqueles que não suportam discriminações. E pelos que querem estar AO LADO (E NÃO COM A CABEÇA DENTRO DA BARRIGA ABERTA) das mulheres, naquele que será o dia mais feliz das suas vidas.
Ah. Antes de ir, só mais dois apontamentos, que decorrem de alguns comentários que me deixaram no post anterior:
1- Eu não vou fazer cesariana porque ache muito giro ter uma cicatriz nova. Nem porque não queira aguentar as dores de um parto natural. Infelizmente, a Madalena irá nascer, em princípio, de cesariana, porque já fiz outras duas cesarianas e porque, segundo o que me dizem os médicos, o risco de ruptura do útero talvez não compense as alegrias de um parto natural. As outras duas cesarianas que fiz também não foram por um qualquer prazer perverso que eu tivesse em ter as entranhas ao léu. A primeira aconteceu depois de ter estado em trabalho de parto, a soprar como devia, e a dilatar como devia, mas sem que o meu filho enorme se dignasse a descer para a porta de saída. A segunda cesariana foi feita porque o meu anterior obstetra me disse que depois de uma cesariana tinha obrigatoriamente que ser outra cesariana. E eu, apesar de jornalista, apesar de me considerar uma pessoa informada, falhei. Não ouvi outras opiniões. E acreditei na palavra do médico. É das poucas coisas da minha vida em que, se pudesse, adoraria poder fazer o tempo voltar atrás.
2- Não tenho nada contra quem tem crianças em hospitais públicos. Eu própria, se me rebentassem as águas e a criança me começasse a escorregar pelas pernas abaixo, iria seguramente ter com o Dr. Fernando Cirurgião ao São Francisco Xavier, cujas instalações, médicos e enfermeiros são excelentes. Mas em tendo de ser cesariana, e tendo um bonito seguro de saúde, desculpem lá mas prefiro escolher o conforto. Manias.
3- Algumas pessoas escreveram a dizer que acham bem que os hospitais não deixem os pais assistir às cesarianas. É a sua opinião, que respeito. Mas o meu post não era sobre isso. Serei a primeira a respeitar um hospital (ou outra instituição) que crie uma regra, desde que ela faça sentido, que esteja devidamente justificada e, mais importante ainda, que seja para TODOS. O meu post não era uma birra contra o facto de o hospital não aceitar que os pais assistam às cesarianas. O meu post era - é - uma indignação contra as regras que só servem a alguns. Estando outros (supostamente só porque são Vips) livres de a cumprir.
4- Houve uma pessoa que disse que achava bem que os pais não pudessem assistir às cesarianas porque eram uma cirurgia e porque, de hoje para amanhã, estava o maralhal todo a assistir a cirurgias ao coração e aos rins e ao fígado. Eeeeerrr... Ora bem. Entre uma coisa e outra, parece-me a mim, há grandes diferenças. Uma cesariana, apesar de ser uma cirurgia, não se realiza porque há uma doença. Realiza-se para o nascimento de um filho. Que é, deve ser, uma alegria. E uma alegria que não é, não deve ser, só da mãe. Em princípio é uma alegria de duas pessoas. Uma mãe e um pai. Duas mães. Ou então uma mãe e uma avó, no caso de não haver companheiro(a) que partilhe a parentalidade. Sinceramente, acredito que começa aí, nessa discriminação do pai, um processo que vem de longe. De deixar os pais noutro campeonato, no que toca à parentalidade. E o nascimento de um filho é, quanto a mim, um momento de partilha. Em que dois se tornam três. E, sendo cesariana ou não, sou da opinião que devem estar os três juntos nesse momento único. Que não se repete. E que muda tudo.
Segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Ser VIP ou não ser, eis a questão
O Martim, meu filho mais novo, nasceu na Cuf Descobertas. Só tenho a dizer bem. É um verdadeiro hotel 5 estrelas. Quando mudei de médico, agora da gravidez da Madalena, estava toda triste porque achava que ele não fazia partos na Cuf Descobertas. E fiquei felicíssima quando soube que, afinal, ele fazia.
Escrevi então ao hospital. Perguntei se não teriam mudado a política de não deixar os pais assistir a cesarianas. Já tenho uma certa tristeza por ser cesariana, gostava ao menos de ter o meu homem ao meu lado num dos dias mais importantes da nossa vida.
Recebi então um email a dizer que sim, era a política da casa, "não podemos abrir excepções".
Só que, na mesma semana em que recebi esse bonito email, comprei uma revista cor-de-rosa que, na capa, trazia a notícia do nascimento de Karen (ex-Jardel) e Filipe Gaidão. O bebé nasceu de cesariana, na Cuf Descobertas e... surpresa das surpresas, o pai assistiu.
