sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Facebook

Há alturas em que o "Gosto disso" do Facebook é praticamente obsceno.

António Feio: 1954-2010


Hoje fui fazer uma caminhada, às 7.30 da manhã. A brisa fresca bateu-me nos cabelos, o sol recém-nascido no céu, a cidade quieta, ainda. E eu sem conseguir deixar de pensar que o António nunca mais vai sentir uma brisa assim, nos cabelos, nunca mais vai ver o sol nascer ou pôr-se. Não vai sentir o cheiro da maresia, nem a chuva a cair nas pálpebras e no nariz, nem assistir ao princípio do bulício de um dia de semana. O António não vai voltar a rir com os amigos, não vai ter dias sim e dias não, não vai abraçar aqueles de quem mais gosta.
E, ao mesmo tempo que caminhava, junto ao rio, foi-se-me formando um nó na garganta, tão grande. A minha agenda de jornalista começa a ficar demasiado cheia de gente que já não vai sentir nada disto. Tenho demasiados nomes na minha lista que não vão atender o telefone, se eu ligar para os seus números. Porém, não os apago. Sou incapaz de os apagar.
Envelhecer é isto. Ver morrer gente que crescemos a admirar, ver morrer aqueles que nos fizeram rir, aqueles que nos são próximos, os familiares, os amigos. Envelhecer é terrível por causa disso, também por causa disso.
Como dizia alguém (não me lembro quem, mas até acho que foi o Raúl Solnado, outro nome na minha agenda para quem não adianta ligar) "eu não tenho medo de morrer, tenho é pena". É isso mesmo. Tenho pena, tanta pena que tenhamos de morrer. Sobretudo quando acontece assim tão cedo, como aconteceu ao António Feio. 55 anos. Uma luta feroz contra um cancro feroz. Tenho muita pena. Viver é demasiado bom para que tenha de acabar. E digerir isto é a tarefa mais dura da minha vida.

quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Obrigada tia João, tio Nuno, António e Pedro


Fico tão, tão, tão deliciosa...

Almoço

Gosto de almoçar convosco, gajas. Às vezes estamos que tempos sem nos sentarmos todas e é sempre como se tivéssemos estado juntas ontem. As nossas histórias encaixam bem umas nas outras, a passagem de uma cusquice para outra resulta na perfeição, como um puzzle, e rimos sempre muito e esquecemo-nos do tempo, que passa.
Foi bom almoçar convosco, como sempre.
Agora reencontramo-nos no Algarve. Está combinado.


P.S: O Diário de Notícias trouxe-me tantas coisas boas... trabalho, o meu homem, vocês... (não, não estou grávida, podem respirar de alívio. É lamechice da idade mesmo)

Oftalmologista

Gostei muito do professor Eugénio Leite. Simpático, a explicar tudo devagar, credível, e com uma maquinaria-de-ver-olhos verdadeiramente impressionante. A certa altura, ficou um pouco preocupado: "A menina tem os nervos oculares muito apagados... algo que só seria suposto aí aos 50, 60 anos. Vamos fazer dois exames, para percebermos se isso tem que ver com os medicamentos que tomou para a asma, que é possível, ou se há algum problema recente de má vascularização."
Ui. Olhinhos de avó e o medo de que as veias estejam a irrigar mal a coisa. Medo.
Fui então para uma primeira máquina xpto, que analisaria o meu campo visual. Tinha de olhar para um ponto vermelho e carregar numa campainha sempre que visse surgirem, em redor, pontos de luz branca. Umas vezes era fácil, eles eram grandes. Outras vezes era um pavor. Porque a máquina fazia um barulho característico sempre que um dos pontos aparecia e muitas vezes eu não os mirava. Estive ali imenso tempo, como que a jogar um videojogo. As senhoras examinadoras não sabem mas, muitas vezes, quando caçava um ponto de luz, carregava na campainha e pensava "Ha-Ha! Cacei-te!" É triste como um adulto se põe a brincar aos disparos com um aparelho de exames oftalmológicos. Mas, vá, tenho a desculpa de ter estado praticamente 2 horas à espera.
Depois dessa máquina, que me deixou a ver luzinhas durante bastante tempo, passei para uma que me analisou a retina. Uma espécie de TAC ao olho.
No final, o professor disse que a minha velhice prematura dos nervos oculares não tem que ver com má vascularização, que será um defeito de fabrico ou - muito provavelmente - o resultado de muitos medicamentos para os ataques de asma. Que bom. Não me bastava ter mãos de velha (como alguém, anónima e tão simpaticamente, referiu aqui), agora também tenho olhos de velha. Canário!
Disse ainda para não abusar das lentes de contacto, para colocar lágrima artificial sempre que as tiver, para ir amadurecendo a ideia de operar a laser (uiiiii... vai ter de ser um amadurecimento looooongo), e para passar bem.
A consulta era às 19h. Saí de lá às 22h. Mas mais descansada. Não tenho a pressão elevada, as minhas dioptrias mantêm-se, não tenho nenhuma doença que me vá cegar (um hipocondríaco pensa em tudo). Ok, os meus olhos já chegaram à terceira idade. Talvez seja porque já viram muitas coisas. Eu, pelo menos, gosto de imaginar que é por isso.

quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Uma hora e meia de espera?

É bom que o oftalmologista seja espectacular e tenha visão raio-x e olhe nos meus olhos como ninguém!
Estou a ficar mesmo muuuuuuuito farta de estar nesta sala de espera.

Ok, this is it

A partir de hoje, acabou-se.
Apareceu por aí uma anormal que se dedicou a insultar algumas das pessoas que comentam, aqui no blogue. E uma coisa é virem para aqui insultarem-me a mim, que estou muito acostumada a lidar com a miséria humana no seu mais profundo esplendor. Outra coisa é virem para aqui ofender outras pessoas. É de uma pobreza infinita. De uma falta de educação e de chá que dá pena.
Por isso, a partir de hoje acabou.
Não entra mais nenhum comentário idiota. Nem os vou ler por inteiro. Vão logo com os porcos, que vai ser uma alegria.
Mas essas pessoas, que garantem odiar este blogue mas persistem em voltar para ofender, deviam seriamente procurar ajuda. Há tanto bom psicólogo, tanto bom psiquiatra. A sério. Há por ai gente a precisar urgentemente de ajuda. Mas aqui não vao aparecer mais, que eu não tenho formação para as ajudar. O botão que vos apaga vai começar a trabalhar.
Adeuzinhoooooo!
Ah e... get a life! Please get a life.

E agora...

... vou ali entrevistar crianças e depois vou ao oftalmologista (finalmente) e depois devo ir ao El Corte Inglés e de maneiras que é isto.

Flores


Não é dia de nada. Mas apeteceu-me.
Sempre mandámos ramos de flores um ao outro, sem ser preciso ser dia de qualquer coisa.
Gosto de te enviar flores para o emprego, para ficares com aquela cara embaraçada, sem saber o que dizer quando os colegas comentam.
Gosto de ti, já sabes.
E gosto de rosas. Vermelhas. Cheias de vida e de paixão e de boas energias. Como nós dois.

Carlos do Carmo


Esta é a canção mais bonita de sempre. A letra de Ary dos Santos, e esta voz... esta voz dá cabo de mim. Oiço esta canção desde pequenina e desde pequenina que me comovo, mesmo quando ainda não tinha idade para me comover. Ainda hoje me comovo.
Gosto tanto do Carlos do Carmo. Já conheci muitas pessoas, muitas figuras públicas. Em 15 anos de jornalismo... é possível imaginar. Mas não houve ninguém que gostasse tanto de conhecer como o Carlos. A primeira vez que o conheci foi numa entrevista que lhe fiz, em 1997, ao mesmo tempo que jantávamos, no Gambrinus. Do Gambrinus fomos para o Snob. E às seis da manhã ele foi levar-me a casa. Podem imaginar o que é para uma miúda ser levada a casa pelo... Carlos do Carmo? Uau! Nem dormi.
É outra das riquezas da minha escolha profissional. Conhecer pessoas fascinantes. A maior parte delas são as do povo, as que não são figuras públicas mas que têm tanto para ensinar. Mas o Carlos... o Carlos é um encanto. E esta Estrela da Tarde... perfeita.

Apartamento em Tavira


É um T1 muito queridinho e fica na parte mais gira do Algarve (pelo menos é o que eu acho).
Está ocupado de 7 a 21 de Agosto e de 4 a 11 de Setembro. De resto, está livre para quem o queira arrendar.
O link, com mais informações, está aqui mesmo ao lado, na parte direita do blogue, onde se lê "Aluga-se apartamento algarve".

terça-feira, 27 de Julho de 2010

Anos dourados


Já esta canção... transporta-me para um tempo fabuloso da minha existência. Era livre que nem um passarinho e estava a descobrir tudo. 1997 e 1998 foram dois anos de experiências espectaculares. Não trocava estes anos por aqueles, mas adoro lembrá-los.
Estou um bocado melancólica hoje... Serão efeitos secundários da dieta? Para a semana, nova conversa com a nutricionista:
- Olhe, eu ando um bocado nostálgica... acha que é da falta de hidratos?

Rodrigo Leão - Alma Mater


Esta música traz-me más recordações. Péssimas recordações. De um tempo, na minha vida, tão mau, tão mau, que me faz doer o coração. Mas é tão bonita que a estou a ouvir em repeat, a ver se a liberto desse período negro e a encho de bons momentos. Uma música destas não merece estar presa a memórias tristes. Que génio que é o Rodrigo Leão! Canário, que génio.

Palavras que eu odeio #3

Sim. Sem dúvida. Já aqui a escreveram e eu também odeio essa palavra:
Esporra.
Esporrar.
É feio que dói.
Mas ejacular também não é muito melhor. Quer dizer, bom há-de ser. Mas nem sempre as palavras que definem uma coisa boa são boas também.

Vestido de praia


Ele é mil vezes mais giro ao vivo. É lindo, lindo, lindo. Foi mamãe que ofereceu. Compradinho numa praça, perto da casa de férias. A ver se no domingo vou lá arrecadar mais alguns a dez aérios.

Conversa entre nutricionista e paciente

- Então e dúvidas, questões que me queira pôr?
- O meu marido diz que esta semana estive com um humor insuportável. E o pior é que é verdade.
- Ah, mas isso não tem nada a ver com o nosso regime!
- Eeer... quer dizer... vamos lá ver. Imagine que a doutora era um animal feroz, com uma fome insaciável. Imagine que gostava de comer coisas super-hiper-mega calóricas. Batatas fritas, febras, chouriços, queijos vários, vinho. Sim, eu sei que a doutora não aprecia, sorte a sua. Mas imagine. Faça lá um esforço. E agora imagine também que tem amigos lá em casa, ou tem festas fora, todos os fins-de-semana. E que eles comem, à sua frente, todas essas coisas gordurosas e lindas. Já imaginou? Então agora imagine-se a comer uma sopa. Uma mísera sopa. Imaginou? Pois bem, wellcome to my world. Acredite: se fosse eu estaria com um péssimo humor.

Sylvian & Sakamoto - Forbidden Colours


Cada dia que passa gosto mais disto.
Amo Sakamoto. E esta com David Sylvian é absolutamente genial.

Shrek


Fomos ver ontem.
Divertido.
Qualquer semelhança entre eles e nós... é pura coincidência.

segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Malta: leiam bem as regras dos passatempos...

Maltinha, eu sei que vocês lêem isto a correr, enquanto estão nos vossos bonitos empregos, e fazem bem que isto é um blogue, não é para ler com vagar... mas se não cumprirem as regras não ganham o passatempo, e eu ia ficar destroçada de receber os vossos lindos poemas e frases e depois não os poder considerar...
Maltinha, novamente: o tema da frase/poema/whatever é: porque é que se acham merecedores de ganhar um jantar para duas pessoas. Convençam-me, a mim e ao Água e Sal, que merecem ganhar. Isso e incluir as palavras "Água e sal" e "fralda". E, claro, fazerem-se amigos do restaurante Água e Sal no Facebook.

Vá. Boa sorte. Têm até domingo, dia 1 de Agosto, até à meia-noite.

Alguém sabe...


... se estas sandaluchas da Fly ainda se vendem ou se este modelo, como não é deste ano, já não se encontra em lado nenhum?
É que são as minhas preferidas e estão a partir-se ao meio não tarda. Têm uma racha gigantesca a meio, e o mais certo é, um dia destes, ir a andar e ficar com metade do sapato perdido no caminho.

Pés de princesa


Já sei, já sei. Que tenho mãos de velha e pés de ainda mais idosa e não sei quê. Mas os meus pés viraram pés de princesa com este creme. A sério, é quase um milagre, senhores! Um pedacinho do novo creme gordo Vasenol e os pés parecem a pele de um bebé. E não ficam insuportavelmente engordurados, como outros que já experimentei. Estou rendida.

1,5kg

Ontem à noite, a minha querida amiga D., que não me via desde o dia 22 de Maio, gritou assim que me viu: "Mas o que é que tu andas a fazer que estás esquelética??? (claro que o esquelética era uma força de expressão). Não sais desta festa sem me contares tudo!!!".
A D. é uma boa amiga, e boa pessoa, que há quem nunca diga que estou mais magra, mesmo quando salta pelos olhos dentro.
Bom, mas hoje veio a boa notícia. Esta semana perdi 1,5 kg! E não, não fiz nada de diferente das outras semanas, pelo contrário: esta semana cometi o meu primeiro "pecado". Sexta-feira sentia-me tao mal, tao mal, que comi um pão ao lanche! O resto foi igual. Mas a gordura, lá está, demora a sumir-se em termos de peso. Claro que já uso várias calças que há muito não me serviam. Mas ver aquele número descer é lindo!!!
E sim, meus meninos (private one), nas férias o meu martírio vai continuar! Eu acho mesmo que nunca estive tão determinada a fazer alguma coisa como agora. E se aguentei, até aqui, o que tenho aguentado (este fim-de-semana foi uma verdadeira tortura), então estou preparada para o senhor N.C., a mais dura prova da minha existência! :)

Babel


Deitei-me eram 3.20 da manhã, hora a que terminou, na TVI, o filme Babel, de Alejandro González Iñárritu. Já o visto, já o tinha achado fabuloso mas acho que ontem ainda fiquei mais siderada. Que filme! Fantástico, fortíssimo, precisamente o tipo de filme que eu gostaria de realizar, se fosse realizador. Perfeito.

Dia dos Avós

Eles dão carinho. Dão rebuçados, colo, fazem brincadeiras e fazem as vontades. São benevolentes, generosos, são pais duas vezes. Os avós são uma peça importante na vida das crianças e devia ser obrigatório, por lei, que todas as crianças tivessem a presença dos avós nas suas vidas (estamos a falar, evidentemente, dos bons avós, daqueles que amam, que cuidam, que querem estar na vida dos netos).
Os meus filhos têm a sorte de poderem estar com três dos quatro avós. Há um que não quis estar presente mas eles têm, sobre ele, a melhor, a mais fantasiosa, a mais extraordinária das impressões.
- Se calhar ele agora está na China! - dizia-me ontem o Manel.
- Se calhar... - respondi.

Eu conheci todos os meus avós. Dois foram cruciais no meu crescimento, os outros dois não. De todos, a minha avó Isaura foi a mais importante. Deu-me colo, deu-me mimo, deu-me conselhos, foi companheira, cúmplice, fazia-me (vezes demais, avozinha, mas foi tão bom) bifes com batatas fritas. Quando ela morreu senti um vazio enorme. Senti-me muito só. Durante meses conseguia ouvir a chave dela a rodar na fechadura por volta das 9.30 da manhã. Ia sempre a correr até à porta. Mas não era ninguém.

Hoje é Dia Internacional dos Avós. Quem os tem, aproveite-os. Que não duram sempre.
Um dia para lembrar, também, os avós que são vítimas da alienação parental. Quando um casal se separa e um dos progenitores afasta, deliberadamente, o filho do outro progenitor, os avós de um dos lados também sofrem. Muito. Porque são apanhados no meio de uma guerra para a qual não foram tidos nem achados. E perdem o contacto com os netos, que são a sua alegria. Muitos perdem mesmo a vontade de viver. Não há nada mais triste. E injusto.

Hoje é Dia dos Avós. Hoje vou pensar ainda mais na minha avó Isá. E agradeço (ainda mais) pelos três avós que os meus filhos têm a sorte de ter.

Este blogue vai mudar ligeiramente

Não, não vai deixar de ser verde.
Nem vai passar a chamar-se cocó no penico.
Vai mudar, pronto. Por dentro. Nos conteúdos.
Mas talvez não fique mau de todo.
Se ficar uma porcaria, o que vale é que há imensos giríssimos por essa blogosfera fora.
A ver vamos.

domingo, 25 de Julho de 2010

Passatempo Restaurante Água e Sal



Ora cá está mais um bonito passatempo do Cocó, desta vez em parceria com o restaurante Água e Sal, no Parque das Nações. A ideia é oferecer um jantar para duas pessoas, ao autor da mais gira frase ou quadra ou poema ou romance de 670 páginas, enviado para o email cocofralda@gmail.com. Mas, desta feita, não basta escreverem uma coisa gira. Têm de nos dizer porque é que acham que merecem ganhar este jantar. Convençam-nos de que são, realmente, os maiores merecedores de passarem uma noite a dois inesquecível. Nessa frase/quadra/poema/romance de 670 páginas só terão de incluir as palavras: "Água e sal" e "fralda".
E mais uma tarefa, sem a qual não poderão vencer, ainda que a vossa frase seja a mais espectacular que já lemos na vida: têm de se tornar amigos do restaurante Água e Sal, no Facebook.

O restaurante fica em frente ao Jardim das Ondas, em frente ao rio, no edifício do Oceanário, e é muito, muito giro.
O menu poderá ser escolhido pelos vencedores, que só terão de pagar as bebidas. Além da refeição, o restaurante ainda tem o prazer de oferecer uma flute de sangria de espumante com frutos vermelhos, como aperitivo.

O passatempo termina no próximo domingo, dia 1 de Agosto.

sábado, 24 de Julho de 2010

Amanhã, domingo, na Notícias Magazine

Marcelo Rebelo de Sousa, Isabel Alçada, Carlos Monjardino, Inês Pedrosa e José Luís Peixoto falam sobre os seus brinquedos de infância (ao lado dos quais foram fotografados). A não perder.

sexta-feira, 23 de Julho de 2010

O comentário mais divertido, ever!

"Não é Jesus que está zangado com o Martim. É a mãe do Martim que está mais preocupada com a sua própria apresentação física do que com o bem-estar do Martim. Por favor, trate-me bem essa criança. Cuide dela a 100%. Não permita que a criança sofra mais."