Fiquei possessa. Sei que há outros VIPs para quem foi possível "abrir excepções". Enviei um email para o gabinete do cliente. Mas nem se dignaram responder.
Estou chocada. Palavra de honra que estou.
O que é preciso para ter o pai ao lado, em caso de cesariana, na Cuf Descobertas? Aparecer na Caras? Ser colunável? E para isso é preciso o quê? Ter casado primeiro com um jogador de futebol e agora ser mulher de um ex-hoquista?
Por isso, deixo o desafio: se tiveram bebés de cesariana na Cuf Descobertas e o pai teve de ficar cá fora, comentem. Zanguem-se. Sintam-se discriminados. Como eu. Passem a palavra, a ver se encontram mais gente a sentir-se assim. Talvez possamos todos pedir o livro de reclamações ao mesmo tempo. Porque se não há excepções para uns, não pode haver para outros. Ou não é?
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009
Quando uma sogra é uma sogra
Liguei de manhã para saber como tinha corrido a noite. Lembro que o Martim nunca dorme uma noite inteira e aparece, sucessivamente no nosso quarto, uma, duas, três, seis vezes por noite. Então, preocupada, fui saber. Do outro lado da linha, a resposta:
- Dormiram os dois lindamente, a noite toda seguidinha, até às 9.30 da manhã. Está a ver?...
Aquela frase, seguida daquele "está a ver?" teve o efeito de me ferver o sangue nas veias. Era capaz de jurar que sentia queimar. Ainda respirei fundo mas foi mais forte que eu:
- Ah sim? Óptimo! Se calhar dormem aí outra vez esta noite. Se calhar até fazíamos outra coisa: ficava com o Martim a viver aí em casa. Hum? Que tal?
Não há nada a fazer. Há momentos em que uma sogra é mesmo isso: uma sogra. E uma mãe-loba é só isso: uma mãe-loba, com as vísceras às voltas porque alguém pôs as suas competências únicas em causa. Há que respirar fundo e pensar em todos os outros momentos, em que as sogras conseguem ser gajas porreiras.
Terça-feira, 31 de Março de 2009
Voltei
A vida não anda fácil.
Trabalho que nem uma moura.
Na Time Out.
A preparar uma reportagem de uma hora para a Antena 1.
A escrever para as Selecções do Reader's Digest.
E para a Pais & Filhos.
E ainda (last but absolutely not least) para uma revista nova, que não tarda sai com um novo jornal.
Ah.
Pois.
E tenho 2 filhos.
Pequenos.
E uma barriga.
Grande.
Notícias recentes?
Há duas semanas fui a conduzir até às urgências do hospital, com um ataque de asma.
Cheguei, recebi oxigénio, desmaiei na sala de espera.
Um espectáculo.
Quando me foram apanhar, os enfermeiros perguntaram: Há quanto tempo não come?
Xinamen! Não comia há nove horas.
Pois.
E mais?
O Martim, o meu filho mais pequeno, continua a fazer-nos levantar da cama 10 vezes por noite. Quer dizer, eu, rotunda, já nem me levanto. Caguei. Ele aparece na nossa cama e das duas uma: ou o pai consegue acordar e levá-lo ou então fica. Que se lixe. Eu é que não posso, que estou grande, pesada e exausta. O pai acorda sempre e leva-o. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Normalmente à quarta caga também. E o puto fica. E a gente dorme com pés na cara, cotoveladas e cabeçadas a torto e a direito. Resignamo-nos.
No outro dia, na semana passada, apareceu às seis da manhã. Nada de estranho, se não tivesse aparecido de trotinete. Sim. O puto apareceu no nosso quarto montado na trotinete. Desmontou, trepou para a cama e ferrou a dormir. Enfim... veio de transportes.
De modo que é isto.
Não tenho conseguido cá vir.
Também pintámos o quarto dos rapazes e o quarto da Madalena. Eu cheia de contracções, de rolo na mão, zás e bumba, zás e bumba. Ficaram bonitos. Eu é que mais ou menos. Comecei a andar como uma patachoca - bombordo, estibordo, bombordo, estibordo - não tanto pelo peso da pança mas mais pelas dores na zona púbica... É lixado o que a oxitocina pode fazer nos nossos ossos e articulações.
Mais?
Nada.
Os miúdos estão de férias. Ora em casa da avó materna, ora em casa dos avós paternos.
O Manel descobriu o rádio (desaparecido há meses) que a prima lhe tinha oferecido, com auscultadores, e ficou radiante porque assim já pode "ouvir as notícias".