Gostaram? Portanto, a puta da mãe da criancinha (eu) anda a ver se fica boazona (só pode ser uma puta, em vez de se deixar abadochar como qualquer mãe que se preze anda a ver se fica gira, a nojenta!). E de tal modo anda obcecada que deixou dois vírus entrarem nos ouvidos da criança (devia estar a pôr creme na barriga quando os vírus entraram), deixou que a criança fosse buscar um pacote de bolachas em cima do fogão, encostando a barriga ao forno (em vez de estar 24 sobre 24 horas a olhar para a criança, devia andar a pesar-se, a puta!), e ainda permitiu que as melgas picassem o menino - a grande vaca devia estar a lavar a alface enquanto as melgas devoravam o filho!

A sério... estas pessoas existem! Andam por aí, no meio da rua... e pensam, realmente, estas coisas...
Às vezes perguntam-me porque é que dou espaço a estes anónimos, porque é que não apago, simplesmente, as coisas que eles escrevem. Não o faço, juro, para que vocês, gente saudável, percebam que estas pessoas existem. E têm esta mentalidade. Como quando fui 10 dias para as Maldivas e me acusaram de ser uma porca, má mãe, que abandona os filhos para ir namorar com o marido (ahhahahaahahah!). Estas pessoas acham mesmo isto. E eu fico sempre tão fascinada, mas tão fascinada, que acho que os outros também têm de saber. Aprender. Enriquecer-se com isto. Porque o mundo também tem gente desta. E é importante saber disso.

E agora vou deixar o meu filho... tropeçar e partir os queixos (lagarto-lagarto-lagarto) enquanto bebo 1,5 l de água. Pobre criança... A sofrer horrores porque a mãe está preocupada em virar a Angelina Jolie do Parque das Nações... e ninguém chama a Comissão de Protecção de Menores?

quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Jesus, porque me abandonaste?

Depois de duas otites, de uma queimadura de 2º grau e de ter sido devorado por melgas (com consequente reacção alérgica e bolhas do tamanho de bolas de golfe por todo o corpo e que lhe taparam um olho), o meu filho Martim disse, com um ar absolutamente miserável: "Eu acho que Jesus está zangado comigo."

É assim que se vira ateu.

A mãe do H.

Há bocado conheci uma mãe fantástica. Uma força da natureza. Que lutou e lutou e lutou pelo seu ideal, por uma ideia feita que tinha e que não resultou. A luta dela fê-la sofrer à brava. Meteu sangue, suor e lágrimas. Literalmente. E fê-la aprender uma grande, enorme lição: no que toca à maternidade, não há teorias infalíveis. Há caminhos. Que se vão traçando e alterando, conforme corre a viagem. E que ser mãe não é o mesmo que ser aluna de uma cadeira da faculdade, onde se têm boas ou más notas. É outra coisa. Imprevisível. E por isso, também, fascinante.
Adorei conhecer a M. Giríssima, bem disposta, saudável. Com uma capacidade vibrante de comunicar, de verbalizar o trauma por que passou.
Mais uma vez, depois de duas entrevistas para uma reportagem (a ler brevemente, em Agosto, na revista Nótícias Magazine), termino o dia com a mesma sensação boa de que não havia absolutamente mais nada que eu quisesse fazer na vida. Conhecer gente e histórias é a melhor coisa que há.

Bôôôa!

No dia a seguir a ter-me pesado e a não ter visto o ponteiro andar para trás, mandei uma mensagem ao Dr. Pedro Choy, a dizer que estava a perder imenso volume, que era uma coisa mesmo visível, mas que o peso estava a ir devagar, o que me frustrava.
Recebi uma mensagem dele, hoje, onde me dizia que é mais importante perder volume que peso. Que a gordura é mais leve que o músculo e que, no método dele, não se perde nem músculo nem água, só mesmo gordura. E que o peso acaba por ser reduzido, mas leva mais tempo. E em termos de volume, 7 cm num mês e meio, era perfeito.

Estou convencida. Em termos de perda de massa gorda, a percentagem é enorme.
Gente, estou satisfeita! Vamos lá embora! Continuar com juizinho, que nada se consegue sem esforço. Já tentei várias vezes, acreditem. E sem esforço só se conseguem ilusões. Que passam num instante. Não realidades duradouras.
Por isso estou em crer que é desta que vou ficar bôôôôa, bôôôôôa, bôôôôa, não comó milho mas comó chocolate, que é muuuuuito melhor.

Vamos outra vez para aqui, vamos, vamos, vamos?






Ai, Anantara, Anantara... Como eu fui feliz aqui...
Mas prontosssss... agora vou ali a Campo de Ourique fazer uma entrevista, que é praticamente a mesma coisa.

Obrigada tia Rute, tio João, Pedro, Mariana e Francisco


Ainda não tinha agradecido este miminho fantástico porque, como são grandes para pequena Mada, e tenho de os trocar, estavam ali guardados e fugiram-me da mona. Mas obrigadaaaa! Amei!

Diet report - centímetros perdidos

Cintura: 7 centímetros
Ancas: 7 centímetros
Coxas: 5 centímetros (e eu a achar que as minhas pernas eram magras... afinal, também elas se somem)

Estes são os meus centímetros perdidos. Perdi-os e não os tenciono encontrar. Se os virem... deitem-lhes a língua de fora. Vou continuar a perder mais uns.

Careful what you wish for

Estava aqui em casa, mole, ao almoço, quase sem forças para pegar nos talheres (cheira-me que isto é o meu corpo a gritar por hidratos). E pensei: Não me apetece nada, nada, nada ir entrevistar crianças... nada, nada, nada.
Pois toma lá que já almoçaste! Cheguei ao A.T.L. e não estava lá nenhum dos meninos que já têm autorização dos pais para falar comigo. Estão de férias!
Aiiiiii! E eu a precisar tanto!
É bem feita para não ser preguiçosa e queixosa e parva. Tanto mimimimimimimi, não me apetece, ai não sei quê, que agora olha... amanha-te.

Bola

A Madalena viu-me nua. Olhou para as minhas maminhas e disse:
- Bola!
Eu ri-me. E ela:
- Bola-bola-bola-bola-bola!
Quando contei aos rapazes estiveram uns 10 minutos a rir.

Agenda

11h - Entrevista para uma reportagem na Notícias Magazine (a sair em Agosto)
14.30h - Sessão de entrevistas para o Portugal dos Pequeninos
18h - Entrevista para uma reportagem na Notícias Magazine (a sair em Agosto)

Faltam duas semanas e meia para as férias.
E ainda tanta coisa por fazer.

Se calhar dispenso o barquinho, obrigada



Um fotógrafo conseguiu captar o momento em que uma baleia saltou por cima de um veleiro, na África do Sul.
Há-de ter sido uma coisa jeitosa, sim senhor. Ninguém ficou ferido mas os senhores do barco devem ter feito, pelo menos, um xixizinho pelas pernas abaixo.

Rapazes

Ontem fomos jantar à casa de férias da minha mãe. Não víamos os miúdos há 3 dias e pareceram-nos maiores, que coisa parva. O Manel está mesmo um rapagão bonito, com a sua voz rouca e os trejeitos adolescentes, apesar dos 8 anos. O Martim está grande, giraço, mas numa maré de azar. Primeiro foi uma otite, seguida de uma segunda otite (ainda está a antibiótico). Depois foi a queimadura de 2º grau no forno. E ontem à tarde, durante a sesta, foi literalmente devorado pelas melgas. O problema é que ele faz uns caroços do tamanho de bolas de golfe em cada picada. De maneira que estava todo aos altos, um no olho, outro na cara, outro na anca, outro no braço. E com muita comichão e choro e desespero à mistura. Tivemos de ir comprar Atarax para aquilo melhorar e para ele conseguir descansar, que estava mesmo de todo.
Pobre bichinho. A queimadura também faz impressão. A barriga em carne viva faz doer o coração. Adormeceram comigo de mão dada. Depois viemos embora. Agora só voltam para casa no sábado. Mas estão super felizes na casa da avó.

quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Este domingo, dia 25...

... a não perder a revista Notícias Magazine. Saibam quais eram os brinquedos de eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, Isabel Alçada, Carlos Monjardino, Inês Pedrosa e José Luís Peixoto.

E eu que achava que o meu homem era um negociador do caraças... oh, filho, tu põe os olhos neste rapazinho

"Um adolescente do estado norte-americano da Califórnia conseguiu o que parecia impossível: transformar um velho telemóvel num carro desportivo de luxo. Tudo através de um site de trocas na Internet. Levou dois anos a negociar os bens que ia trocando, mas alcançou o seu objectivo. Agora conduz um Porsche.

De acordo com o canal televisivo «KABC-TV Los Angeles», Steven Ortiz, de 17 anos, colocou à prova os seus dotes de negociador no site de anúncios gratuitos Craigslist. De um telemóvel fez um iPhone e prosseguiu com as trocas até chegar a motos todo-o-terreno.

Não satisfeito com as duas rodas, continuou a negociar, e trocou uma mota por um computador portátil Macbook Pro, que alguém preferiu a um Toyota 4Runner. De volta aos motores, algumas trocas depois, chegou-lhe às mãos um Ford Bronco de 1975. O clássico foi o passaporte para um Porsche de 2000.

Steven Ortiz disse à «KABC-TV» que muitos dos seus colegas ficaram pasmados com o seu feito. Os pedidos de ajuda não têm faltado." *

*Notícia iol

Mãe galinha

Faltam poucas horas para ir ver os meus rapazes.
Tenho saudades.

A minha profissão

Acabo de estar quase duas horas à conversa com uma mulher fantástica, médica, voluntária da AMI, que já fez 13 missões em alguns dos sítios mais difíceis do Planeta. Estivemos numa esplanada, em frente ao mar, e enquanto ouvia as suas riquíssimas histórias, e escrevia tudo no meu bloco, pensava: É por estas e por outras que eu adoro a minha profissão! Todos os dias conheço gente, e na maior parte dos casos gente que me enriquece imenso.
Quando cheguei ao carro tinha um email de uma jornalista mais novinha a perguntar se não há dias em que penso estar na profissão errada. Hummm... sempre que isso aconteceu foi por factores externos, tipo gente estúpida que tive de entrevistar e odiei, gente que se acha acima dos demais e não tem tempo na agenda para mim (quando sei que tem tempo de sobra e que é só género), chefes idiotas com noções idiotas do que é uma reportagem (felizmente aconteceu-me muito poucas vezes)... Tirando estas excepções, não. Não podia ter outra profissão. Não podia ser mais feliz do que sou. Sobretudo agora, que sou a minha chefe, e organizo o meu tempo como bem entendo.
Obrigado, professor Mário Figueiredo. Nunca lhe agradeci devidamente, mas foi por sua causa que fui para Jornalismo. Por me ter dito, quando estava com dúvidas entre jornalismo e publicidade: "você só pode ser jornalista". Obrigadaaaaa!

P.S: Quanto a ti, M., amanhã já passou. De certeza absoluta. :)

A bicicleta

Tem havido algumas pessoas que vieram dizer que a bicicleta que eu quero custa 749,95€. Eeeer... não custa. Essa, que viram, é a motor, minha gente. Acham mesmo que eu ia dizer que uma bicicleta que custava 749,95€ era barata? Ahahahahah! Quem me dera achar isso barato! Era muuuuito bom sinal.
A bicicleta que eu quero custa 199€ e nem isso eu acho barato. Mas não vale a pena estar a sublinhar que acho caro, se é para convencer o babe a dar-ma, certo? Pronto. E, pelo que percebi, é a bicla (para adultos) mais barata à venda na Decathlon.

(como eu gostava de ser tão rica como alguns de vós imaginam... mas não.)

Baton berbere


Quando olhei para a cor do baton pensei: passou-se. Passaram-se os dois.
- Humm... baton verde!
Ela riu-se. Garantiu que não ia ficar como a Maria José Valério. E que a cor ficava linda. E que o baton era usado pelos berberes.
A medo, pensando que iria ficar com os lábios verdes, pus. E não é que a cor é mesmo espectacular? E não sai da boca nem com água. É preciso esfregar à séria.

Pó esquisito


A minha irmã e o Filipe trouxeram, de Marrocos, algumas lembranças para a família Cocó. Para a Mada um vestidinho, para os rapazes guloseimas marroquinas, para nós uma pedra que cheira bem e que se põe nas gavetas, um baton para mim e... supostamente, o picante mais picante que encontraram (que nós gostamos muito de picante).
Ora, ontem ao almoço, senhor Ricardo juntou uma colher deste super-mega-ultra picante aos nossos hambúrgueres e nada, mas rigorosamente nada aconteceu. Quer dizer, não aconteceu nada no momento. Ou seja, não picou. Mas, durante a tarde, as minhas tripas deram conta de muitas ocorrências. Enquanto teclava era como se 150 leões enjaulados rosnassem em fúria. Foi de tal maneira que a dona Emília, que estava a passar a ferro na cozinha, foi à sala espreitar e perguntou:
- Chamou?
Não. Não tinha chamado. Eram os meus interiores, malucos com o pó marroquino.
Mana, aquilo não picava. Nada, nadinha. Mas quer-me parecer que, a continuar nesta romaria para a casa de banho, na próxima segunda-feira a cretina da balança da clínica vai andar bastante para trás.
:)

Mas que coisa mais fofinha


Chama-se De Cor e Salteado. E a sua autora, Susana Fonseca, tem um jeitão e faz coisas mesmo queridas. Vale a pena ver.

Vencedores do passatempo LEGO

Foi com grande prazer que vi vários homens a participar neste lindo passatempo! Sim senhor, rapazes. Mui bien.
Feito o intróito, dizer que este passatempo voltou a ser muito concorrido e que houve frases fantásticas, e que não fui eu quem escolheu os vencedores, mas sim a própria da LEGO.
Aqui ficam, então, os 5 vencedores:

ALDA CASTRO:
É no mundo das crianças
Que a vida se enche de fantasia.
De sonhos e esperanças,
De uma ilusão nunca vazia.

Nas prateleiras habitam carrinhos,
Bonecas anorécticas e luxuosas,
Coroas de princesa sem espinhos,
E vestidos de heroínas pirosas.

Mas há brinquedos com história
Que nunca passam de moda.
Que aos pais enchem a memória
E põem a cabeça dos filhos à roda.

É o caso do Lego, com certeza.
Ainda para mais agora com dado!
Nem há cocó na fralda que amoleça
Este inovador e precioso achado.


RICARDO MADURO:
É a minha caixa de encantar,
Fico feliz sempre que lhe pego,
Tem um dado para eu jogar,
Tem a magia de um Lego.

Às vezes parece que estou a sonhar,
Não, não estou cego,
Enquanto o cocó na fralda não cheirar,
Estou vidrado no meu Lego.


VÂNIA SALES:
As saudades já são grandes
De passarmos o serão
Agarrada ao monopólio
E com o dado na mão

Também houve o tempo do LEGO
Que grandes arquitectos nos sentíamos
Mas se a coisa não corria bem
A correr os desfazíamos

Agora vejo o meu afilhado
Muito concentrado a brincar
Uma construção que já foi minha
num jogo onde tudo passa por imaginar

Vou contar com a cocó na fralda
Para os novos jogos me dar
O animo é mais que muito
Porque a vida é feita para brincar


SAFIRA SILVA:
Aos miúdos e aos graúdos
-Oiçam com atenção!
o que a Cocó na Fralda
diz em primeira mão!

A Lego acabou de lançar
novos jogos de emoção,
onde toda a família pode
se divertir neste Verão

Quando o calor apertar
ou o vento soprar zangado,
juntem-se à volta da mesa
e toca a lançar o dado!


CLÁUDIA GOMES:
Com a LEGO para brincar,
vai ser um dia à maneira
não vai haver nada que desanime
a nossa brincadeira.

Mesmo se tiveres Cocó na Fralda
sei que não vais resmugar
de tão divertido que estás
de o dado lançar.

O dado está lançado
e agora faz figas para termos sorte,
O verão que concerteza
será bem mais animado.

Os felizes contemplados têm de me enviar um email, que eu depois explico como é que isto vai ser.
Parabéns!

terça-feira, 20 de Julho de 2010

Obrigada tia Nana e tio Bin


Directamente de Marrocos para pequena gorda.

Fáxavore?


A minha bicicleta tem 12 anos. Foste tu que me deste, lembras-te? Porque eu ia para Pedrógão, com a equipa toda do DNA, e queria levar uma bicicleta, e não tinha, e não sei quê? Pois... mas ela está tão velhinha e ferrujenta... e ainda por cima esteve na garagem, exposta ao ataque desvairado daquele-bicho-cujo-nome-me-recuso-a-pronunciar... A menina gosta desta... podia gostar de uma caríssima, de liga leve tipo carbono ou coisa e tal... mas não... A menina gosta desta. Tem um cestinho à frente e é fofinha e vende-se na Decathlon. Hum? Se eu fizer a dieta que a Catarina sugeriu (private joke) dás à menina?
Obrigada.

Ahahaha!

Uma querida leitora viu-me e disse, muito espantada:
"Eu achava que tu eras um bisonte e afinal não! Pelo contrário, és toda giraça!"
Obrigada, querida leitora do cocó. Não, eu nunca disse que era assim tão grande...(e mesmo que fosse não tinha mal nenhum, ok, pessoas dos 3 dígitos? Tudo legal, não se passem, não tem mal nenhum em ser grande, só a questão da saúde, tirando isso, tudo legal, desde que a gente se sinta bem, né? Pronto!!!)
Eu tenho 5 quilinhos a mais... só isso. E estão espalhados... e a minha sogra, por exemplo, diz que eu estou "magríssima". E o meu homem diz que eu estou "tão magrinha". Porque são queridos, naturalmente. Mas isto para dizer que não, efectivamente eu não sou gorda-gorda. Tenho uns quilinhos a mais, só isso. O que não significa que não deva lutar contra eles com unhas e dentes! Afinal, se não for agora, aos 36 anos e com 3 filhos, será quando?

Palavras que eu odeio #2

Depois da primeira palavra que eu odeio (sovaco), aqui fica mais uma, em duas versões:

Pintelho/pintelheira
(Aaargh!)

Where are you, brothers?


Pequena Mada, acostumada desde que nasceu a estar rodeada pelos irmãos, olha pela janela e pergunta: "Tim?", "Dé?"
- Não, Mada. Os manos estão com a avó.
- Vó?
- Sim, com a avó.
- Tim? Tiiiiiim?... Dé? Dééééééééé?...

Dá pena.