O Martim continua a repetir "Sexo" e "sexual", e confidenciou que tem uma namorada: a Marta, coisa de que já desconfiávamos, se bem que nos parece que a sua fidelidade nada terá que ver com a do irmão, eternamente apaixonado pela Patrícia, mesmo que ela não lhe ligue peva. O Martim beija raparigas nas revistas. Beija bonecas nos desenhos animados da televisão. Beija mulheres louras, morenas, quase todas giras. "Vou beijá-la", diz. E espeta beijos em tudo.
E é isto, pessoas.
Mais coisa menos coisa é isto.
Desculpem a ausência. Vou tentar vir cá mais vezes, que é para isso que não me pagam.
Agora vou ali ver uma série qualquer de crimes e investigadores e pistas invisíveis. Devo demorar uns 5 minutos (10, vá) a adormecer. Pelo menos hoje sei que o Martim não vai aparecer na nossa cama. Nem a pé, nem de trotinete, nem de patins. Ficaram a dormir na avó, já que amanhã também iam para lá. A ver se ainda sei dormir toda a noite. Como as pessoas.
Domingo, 22 de Março de 2009
Quinta-feira, 12 de Março de 2009
CREDO
Agora... rebarbados a babar e a lançar obscenidades tipo comia-te-toda-ó-boa-a-ti-e-a-essa-barriga-deves-gostar-pouco-deves e outros mimos que não se podem publicar nem aqui nem em parte nenhuma... não entendo e faz-me parar a digestão. MAS O QUE É QUE QUEREM, PESSOAS PORCAS E COM O CIO? NÃO PERCEBEM QUE ESTOU OCUPADA? QUE NÃO VOU ALINHAR EM NENHUMA CENA MALUCA ATRÁS DE UM AUTOMÓVEL COM ESTA PANÇA?
CREDO.
Terça-feira, 10 de Março de 2009
Precocidades
Sexual, sexual, sexual!
Ter um miúdo de quatro anos a gritar isto pela casa, quando em casa há visitas, é no mínimo constrangedor.
Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Carta à Nonô, d'A Viagem da Cegonha
Durante nove meses, acompanhei o teu crescimento. A ansiedade dos teus pais. O nervoso miudinho da tua avó materna. A felicidade dos amigos mais próximos.
E finalmente, hoje, às 9.01 da manhã, nasceste. Deste trabalho à tua mãe, mas ela portou-se como todos sabíamos que se ia portar: como uma valente. E agora aí estás, linda e cor de rosa, 2990 kg de gente, pronta para o mundo.
Bem-vinda, Maria Leonor. Espero acompanhar-te ao longo dos anos. Espero seguir os teus passos, desta vez sem microfones por perto. E estarei por aqui, sempre que precises. Foi um prazer estar por perto enquanto te formavas, será um prazer estar por perto enquanto cresces.
Espero que sejas muito, muito feliz.
Terça-feira, 3 de Março de 2009
Desavença familiar



Eu queria ter um cão destes. A raça é Cavalier King Charles.
Os meus filhos adorariam ter um cão.
Mas o meu homem só diz: Não.
Nem ai nem ui.
Só Não.
Estou tentada a oferecer-lhe um cachorro. Sempre quero ver se o devolve.
Ou então vou fazer terrorismo, mostrando fotografias dos ditos aos meninos. "Querem, querem, querem? Peçam ao papá..."
Chato isto de termos de decidir coisas em conjunto.
Chato mesmo.
Mais uma do Hotel Babilónia (Antena 1, 10h-12h)
Está mal disposto? Chateado com a vida? A sua semana é, toda ela, uma segunda-feira cinzenta? Oiça isto e pronto. É sábado de sol outra vez.
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Hotel Babilónia
Pedro Rolo Duarte (o mestre) e João Gobern (outro grande querido, cá beijinho) inauguraram, sábado que passou, o Hotel Babilónia, na Antena 1. O programa pode ser ouvido todos os sábados, das 10h às 12h, e vale muito a pena. A cumplicidade dos dois está lá, o jeito para as conversas está lá e, como não podia deixar de ser, a boa música está lá também. E a produtora é a Joana Jorge, que é a mesma que trata tão bem d'A Viagem da Cegonha, e de quem só se podem esperar bons trabalhos.
Em relação à música, este The Bird and The Bee, com My Love, é um delicioso exemplo.
Um presente
"[...]Mas não quero morrer num só lugar. Não posso acabar todo inteiro num único lugar. Já tenho os sítios onde irei morrer, um bocadinho em cada um.", in Mar me Quer, Mia Couto