Caril versus sopa

Ontem a minha irmã e o Filipe vieram jantar. Ainda não tinham visto o blogue, com o meu ataque de choro, quando ela me ligou:
- Vamos aí jantar e o Filipe vai fazer um caril. Trouxemos um caril potente de Marrocos! Já sei que só comes sopa mas não te importas, pois não?
Eu disse que não.
Mas, depois, leram o blogue. E chegaram cá a casa com o frango, o caril e uma carinha de Madalenas-arrependidas.
- Afinal o que nos apetece mesmo é um sopinha.
- Sim, sim! As saudades que tenho de uma sopa, lá em Marrocos era caril a toda a hora, blhéc!
Fiz sopa para todos.
No final, disseram:
- Diz lá à tua nutricionista que por causa dela já puseste mais gente a passar fominha. Vamos ao Mcdonald's agora, Filipe?

Uns queridos, pá. Mas não era preciso. Sou pessoa que aguenta tudo. Vejo comer e beber e engulo a minha sopa como se fosse um manjar. Mas obrigada. Fiquei comovida, pá.

Re-animada

Ok, malta. I'm back! Já não estou chateada (vá, só um bocadinho) com a imobilidade da balança. A verdade é que se nota muito, e isso é que importa. A verdade é que já entro numas calças onde não entrava há anos. A verdade é que parece que me serraram os ossos, porque até estou mais estreita de ombros, é esquisito. E tenho ossos no peito, canário! E as clavículas todas saídas, giras que só elas. E é continuar. Carninha e peixe ao almoço, com salada. Sopa ao jantar. Carninha e peixe ao almoço, com salada. Sopa ao jantar. E 3 litros de água. E um iogurte e uma peça de fruta a meio da manhã e a meio da tarde. E alguns roncos de estômago à mistura (às vezes acordo com eles) mas na boa. E creme na barriga e nas ancas e no rabo. E as caminhadas a alta velocidade.
Ok, malta. O ânimo voltou. E eu vou continuar a minha batalha! Afinal, quem é mais forte? Uma balança inanimada ou eu?
Eu!

segunda-feira, 19 de Julho de 2010

O DN de ontem (e a sua NM)



Juntei 5 crianças com os adultos que têm a profissão que eles querem vir a ter. Um miúdo que quer ser neurocirurgião com o João Lobo Antunes, uma menina que quer ser actriz com a Fernanda Serrano, um menino que quer ser bombeiro com um comandante dos bombeiros, uma menina que quer ser bailarina com a Filipa de Castro (primeira bailarina da Companhia Nacional de Bailado), e uma menina que quer ser pintora com a artista plástica Sara Maia.
As fotografias (feitas para encaixarem nos desenhos) são do Orlando Almeida. Os desenhos são da Júlia (a menina que quer ser pintora). Deu-nos muito prazer fazer isto. E é ao trabalho que me agarro, hoje, em dia de desânimo.

:(

:(
:(
:(
:(
Ai Madalena, Madalena. Vais passar tanta fominha ao longo da tua existência! Hei-de habituar o teu estômago a estar bem vazio e vou impedir as tuas células adiposas de incharem como umas mulas. Macacos me mordam se vais passar por este tormento mais tarde!

Zero

Foi hoje. Não bati na dra Anabela mas larguei a chorar e a soluçar. Depois de uma semana sem qualquer tipo de pecado, depois de um fim-de-semana em que basicamente vi comer... a balança nem se mexeu. Nada. Zero. Nem uns míseros 100 gramas. Niente.
Chorei, chorei, chorei. E ainda choro, neste preciso momento. Eu noto muitas diferenças em mim, sem dúvida. Mas o facto de a balança não acompanhar desespera-me. Como é que eu nao emagreci nada???? COMO? COMO É QUE EU PASSO A VIDA A VER COMER E NAO PESO MENOS?
A acupunctora perguntou se eu queria levar alguma coisa para andar mais calma. Mais calma??? Eu nao estou nervosa!!! Eu estou só triste. Tristíssima. De rastos, mesmo.
Merda para isto. Tanto esforço...

Vila Planície




Tão querido este hotel, na aldeia do Telheiro, mesmo junto a Monsaraz e com vista para o castelo. Ficámos num apartamento, com cozinha, sala e um terracinho que partilhámos com a Cris e o João. Muito fofo. Ficava lá uma semaninha, se pudesse.

domingo, 18 de Julho de 2010

Força de vontade é isto




No barco, eles comeram batatas fritas. Beberam cerveja, champanhe com morangos, vinho rosé. Eu... água. O almoço foi folhados de carne, eu removi o folhado e só comi a carne.
À noite, jantámos no restaurante Sem Fim. Giríssimo, muito giro mesmo. Eles alambazaram-se como se não houvesse amanhã. Aqui a menina? Uma sopa de tomate, à qual removeu as batatas, o ovo e o queijo. Em suma? A menina bebeu uma água encarnada e já gozou. Ah, claro, e bebeu água.
Se amanhã a balança se mexer pouco para baixo, sou pessoa para largar a correr aos pontapés a tudo o que mexer. Sou uma pessoa muito instável, neste momento. Muito instável.

Fim-de-semana maravilhoso (com um lado mau à mistura)






Foi muito bom. Olho para as imagens e oiço o silêncio. Mas... mas a queimadura do Martim perturbou-me imenso. Aqueles momentos de pânico a seguir. Os gritos, a aflição, a falta de tudo a bordo. Um horror.
O resultado foi uma queimadura de 2º grau. O rapaz já está devidamente medicado e agora é esperar que passe. Mas ainda tem dores e eu muita vontade de o ter sempre ao colo. O meu índio esturricadinho...
À volta, fomos à casa de fim-de-semana da minha mãe, buscar a Madalena e deixar lá os dois rapazes. Eles vão lá ficar uma semana de férias. Ela ficará aqui, umas vezes com a dona Emília, outras com a avó Nonô. Espero que eles se divirtam muito, sem mais nenhum percalço. Já me bastou este susto. Agora não preciso de mais nenhum, durante os próximos 100 anos. Sim? Muito grata.

sábado, 17 de Julho de 2010

Alqueva

Foi um dia perfeito. Quer dizer, quase perfeito. Passámos o dia inteiro num barco na barragem do Alqueva, andando devagarinho e parando aqui e ali para mergulhar. O sitio é lindo, um silêncio como já nao me lembrava, e uma companhia maravilhosa. Nós, os primos Cristina e João e um casal amigo, muito fixolas.
O dia só nao foi perfeito porque, por um lado, estávamos preocupados com a Madalena, que ficou com a minha mãe e que está doente (com tosse e muuuuita diarreia) e, por outro lado, porque a certa altura o Martim encostou-se ao forno que estava a ferver e queimou-se a sério na barriga. Mas a sério mesmo. Com a pele a saltar de imediato e ele a ficar logo cor de rosa naquele sitio e aos guinchos como nunca. Foram momentos duros, duríssimos. Eu a chorar baba e ranho, ele a gritar muito, e só se calava ligeiramente quando lhe deitava água para cima e soprava ao mesmo tempo. Mas felizmente estávamos perto de Estrela, uma aldeia onde atracámos e o pai e o João foram perguntar a restaurantes se teriam algum creme contra queimaduras. Logo no segundo, tiveram sorte. Um creme para quando os cozinheiros fazem queimaduras de primeiro grau. O Martim nao sossegou senão um bom bocado depois, quando foi oficialmente autorizado por todos os presentes a dizer todas as asneiras que lhe apetecesse. Foi então que melhorou. E sorriu. E, lentamente, passou. Agora tem uma marca enorme de grelha na barriga que ate faz doer só de olhar. E eu devo ter menos 5 anos de vida, pelo menos.
O que valeu foi que a seguir tudo correu bem, muito bem, uma paz bestial. Éramos para dormir no barco (tem camas para 3 casais) mas como o check-out amanhã era estupidamente cedo, viemos para um hotel aqui das redondezas.
A Madalena está melhor, o que não nos obrigou a voltar já hoje, e o Martim dorme. Há cigarras e passarinhos, estão 37 graus a esta hora (são oito e meia da noite) e eu estou como que anestesiada.
Ai como eu amo o Alentejo!

Notícias Magazine: este domingo com o seu DN/JN

Daqui a pouco partimos para um passeio de barco. Às sete da matina estaremos a sair de casa. Pequena Mada ficará com sua vovó. E eu, que sou a maior apologista de deixar os miúdos para que os pais possam ir namorar, estou uma mariquinhas de primeira. Também não ajuda o facto de, desta vez, os dois rapazes irem connosco e ela não. Coitadinha. Mas a verdade é que o barco não dá mesmo para ela ir. Ficará bem entregue e os rapazes também vão gostar de ter a atenção toda só para eles.

Não esqueçam: amanhã, domingo, dia 18, a Notícias Magazine está muito boa.
Vale (ainda mais)na pena comprar o Diário de Notícias ou o Jornal de Notícias para verem a revista.

sexta-feira, 16 de Julho de 2010

NIB da Associação Pêndulo da Vida e um pedido de dentista

Hoje voltei a casa da tia preta. Estava sentada no sofá, muito arranjada, de camisa cor-de-rosa, e a ouvir Dany Silva. Tinha ido ao hospital mudar o penso do cateter que tem no peito. Entrei com o leite e o peixe que uma leitora do cocó (Carla Morais) trouxe para eu entregar, e com carne, e com umas tortilhas e um bolo para os meninos. Ela ficou contente.
Ainda assim, já tinham chegado algumas coisas, de maneira que o NIB talvez seja mesmo a melhor solução.
A associação chama-se Pêndulo da Vida e o número é:
0033 0000 45393107461 05.
Acreditem que a tia usará o dinheiro única e exclusivamente para os seus meninos, sua única razão de viver.

Às tantas, estava lá sentada com ela, quando me perguntou:
- A doutora (por mais que lhe diga para me chamar Sónia, ela não consegue) por acaso conhece algum odontologista?
- Hummm... conheço a minha dentista mas... porquê?
- Andreeeeeia! - chamou a tia.
Uma miúda magrita chegou.
- Mostra os teus dentes à doutora Sónia.
A menina arreganhou um sorriso forçado, para exibir a dentição torta. Os dois dentes da frente estão tão juntos que fazem uma espécie de telhado. A tia preta esperou que a criança saísse da sala para dizer:
- Ela faz barulho a comer, está sempre com a boca aberta, faz barulhos e os outros gozam... era bom se pudesse alguém ajudá-la... nós estamos inscritas no centro de saúde mas... vai demorar uma eternidade.
- Tia, não prometo, mas vou perguntar se alguém quer ajudar a Andreia.

E pronto. É isto. Se houver por aí um dentista que se ofereça para endireitar os dentes da criança, a tia preta, a Andreia e eu agradecemos muito, muito.
Quanto ao NIB, já cá está. Dêem o que puderem. Acho que a saúde da tia até melhora, só por saber que tem por aí muita gente a querer ajudar.

A diferença entre pais e filhos


Ui... Isto por aqui está mesmo hard core...
Com mil canários, como estou mariquinhas.

Um mundo perfeito

Se eu fosse Deus, tinha feito o mundo de outra maneira.
Se eu fosse Deus, a vida na terra seria assim: quem fosse boa pessoa, quem não fizesse mal aos outros, quem fosse generoso e amigo e solidário, vivia até aos 100 anos, sem doenças, sem maleitas relevantes, sem percalços de maior. Teria na mesma de lutar pela sua vida, seria tudo igual mas sem doenças e com uma vida mais longa. Até podia ser uma vida infeliz, como há tantas. Mas as boas pessoas não adoeciam de doenças graves. Ponto.
Por outro lado, quem fosse mau, quem tivesse prazer em ferir os outros, em matar, roubar, quem fosse ganancioso e passasse por cima dos demais em benefício próprio, morreria cedo, com doenças más, cancros e afins, coisas que fizessem sofrer.
Estou convencida de que haveria muito menos gente má. Menos guerras e mortes e coisas do género. Porque quem praticasse o mal estava irremediavelmente condenado.

Se eu fosse Deus era assim.
Mas não sou.
E por isso há gente como a tia preta com cancros na cabeça.
Que pena.

quinta-feira, 15 de Julho de 2010

A morada da tia preta

Fui vê-la. Estava deitada, inchada e a roer uma maçaroca. Levei-lhe as cerejas. Enquanto conversávamos, a tia preta não descurava os "seus" meninos:
- Quem é que está a falar com a boca cheia?
- Sou eu, tia, desculpe.
E, daí a mais um bocado:
- Que barulho foi este?
- Fui eu com a cadeira, tia, desculpe.
Como sempre, os meninos de Chelas, alguns com histórias de vida tão duras, ali não faltam ao respeito. Sabem agradecer a quem tão bem lhes faz.
A tia preta estava bem disposta. Perguntei-lhe como se sentia, se estava revoltada. Soube do cancro na cabeça 1 mês exacto depois de ter tido alta de uma longa luta contra um carcinoma na mama. Estava curada. Só tinha de ir à consulta um ano depois. E afinal, 1 mês depois, um tumor inoperável na cabeça. Ela olhou-me e disse:
- Não estou revoltada. Nada, nada. É que nem penso nisso. Quero é ficar boa! Eu sei que todos temos de morrer. Uns mais cedo, outros mais tarde. Quando chegar a minha vez, que vá com calminha... - e sorriu um sorriso grande.

Minha gente, é assim. A tia preta precisa de feijão catarino, de cereais, de azeite e leite (muito). Precisa de carne e de peixe (muito). Tem duas arcas congeladoras, para guardar tudo. E despensa. Quando lhe perguntei "E se vem muita gente e depois não tem como dar vazão?", ela sorriu: "Eles devoram tudo..."
Diz que também criou uma associação, entretanto, e que me vai dar o nib. Mas, sempre muito séria, avisou: "Estou aqui há 16 anos. Sempre vivi e ajudei esta gente toda com o meu dinheiro e com as coisas que me iam dando. Não era agora que ia usurpar esse dinheiro que me dão. É todo para eles, para lhes comprar coisas a eles." Tão linda.

A morada para onde podem enviar as coisas ou onde as podem entregar pessoalmente (se for carne e/ou peixe ou se tiverem vontade de a conhecer) é:
Rua Ricardo Ornelas, 375, R/C dto.
Bairro da Flamenga
Chelas
.
1950-331 Lisboa

Isto fica perto do parque da Bela Vista, onde se realiza o Rock in Rio. Procurem no Google Maps e depois é perguntar na rua, que toda a gente a conhece.

A tia está sempre em casa, a porta está sempre aberta. Se estiver fechada, há sempre o tio Pedro, que vive na porta em frente, e que a ajuda há anos. É um querido, também. A tia gosta de receber gente, fica feliz. Sintam-se à vontade.

Eu podia fazer um cartão continente ou uma coisa dessas. Mas só a hipótese de alguém poder pensar que eu ficava com dinheiros ou isso fez-me desistir da ideia.

Obrigada. Muito obrigada.

EM BREVE DOU O NIB DA ASSOCIAÇÃO DA TIA PRETA. PODEM SOSSEGAR. ELA É TÃO HONESTA QUE O VOSSO DINHEIRO SERÁ BEM EMPREGUE PARA OS SEUS MENINOS, SUA ÚNICA PREOCUPAÇÃO.

Ajudar a tia preta

Liguei-lhe agora. Disse-lhe:
- Tia preta... tenho aqui uma série de pessoas que a querem ajudar. Do que precisa?
- Ah... Carne e peixe. De carne e peixe preciso muito.
- É? E mais?
- Azeite e leite.
- Ok. E para si, tia?
- Saúde, que é o que não tenho.
- Oh, tia preta, mas saúde eu não lhe posso dar, infelizmente. Há algum miminho, alguma coisa que gostasse, que se soubesse bem?
- Umas cerejinhas. Poucas, para não se estragarem.

Hoje ainda vou levar umas cerejinhas à querida tia preta. E carne, também.
Quanto a vocês, se quiserem conribuir com carne, peixe, azeite e leite... acho que ela ficava muito feliz. Porque os seus meninos são a sua razão de viver, e ela agora precisa ainda mais de se agarrar a eles (e eles a ela).

P.S: Quem quiser enviar, mande-me um email, que eu depois explico como havemos de fazer.
P.S2: Espalhem a palavra, se quiserem, nos vossos blogues. Vamos animar esta mulher única!

Tia preta

Ontem recebi um telefonema e, do outro lado, uma voz quebrada disse:
- Olá, daqui é a tia preta!
Fiquei contente por a ouvir mas, logo depois, entristeci. Entristeci muito. A tia preta, que lutava há anos contra um cancro na mama, ligou-me para informar que, agora, apareceu-lhe um cancro na cabeça, inoperável. E falou, pela primeira vez, num tom que, sem ser de despedida, era. Doeu-me fundo.
A tia preta não merecia. Não ela. Não sabem que é? Deixo um texto que escrevi sobre ela, para as Selecções do Reader's Digest. A tia preta é boa. Tem um coração enorme. E é completamente estúpido e inútil que morra, assim. Para mim, ela é mais uma das provas de que estamos, sobretudo, nas mãos da sorte. E ela não tem tido sorte.
Hoje estou triste. E ainda com mais medo do que a sorte me/nos reserva. Infelizmente, não basta ser bom para se ser recompensado.


«Tia, vou à cozinha comer cereais, está bem?». Lizete Baessa ainda não tinha acabado de dizer que sim, «claro meu querido», quando outra voz atropelou a primeira: «Tia, ela não me deixa brincar…». A tia não perde tempo e apressa-se a chamar Lara: «Então? Porque é que não brincas com o Polho?». Lara explica que o miúdo, minúsculo e com ar de reguila, quer ficar com os brinquedos todos. Lizete admoesta o pequeno, pede que façam as pazes, «Vá, vão lá brincar juntos, vá», e claro que nisto um outro pedido se sobrepõe: «Tia, desculpe interromper… Vou só ali ao escritório buscar baunilha, está bem?» E ainda a tia preta ensaiava um «claro, meu amor» quando uma nova súplica se escutou: «Tia…»
Lizete Baessa tem 57 anos e no seu bairro, em Chelas, ela é a «tia preta». Todos a conhecem assim, todos são seus sobrinhos. A sua casa, o seu T2, que comprou à Câmara Municipal, não é sua, na verdade. É de todos os que queiram entrar. Mas não é só entrar. Não é só entrada por saída. A sua casa está aberta para tudo o que se queira. As crianças são livres de chegar de manhã, de tarde, de noite. De comer, tomar banho, ver televisão, fazer os trabalhos de casa, passar a noite. As crianças podem ter mãe e pai mas são, todas elas, os seus meninos. «São os meus meninos, sim. A partir do momento em que entram em minha casa, os miúdos são meus. Os filhos são deles, dos pais deles, mas os miúdos são meus.»
A tia preta vive há 15 anos no bairro de Chelas. Uma zona degradada onde os problemas sociais gritam em cada porta, em cada janela, em cada família. Lizete chegou há 15 anos e não tardou a fazer amigos. Um rapaz ajudou-a a montar a mobília, ela em troca oferecia-lhe comida. Daí a conhecer a irmã foi um instante. E a irmã tinha um bebé de um ano, o Pipo, a quem de imediato ganhou afeição. «Dá-me o teu menino», dizia Lizete à mãe, com o sorriso grande que é a sua marca. Certo é que o Pipo começou a frequentar a casa como quem frequenta a creche. Todos os dias. E depois dele, a irmã, Liliana. E por arrasto os outros, do prédio, das casas do lado, das ruas de trás. Pipo tem hoje 15 anos. Continua a entrar na casa da tia preta como quem chega ao seu próprio lar. Ele, a irmã, e todos os miúdos que se sentem ali melhor do que na casa onde vivem os familiares.
E, no entanto, não é bem como quem entra na sua própria casa. Muitos destes miúdos têm tudo para ser problemáticos. Muitos deles nasceram e vivem em famílias disfuncionais. Muitos terão comportamentos agressivos, muitos poderão ser revoltados, muitos serão como um pé-de-vento nas suas casas. Mas nada disso se nota, nada disso se sente na casa da tia preta. Ali há um respeito que é raro. Todos, dos dois aos 17 anos, pedem «por favor», todos dizem «obrigado», «com licença», ninguém levanta a voz. Se a tia preta diz não, é não. Se a tia preta diz sim, é sim. Naquela casa, têm todos uma educação tão esmerada que parecem fazer parte da mais nobre das famílias. O respeito nota-se até no modo como olham Lizete, um misto de ternura, gratidão e deferência.
«Aqui há regras. Eles respeitam-nas e não é preciso muito. Todos sabem o que fazer, todos sabem como funciona a casa, todos ajudam, como numa família. Claro que às vezes me zango. Tenho ali a ‘sete e quinhentos’ para me ajudar, e o banco do mocho. Qual é a casa onde uma mãe não se zanga com os seus meninos?» A «sete e quinhentos» é uma colher de pau que, apesar de nunca ter tido uso, serve de ameaça séria sempre que alguém foge da linha. O «banco do mocho» é uma pedra que existe à porta de casa, para onde vai quem se porta mal e tem de ir pensar na vida.
A partir das cinco da tarde e até à uma da manhã, a casa de Lizete Baessa é uma verdadeira instituição. Os miúdos começam a chegar da escola e vão ficando. Uns lancham, fazem os deveres e vão embora, outros jantam, outros ficam para dormir. Nunca se sabe. Às vezes, também vêm almoçar. «Ligam da escola a dizer que não gostam do almoço. Perguntam se podem vir comer umas salsichas. Claro que podem. Há sempre comida para mais um.» Para tudo isto, Lizete não conta senão consigo. E com a ajuda de quem, de repente, se lembra dela e da sua «obra» e lhe traz arroz, açúcar, massa, salsichas, atum. De resto, é ela quem gere a casa e os seus meninos. Tudo o que ganha vai para esta família alargada. E a vida, ainda por cima, não quis ser meiga para com ela.
Há quatro anos, esta ex-secretária teve de deixar de trabalhar porque teve de ser operada a uns pólipos que lhe apareceram nos intestinos. Ela não sabe se era o corpo a dar o aviso para algo pior. A verdade é que, dois anos depois, estava no duche, a cantar, como sempre, e de repente calou-se. E assim ficou, calada, com três mamas em vez de duas. Lizete soube imediatamente. «Pensei: estou feita. Percebi logo. Fui à médica de família no dia seguinte de manhã. E passado muito pouco tempo estava no IPO [Instituto Português de Oncologia]. Fui muito bem tratada. O meu carcinoma no peito media 7 centímetros. Estive um ano a fazer sessões de quimioterapia, para o reduzir. Depois fui operada, fiz 36 sessões de radioterapia, e agora continuo com a quimio, duas vezes por mês. Vamos ver… Está estável.»
Quando chegou ao IPO só pediu que não lhe escondessem nada: «Disse: senhor doutor, eu vivo sozinha numa casa cheia de crianças. Preciso de saber o que vai ser de mim, para os poder reunir e explicar.» E assim foi. Nesse dia, há dois anos, reuniu os seus meninos. E colheu reacções fabulosas. A reacção que mais a comoveu foi a dos que fugiram: «Houve um grupo que desapareceu. Disseram: ‘A tia vai morrer. Vamos ficar sem a tia’. E não quiseram esperar para ver. Não quiseram assistir a esse abandono. Foi o modo que tiveram de negar mais um sofrimento, mais uma perda nas suas vidas. Fugiram. Negaram-se a serem deixados. Comoveu-me isto. Mas eu cá continuo! E tenciono continuar!»
Continua e garante que são os seus meninos quem lhe dá força. «Acho que se não os tivesse não estaria aqui, cheia de energia, como se isto do cancro não fosse nada comigo. No dia em que vim do hospital, eles encheram-me a casa, como sempre, e não me deixaram ir à cama. Eles não me deixam parar, sabe minha querida? São a minha alegria. São a minha vida.»
Na casa do lado, vive Pedro. O tio Pedro. É ele que a apoia. É ele quem entra, enquanto a conversa decorre (interrompida mil vezes pela palavra «tia» suplicada por uma voz infantil), para levar roupa para secar. Roupa dos meninos, claro, que ali – como em qualquer casa onde vivem crianças – também se trata das roupas. «Dantes, quando eu tinha loiça em vidro, eles às vezes partiam um prato, um copo. E lá iam a correr bater à porta do tio Pedro para pedir que lhes arranjasse um prato dos seus, um copo dos seus, para eu não me zangar. Coitado! O desgraçado ficou sem serviço. E eu aprendi a lição: agora tenho um serviço de plástico! Mas acredita que também se parte?»
O tio Pedro tem a chave da casa da tia preta. As regras estão definidas. A tia sai e deixa a chave na porta ao lado. Quem chegar primeiro (ela ou uma das muitas crianças) apanha a chave e entra em casa. Às vezes é Lizete quem chega primeiro, outras vezes quando entra já lá está um, dois, dez, vinte. «No Verão chegamos a ser 25 à mesa. Faço uma grande tachada de frango frito ou salada russa. E comemos. E somos felizes. Eles falam comigo sobre tudo o que querem. Às vezes dizem: ‘Tia, preciso falar-lhe’. E eu só pergunto: ‘A sós ou falamos aqui todos?’ E às vezes eles dizem: ‘Hoje é só com a tia’. E eu oiço, dou conselhos, carinho… o que eles precisam. Sobre os pais não sei nada. Não quero saber. Não sei se ganham 100, 200, não sei nem me interessa se ganham mais do que eu. A mim interessam-me os miúdos. É por eles que eu quero fazer alguma coisa. É a eles que eu quero deitar a mão. Segurar. Ter em casa, debaixo de olho.»
A verdade é que ali estão entre iguais. A verdade é que ali têm regras. Têm alguém que lhes pergunta pela escola, pelos trabalhos de casa, pelos testes. Alguém que puxa as orelhas na hora certa. E aplaude quando deve de ser. Alguém que dá comida e colo e limpa o rabo. «Só gostava de ter uma casa maior, para receber mais meninos, ou os mesmos mas com outras condições. E, claro, se pudesse ter mais vezes carne e peixe para lhes dar…». Lizete não tem ajudas. Ou tem, pouquinhas. «Ainda agora fui fazer um contrato com a EPAL… recebi uma factura muito alta para pagar e tive de combinar um pagamento a prestações…», sorri. «O que é que eu hei-de fazer, minha querida? O que é que eu hei-de fazer?»
Fábio tem 16 anos e já perdeu a conta aos anos que frequenta a casa da tia preta. «Essa tia é uma senhora exemplar. Porque nos acolheu, porque nos acolhe, porque nos dá a mão. Porque não nos deixa ficar mal, e podemos contar sempre com ela.» Com ela, com o seu colo, com o seu sorriso. Lizete Baessa é a tia preta. É a mãe (ela que nunca foi mãe de verdade, no sentido de transportar um bebé no ventre), é o pai, é a família que muitos não têm. E que outros têm, mas que só debaixo da sua asa parecem encontrar a paz para poderem aprender a voar. *

*Este texto foi publicado na revista Selecções do Reader's Digest

quarta-feira, 14 de Julho de 2010

Ter irmãos...

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... é a melhor coisa do mundo.
Espero que todos eles se dêem assim, maravilhosamente, até ao fim das suas vidas.

Este senhor tem uma bela ideia...


Se todos aderirmos aos partidos políticos com que mais nos identificamos, podemos intervir na vida política de forma directa e podemos ter uma melhor cidadania, em vez de nos andarmos sempre só a queixar do estado da Nação.
Mesmo que não se identifiquem com nenhum partido, por acharem que estão todos uma bela trampa, podem sempre achar que um ou outro estão, em termos de ideais, mais próximos. Então, é aderir. É mudar os mesmos que lá estão sempre. É mudar o amanhã.
Este senhor tem uma bela ideia. E por acaso é meu primo. E estou orgulhosa dele.

(para começar podem sempre aderir ao movimento que está no facebook e que se chama "Adere, Intervém e Vota num Partido. Portugal é Nossa Responsabilidade")

Tempo perdido

Se eu um dia me puser a contar o tempo que perco a procurar coisas que perdi... acho que vou perceber que perco dias, anos da minha vida nessa busca incessante. Umas vezes encontro o que procuro. Outras (muitas) não. Já perdi tantas, mas tantas coisas... Telefones, casacos, chapéus. Agendas, blocos, canetas. Papéis, documentos, malas inteiras. Sou um verdadeiro desastre. E é por isso que tenho alguma dificuldade em repreender os miúdos sempre que perdem alguma coisa. Agora, por exemplo, dava-me muito jeito saber onde enfiei uns papéis importantes para um trabalho. Dava-me mesmo muito jeito.

Jeito para o desenho ou... se calhar não

Ontem estivemos a ver os desenhos que o Martim fez no 3º período. Às tantas:
- Este é o pai, esta é a mãe, este é o Manel, este sou eu e esta é a Madalena.
Diz o Manel:
- Ahahahahaah! A Madalena parece um Avatar!

O que eu me ri, senhores. O que eu me ri. Porque era mesmo verdade.

E lá chegou o dia

Em todas as vezes que fiz dieta há um dia em que olho para mim, no espelho, e acho que estou mais gorda. Que estou igual ao que estava quando tudo começou, que toda a diferença que notei no dia anterior é, afinal, uma ilusão. Uma quimera. Olho e torno a olhar e sinto-me inchada, horrível. Visto uma roupa, outra, e mais uma. Dispo tudo e amuo. Às vezes choro. De que vale tanto esforço?, pergunto-me, abatidíssima. Geralmente, sempre que esse dia chega - e chega sempre - começo a comer. Esqueço tudo. Desisto.
O dia, esse dia, chegou hoje. O biltre. A diferença, desta vez, é que virei as costas ao espelho e encharquei-me em água (hoje já bebi 1, 5 l). Desta vez não vou desistir. Eu sei que este dia aparece sempre - também vos acontece? Mas amanhã vou sentir-me melhor outra vez. E daqui a um mês melhor ainda. E daqui a três meses, ui, sou menina para olhar para o espelho e agarrar-me a ele aos beijos. Este é o espírito! Por muito que custe.

Há por aí alguém...

... que tenha 36 anos, tenha feito a primária no Colégio Princesa Ana Príncipe Carlos, com a Miss Morgado? Anyone?

Palavras que eu odeio #1

A partir de hoje estreia, aqui no cocó (essa bonita palavra) uma rubrica chamada "Palavras que eu odeio". E são algumas. E para inaugurar esta coisa, nada melhor que:
Sovaco (blhécccccc!)

Morning report

Uma das desvantagens de se perder 5 centímetros de pança é a vontade de ir comprar roupa. Hoje, se pudesse, era isso que fazia, todo o santo dia. Mas não posso. Diz que tenho de trabalhar, e diz que a minha conta bancária também não está nada famosa. Prontossss. Sendo assim, cá fico. Os dois marmanjos não foram outra vez à praia com a escola, estão aqui à minha frente, carregadinhos de tosse. A Madalena encosta-se a um e a outro, toda dengosa, e o meu trabalho avança, com grande dificuldade. Acho que daqui a bocado, quando a dona Emília chegar, vou dar corda aos sapatos e vou até à piscina (municipal, hã, não é privada) nadar. Não me mexo desta cadeira há tanto tempo que ainda crio raízes aqui.

Alguém me explica para onde foi o sol?

São Pedro, São Pedro, São Pedro... estavamos a ir tão bem... Lembras-te da nossa conversinha, no dia em que começou o Verão, sobre aquilo das estações do ano e do que significam? Hum? Já esqueceste, não foi? A idade não perdoa. Então vamos lá: Outono é quando começa a ficar frio, e as núvens estão mais vezes no céu, e caem as folhas das árvores e anoitece mais cedo. No Inverno chove sempre, faz um frio digno de cachecóis e casacões e à tarde já é de noite (búúúú, não gosto, não gosto, não gosto). Primavera é flores. Dias bonitos, céu azul, mas temperatura ainda frescota e, às vezes, mas poucas, chuva. Agora... Verão. Verão é agora, hum, vamo-nos concentrar? Sol a rodos, calor para caraças, noites quentes para se estar na rua até tarde, lua no céu só lá para as nove e tal da noite... está compreendido? Vamos a isso? Vá. Toca a trabalhar, que se há coisa deprimente é esta escuridão a meio de Julho.

terça-feira, 13 de Julho de 2010

A puta

Vou dizer-vos uma coisa. É preciso ter muita paciência para ter um blogue. Porque se há gente muito boa e querida e simpática como vocês, que são a maioria, depois há os outros. E se é verdade que são mesmo a minoria, esses outros cansam. Moem. Molestam. Porque são repetitivos. E têm tantos problemas na mona e na vida que fazem dó. Para esses, eu sou sempre e serei sempre... uma puta. Se sou feliz sou uma puta. Se sou infeliz, mais puta sou. Então é assim:
Se eu escrevo que vou de fim-de-semana, sou uma puta porque com esta crise há imensa gente que nem sabe como comer, quanto mais pensar em passar fins-de-semana fora. Se mostro fotos do sítio onde estou sou uma puta, a fazer pirraça a quem tem de ficar enfiado em 20 metros quadrados e cheio de fome. Mas se não mostro, sou uma puta ainda maior, que deve estar num palacete banhado a ouro e que nem tem coragem de mostrar, tal é o luxo nojento. Mas se, pelo contrário, não vou de fim-de-semana e me queixo de ter o dinheiro contado, sou uma puta porque moro no Parque das Nações, tenho os filhos no colégio, e devia ter vergonha por me queixar da falta de cheta quando há gente que, essa sim, não tem um cêntimo na carteira.
Se digo que estou gorda, sou uma puta porque há pessoas que pesam tanto que chegam aos 3 dígitos e estou a humilhá-las ao falar do meu suposto peso a mais. Mas se fico feliz porque emagreci, sou uma puta porque tenho dinheiro para fazer dietas que os outros não têm, e tenho tempo para fazer caminhadas, coisa que os outros, coitados, nunca têm.
Se me queixo dos meus filhos, porque fizeram uma tropelia qualquer e se estou cansada deles e deixo um desabafo, sou uma puta porque há tanta gente a querer engravidar sem conseguir, e eu que tenho filhos nunca por nunca devia queixar-me deles, é uma vergonha. Se os enalteço, vaidosa, sou uma puta que não pára de se gabar, e devia ter vergonha porque há pessoas que têm filhos deficientes que não conseguem sequer sorrir quanto mais fazer as habilidades que os meus fazem.
Se ponho vestidos da Madalena, sou uma puta exibicionista que devia era dar tudo a instituições de solidariedade. Se falo de solidariedade, sou uma puta porque na verdade o que eu quero é mostrar-me boazinha mas não passo de uma megera nojenta, que tem dinheiro para ser solidária, porque o resto das pessoas, coitadas, não têm dinheiro para si, quanto mais para os outros.
Se digo mal de um funcionário, que me atendeu mal, e calha a chamar-lhe burro, sou uma puta que não sabe o que passam os funcionários, uma puta que está a dizer que todos os funcionários desse ramo são burros, uma puta que acha que só porque tem um curso superior é melhor que os outros, devia era virar uma dessas funcionárias para ver o que era bom.
Se me queixo de ter muito trabalho, sou uma puta porque há muita gente no desemprego e eu devia era virar as mãos para o céu e agradecer ao Senhor a oportunidade que me deu. Se digo que houve um mês pior, com menos trabalho, vão dizer que eu sou uma puta, que em vez de estar em casa armada em freelancer devia era estar sentadinha a uma secretária, que assim não me faltava o trabalho, essa é que é essa.
Se digo que baptizei os meus filhos por respeito e amizade à minha sogra, sou uma puta porque com Deus não se brinca. Se decidisse não os baptizar, apesar dos pedidos da sogra, era uma puta das piores, ingrata do caraças, coração de pedra, incapaz de descer do seu pedestal arrogante para fazer alguém feliz.
Se estou doente, e descrevo o mal-estar, sou uma puta que não sabe o que é estar realmente doente, doente à séria, em perigo de vida, com um padre ao lado pronto para a extrema unção. Se me regojizo com a minha saúde, sou uma puta que merece é ficar doente, por estar a vangloriar-se de algo que há tanta gente a não ter.

Eu podia continuar por aí fora. Mas não posso. Tenho de ir trabalhar (ai, que puta, trabalhar? E tanta gente no desemprego...). E daqui a bocado também tenho de ir fazer o almoço para os meus 3 filhos que estão em casa porque têm tosse (tosse? oh, minha puta, tosse não é doença, sabes lá tu o que é estar doente?).
Ainda bem que esta gente é a minoria. São vocês, a maioria saudável, que me faz continuar a ter vontade de vir aqui contar algumas aventuras e desventuras da minha vidinha normal (normal? tu és é uma anormal de primeira! E, claro, uma puta!)

Este fim-de-semana...

... é o primeiro que vou passar longe da minha gorda. E hoje é terça-feira e eu já tenho saudades dela. Os rapazes vão conncosco porque vamos estar num barco, e eles vão adorar, mas com ela ia ser complicado e perigoso e não vale o stress. Mas eu olho para aqueles refeguinhos e morro de saudadeeeeeees. A sério, devia ter vergonha de ser assim. É a terceira, pá! Porque é que não nasci mais despegada? Ainda por cima vou com dois casais, um dos quais tem duas filhas, que vão ficar em casa dos avós, e uma tem três anos e a outra... 1 mês! E vocês perguntam: a mãe está assim mariquinhas, como tu? Nahhh! Eu é que sou uma lamechas.
Ai o que eu vou sofrer quando eles começarem todos a crescer e a cagar em mim... ai o que eu vou sofrer...